Ambientalistas alertam para a protecção das aves aquáticas devido às chuvas

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FOTOGRAFIA EDUARDO MARTINS_ARQUIVO

Vários ambientalistas de Macau alertaram para o risco de os ninhos de aves aquáticas nas terras húmicas da Taipa serem inundados pelas chuvas intensas dos últimos dias, podendo matar os animais. O grupo ambientalista Chief of Macau Ecology solicitou às autoridades para monitorizar o nível da água e controlar a sua profundidade nas terras húmidas junto às Casas-Museu da Taipa.

Numa publicação feita no domingo nas redes sociais, a Chief of Macau Ecology recordou o caso em 2021 quando uma chuva intensa prolongada inundou vários ninhos de ave limícola Pernilongo e os ovos foram destruídos antes de abrir. Para o grupo, a situação é preocupante uma vez que as chuvas fortes vão continuar até ao final da próxima semana em Macau e o nível da água nas terras húmidas deverá subir rapidamente num curto período de tempo.

“Embora as aves adultas tenham pernas longas para se adaptarem ao nível da água, os seus ninhos são compostos de lama e plantas, e não flutuam. Sendo o período de incubação de cerca de 20 dias, a nossa análise aponta que os primeiros bebés saiam das cascas no início da próxima semana, mas existe a possibilidade de as crias e um grande número de ovos serem gravemente afectados pela subida repentina do nível da água”, explicou.

A equipa do grupo realizou uma monitorização das aves nessa zona nos últimos meses e descobriu que, entre Fevereiro e Março, foram registados mais de 16 ninhos de galinha-d’água e mais de 18 ninhos de ave limícola Pernilongo no local. “É raro encontrar tal densidade e abundância de nidificação para estas duas espécies em toda a área da Grande Baía”, afirmou o grupo.

Nesse sentido, os activistas de protecção ambiental sugerem que o Governo tome medidas para regular o controlo do nível da água a uma profundidade inferior a um metro para evitar a inundação dos ninhos. Segundo o grupo, é viável abrir a comporta no canto sudoeste das terras húmidas logo depois das chuvas intensas para deixar sair a água, bem como a utilização de equipamento de bombagem e do sifão.

A equipa lançou ainda um apelo para uma maior protecção dos raros colhereiros-de-cara-preta, cujo número registado em Macau tem sofrido uma diminuição acentuada nos últimos anos, tendo reduzido de 45, em 2021, 22, em 2022 e 21 no ano passado, para apenas 13 neste ano.