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      Início Grande China Chefe militar das Filipinas acusa China "de agressão” em águas disputadas

      Chefe militar das Filipinas acusa China “de agressão” em águas disputadas

       

      O chefe militar das Filipinas acusou ontem a China de estar a aumentar a agressão em águas disputadas, após navios da guarda costeira chinesa terem cercado e abalroado um barco de abastecimento filipino.

       

       

      As autoridades filipinas acusaram a China de uma escalada na agressão em águas disputadas. Pequim afirmou, entretanto, que as operações da sua guarda costeira durante a altercação registada no fim-de-semana, no mar do Sul da China, “foram legítimas e profissionais”.

      O chefe do Estado-Maior filipino, general Romeo Brawner Jr., contou que os navios chineses dispararam canhões de água e cercaram e abalroaram a embarcação filipina, mas sublinhou que as forças filipinas vão continuar a defender os interesses territoriais do país.

      Mais de 100 navios chineses e de alegadas milícias têm navegado em torno do contestado Scarborough Shoal, onde um navio da marinha filipina, há décadas visitado por Brawner, está parado. Brawner afirmou que a frota chinesa cresceu face aos meses anteriores.

      “É pura agressão”, disse Brawner sobre as manobras da China em alto mar. “Testemunhei a quantidade de vezes que os grandes navios da guarda costeira e da milícia chinesas cortaram o nosso caminho. Utilizaram canhões de água e abalroaram” navios filipinos.

      No domingo, a China alegou que quatro navios filipinos “tentaram enviar material de construção para um navio de guerra encalhado ilegalmente”, o que “violou gravemente a soberania chinesa”.

      A guarda costeira chinesa, que acusou um navio filipino de ter provocado um “pequeno embate”, “tomou medidas restritivas de acordo com a lei e os regulamentos” contra os navios do país insular, disse o porta-voz da guarda costeira Gan Yu, citado pelo jornal oficial Global Times. “A responsabilidade pelo embate é do lado filipino, que provocou intencionalmente os navios chineses”, disse Gan. O porta-voz avisou Manila para “parar imediatamente com violações e provocações”.

      Trata-se da segunda altercação entre Filipinas e China nas águas do mar do Sul da China, que Pequim reivindica quase na totalidade, apesar dos protestos dos países vizinhos, incluindo Malásia, Vietname, Taiwan e Brunei, além das Filipinas.

      “Isto precisa realmente de uma solução diplomática a um nível mais elevado”, disse Brawner. O responsável acrescentou que as “Forças Armadas filipinas vão continuar a executar a sua missão porque é legal e uma obrigação levar mantimentos às tropas filipinas na linha da frente”. “É a nossa obrigação proteger os nossos pescadores”, frisou.

      O responsável filipino juntou-se ao pessoal da marinha num barco de abastecimento com casco de madeira, o Unnaiza Mae 1, que levou presentes de Natal, alimentos e outros abastecimentos a um pequeno contingente de fuzileiros navais filipinos e pessoal da marinha, estacionados a bordo do navio Sierra Madre no Second Thomas Shoal, um recife submerso nas ilhas Spratly.

      Apesar de estar a desfazer-se em ferrugem e buracos, o Sierra Madre, ligeiramente inclinado, continua a ser um navio da marinha filipina em serviço activo, o que significa que qualquer ataque ao mesmo seria considerado um acto de guerra. O navio tornou-se um símbolo frágil das reivindicações territoriais das Filipinas no mar do Sul da China, uma via essencial para o comércio internacional.

      Depois de as Filipinas terem encalhado deliberadamente o Sierra Madre nos baixios do Scarborough Shoal, em 1999, a China cercou o atol com guarda costeira, marinha e alegados navios da milícia para isolar as forças filipinas.

      O impasse territorial, que dura há vários anos, tem-se acendido regularmente e tornou-se um dos pontos mais delicados no mar do Sul da China e mais uma fonte de tensão entre os EUA e a China.

      Os EUA têm avisado repetidamente que são obrigados a defender as Filipinas, o mais antigo aliado na Ásia, se as forças, navios ou aviões filipinos forem objecto de um ataque armado, incluindo no mar do Sul da China. Pequim avisou os EUA para não se intrometerem no que dizem ser uma disputa puramente asiática.

       

      FILIPINAS CONVOCA EMBAIXADOR CHINÊS APÓS INCIDENTES

       

      As Filipinas disseram ontem que apresentaram uma queixa diplomática e convocaram o embaixador chinês em Manila, Huang Xilian, devido a vários incidentes entre navios chineses e filipinos, em águas disputadas, durante o fim de semana.

      A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros das Filipinas, Teresita Daza, afirmou, em conferência de imprensa, que os navios chineses utilizaram canhões de água contra navios filipinos no sábado e no domingo, em águas que Manila considera estarem dentro da sua zona económica exclusiva. A porta-voz classificou o incidente como uma “violação do Direito internacional”.

      “A utilização de canhões de água pela China é uma acção grave contra navios filipinos que realizam actividades legítimas na zona. Estas acções violam a soberania e a jurisdição das Filipinas e constituem uma ameaça à paz, à boa ordem e à segurança”, afirmou Daza. A porta-voz filipina disse que o trabalho de abastecimento realizado pelos navios filipinos ocorreu dentro da zona económica exclusiva das Filipinas.

      Daza recordou que o Tribunal de Arbitragem de Haia decidiu a favor das Filipinas em 2016 no seu litígio de soberania com Pequim sobre o atol e outras ilhas no Mar do Sul da China.

       

      EUA ACUSAM PEQUIM DE “ACÇÕES PERIGOSAS E ILEGAIS”

       

      Os Estados Unidos pediram a Pequim que ponha fim ao comportamento “perigoso e desestabilizador” no mar do sul da China, depois de um navio da guarda costeira chinesa ter abalroado um navio filipino.

      Os EUA demonstraram apoio às Filipinas “face a estas acções perigosas e ilegais”, indicou o porta-voz Matthew Miller, numa declaração do Departamento de Estado norte-americano, divulgada no domingo.

      Miller defendeu que navios da China “usaram canhões de água e [realizaram] manobras imprudentes”, causando “danos aos navios” das Filipinas, ao largo de Scarborough, um recife controlado por Pequim ao largo da ilha filipina de Luzon, no sábado, e novamente perto de Second Thomas, um atol nas ilhas Spratly, no domingo.

      “Os navios da República Popular da China no recife de Scarborough também usaram dispositivos acústicos, incapacitando tripulantes filipinos e afastando barcos de pesca filipinos”, acrescentou na mesma nota.

      “Estas acções reflectem não apenas um desrespeito imprudente pela segurança e pelos meios de subsistência dos filipinos, mas também pelo direito internacional” para “minar a estabilidade regional”, afirmou.

      O Departamento de Estado norte-americano lembrou que, de acordo com uma “decisão juridicamente vinculativa” de um tribunal internacional emitida em Julho de 2016, a China não tem “reivindicações marítimas legais” sobre as águas em torno de Second Thomas e que os filipinos têm direitos de pesca tradicionais nos arredores.

       

      Ponto Finalhttps://pontofinal-macau.com
      Redacção do Ponto Final Macau