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      InícioGrande ChinaViagem de PR chinês à Europa privilegiou países "mais confortáveis", diz especialista

      Viagem de PR chinês à Europa privilegiou países “mais confortáveis”, diz especialista

      A especialista norte-americana Elisabeth Economy aponta na deslocação do Presidente chinês à Europa concluída na sexta-feira a definição de um “espaço mais confortável” através de Sérvia, Hungria e uma França “mais favorável” que Alemanha ou Reino Unido.

       

      Em entrevista antes de uma iniciativa na Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), em Lisboa, a ex-conselheira da administração de Joe Biden indicou que a primeira deslocação de Xi Jinping à Europa depois da Covid-19 integrou dois países dos “mais autoritários da Europa: a Sérvia e a Hungria”.

      Para a politóloga, são dois países que servem de “espaço mais confortável” para Pequim, permitindo fortalecer os laços, uma vez que seria mais difícil alcançar um “compromisso para um futuro comum para a humanidade” se o líder chinês “estivesse em Portugal, Grécia, Itália ou outros países”. Também nesses locais, ao contrário do que aconteceu em França, não haveria foco na Ucrânia.

      Na última paragem do périplo, em Budapeste, o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán concordou com Xi Jinping intensificar a cooperação económica, energética e política, num passo importante para fortalecer a influência de Pequim na Europa Central e de Leste.

      Durante uma conferência de imprensa conjunta, Orbán elogiou a “amizade contínua e ininterrupta” entre os dois países desde o início do seu mandato em 2010, e prometeu que a Hungria continuaria a acolher mais investimentos chineses.

      O Presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic, declarou que “Taiwan é a China” e pediu apoio de Pequim face às “pressões” que Belgrado enfrenta devido à sua “política autónoma”, sem especificar a origem dessas pressões.

      No planeamento desta viagem desde a Ásia, a membro da Hoover Institution da Universidade de Stanford estima ter sido levado em conta escolher também um país mais influente e mais favorável. “Seria a Alemanha? Seria a França? Seria o Reino Unido? É evidente que não seria o Reino Unido. E entre a Alemanha e a França, a Alemanha tem uma ministra dos Negócios Estrangeiros muito franca, [pelo que] teria havido, penso eu, mais dificuldades em torno de uma visita à Alemanha do que à França”, analisou. Além de que o Presidente francês, Emmanuel Macron, se deslocou no ano passado à China, recordou.

      No segundo dia de visita, a presidência francesa fez saber que Macron tinha discutido com o seu homólogo chinês questões relacionadas com os direitos humanos, em Paris, para onde também se deslocou a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen.

      Horas antes do encontro com Macron e Xi, a líder europeia tinha referido que a UE “não pode” continuar a aceitar avultadas subvenções chinesas, que causam concorrência desleal face a empresas europeias, vincando que os desequilíbrios comerciais “têm de ser resolvidos”.

      Por seu lado, Xi pediu ao chefe de Estado francês para que a guerra na Ucrânia não fosse usada para manchar a imagem de Pequim, considerando que tem desempenhado um “papel positivo” nas negociações de paz.

      A deslocação de cinco dias à Europa decorreu entre segunda e sexta-feira.

      À Lusa, a especialista analisou ainda como actualmente, muitos países com economias emergentes e de rendimento médio e recetores de “montantes substanciais de investimento chinês, tornaram-se muito mais cautelosos”.

      A cautela deve-se a estar em causa “exportação de mão-de-obra chinesa, normas ambientais com padrões não muito elevados, falta de avaliações de impacto social, falta de transparência nos contratos celebrados”, explicou.

      Elizabeth Economy referiu ainda protestos registados em países da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, “especialmente em África, na América Latina e no Sudeste Asiático”. “E assim, embora os líderes de muitos países vejam estes acordos como benéficos, com benefícios a curto prazo, a longo prazo nem sempre tem sido tão bom” devido a inúmeras questões.

      Contudo, sublinha, países mais autoritários poderão ver outros “benefícios políticos” nas parcerias com a China, como “acesso à tecnologia Huawei ou a outra tecnologia chinesa de informação e comunicação”, aproveitar a formação em cibersegurança ou em governação da Internet. Lusa

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      Redacção do Ponto Final Macau