China orienta empresas a evitar negócios com Li Ka-shing após venda dos portos

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As autoridades chinesas ordenaram às empresas estatais que deixem de fazer negócios com Li Ka-shing, proprietário da CK Hutchison, que se prepara para vender os dois portos que controla no Canal do Panamá, noticiou ontem a Bloomberg.

De acordo com fontes anónimas citadas pela agência de notícias, a instrução para vetar o empresário de Hong Kong foi dada na semana passada por altos funcionários e afeta apenas novos negócios, sem impacto nas colaborações existentes.

A directiva de Pequim segue-se ao acordo da CK Hutchison, este mês, para vender a maior parte do seu negócio portuário global, incluindo ativos no Canal do Panamá, a um consórcio liderado pela gestora de activos norte-americana BlackRock.

A venda deixaria cerca de 19 mil milhões de dólares em receitas líquidas para o conglomerado de Hong Kong e incluiria não só os portos de Balboa e Cristobal, mas também 41 outros controlados pelo grupo em mais de 20 países.

O negócio foi descrito pelos analistas como uma jogada lucrativa de Li – o homem mais rico da antiga colónia britânica e o oitavo mais rico da Ásia – face à pressão do novo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

No entanto, com Trump a vangloriar-se do acordo como uma vitória dos Estados Unidos sobre a alegada interferência chinesa no canal, Pequim questionou o que também foi visto como uma tentativa da CK Hutchison para apaziguar o presidente dos Estados Unidos.

As autoridades chinesas não intervieram diretamente, mas pronunciaram-se através de jornais pró-Pequim de Hong Kong, avisando que as empresas que colaboram com os EUA “não terão futuro, independentemente do volume de negócios e do dinheiro que obtenham”, e exigindo o cancelamento da venda por “prejudicar a segurança nacional”.

Porém, Pequim teria dificuldade em impedir um tal negócio, dado que o sistema jurídico de Hong Kong é muito diferente do da China continental, embora seja duvidoso que invoque a Lei de Segurança que impôs à antiga colónia britânica para o bloquear.

A CK Hutchinson é propriedade de Li, que, aos 96 anos, é a 38.ª pessoa mais rica do mundo, com uma fortuna avaliada em cerca de 38,3 mil milhões de dólares.