Sinólogo brasileiro elogia o papel de Macau na promoção da cultura chinesa

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FOTO 1 LEGENDA: Giorgio Sinedino

 

Giorgio Sinedino, um sinólogo brasileiro, desenvolveu um interesse pela China desde a sua infância, quando leu “As Aventuras de Tintim” e ficou impressionado com os elementos culturais chineses, tais como os trajes tradicionais chineses e as delicadas cerâmicas introduzidas na famosa série de banda desenhada.

“Gosto de Tintim devido ao seu interesse por diferentes culturas em todo o mundo”, disse Sinedino, professor assistente na Universidade de Macau. “Considero a sua introdução de culturas positiva e apelativa e quero visitar esses países.”

Seguindo os passos de Tintim, o sinólogo brasileiro cruzou oceanos para estudar na China e vive no país há cerca de 20 anos, empenhando-se em apresentar os clássicos chineses aos países de língua portuguesa.

A partir de 2012, o académico publicou versões em português de vários clássicos milenares chineses, incluindo “Os Analectos de Confúcio”, “Dao De Jing” e “Zhuangzi”.

A sua paixão pela língua chinesa e pela sabedoria milenar foi despertada em 2004, quando começou a aprender a língua no Brasil com um académico visitante da Universidade de Pequim.

Após anos de estudo e trabalho em Pequim, Sinedino decidiu estabelecer-se em Macau, que regressou à China em 1999 após uma longa história de domínio português, para promover a cultura chinesa junto do público dos países de língua portuguesa.

Durante o século XVII, Macau desempenhou um papel importante na introdução da aprendizagem da língua chinesa no Ocidente, de acordo com Sinedino. “Os primeiros sinólogos ocidentais receberam formação básica em Macau, trabalhando em compilações de dicionários e traduções de clássicos chineses”, disse à Xinhua.

Como ponte de ligação entre a China e os países de língua portuguesa, a Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) tem outro atractivo para o sinólogo brasileiro, que já viajou por vários lugares do mundo e sempre se sentiu fascinado pelo encontro de várias culturas. Na sua opinião, a RAEM é um local ideal para viver devido ao facto de abarcar a diversidade cultural.

Segundo o próprio, os brasileiros não se concentram apenas no crescimento económico da China, mas também demonstram interesse pela cultura clássica do país.

A crescente procura da cultura chinesa inspirou-o a introduzir mais clássicos nos países de língua portuguesa, incluindo “A Arte da Guerra”, um livro mundialmente conhecido do antigo estratega militar chinês Sun Tzu.

Sinedino acredita que é crucial compreender o contexto histórico por detrás do pensamento estratégico de Sun Tzu. “Espero apresentar a singularidade dessa obra por meio de materiais complementares, permitindo que os leitores compreendam esse clássico sob a perspectiva da cultura chinesa e dos pensamentos antigos”, disse.

Além dos clássicos, o brasileiro também dá atenção aos estudos da literatura chinesa moderna. O académico planeia publicar no Brasil, no próximo ano, a versão em português de “Na Han”, ou “Chamado às Armas”, obra representativa de Lu Xun, um dos mais importantes escritores chineses do século XX.

Relativamente a futuros intercâmbios culturais, o sinólogo espera poder cooperar com especialistas do interior da China e da RAEM para estudar e traduzir mais obras chinesas, de modo a promover melhor a cultura chinesa.

“À medida que se desenrola uma nova onda de introdução da aprendizagem da língua chinesa no Ocidente, Macau continuará a contribuir para a promoção global da cultura chinesa”, afirmou.

 

Xinhua