China realiza conferência financeira para tentar relançar economia

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Os líderes da China iniciaram ontem, em Pequim, uma reunião para discutir formas de atenuar a crise no mercado imobiliário, criar empregos para milhões de jovens desempregados e estimular o crescimento económico.

 

A Conferência Nacional sobre o Trabalho Financeiro, que se realiza a cada cinco anos, deve também servir para reforçar o controlo do líder chinês, Xi Jinping, sobre o sector financeiro do país.

Na semana passada, Pequim anunciou planos para emitir um bilião de yuans (cerca de 312 mil milhões de euros) em obrigações, visando financiar a construção de infraestruturas e planos para prevenção de catástrofes.

Ao aumentar o défice, Pequim está a tentar contrariar o abrandamento económico suscitado por uma crise de liquidez no sector imobiliário.

Segundo os economistas, o desafio para Pequim consiste em encontrar formas de garantir um crescimento sustentável e equilibrado, enquanto reduz os altos níveis de endividamento dos construtores, administrações locais e bancos regionais.

A reunião, que se realiza à porta fechada, vai abordar essas reformas a longo prazo, disse Takehiko Nakao, antigo presidente do Banco Asiático de Desenvolvimento, citado pela televisão estatal CGTN. “De um modo geral, o setor financeiro da China tem feito progressos, mas neste momento enfrenta também desafios”, afirmou Nakao, referindo que, embora as reformas a longo prazo estejam provavelmente na ordem do dia, os problemas mais imediatos, como o setor imobiliário, são a prioridade. A última conferência de trabalho financeiro realizou-se em 2017.

A morte súbita, na semana passada, do antigo primeiro-ministro Li Keqiang, um economista fluente em inglês que representava uma geração de políticos formados numa época de maior abertura às ideias liberais ocidentais, foi vista por muitos observadores como um símbolo da mudança para um modelo no qual o Partido Comunista exerce maior controlo.

Li tinha sido afastado durante uma mudança de liderança no ano passado. Desde então, Xi procedeu a uma profunda remodelação das posições de liderança económica e financeira e criou uma entidade denominada Comissão Financeira Central, vista como uma iniciativa para cooptar e enfraquecer outras entidades reguladoras, como a Comissão Reguladora de Títulos da China.

Na semana passada, Xi visitou o Banco do Povo da China (banco central), um passo raro que sublinha a consolidação do controlo do Partido sobre os mercados e as instituições financeiras.

O recém-nomeado ministro das Finanças, Lan Fo’an, terá pela frente um desafio considerável, dado que os altos níveis de endividamento das autoridades locais coincidem com a queda das receitas provenientes das concessões de terrenos, uma das suas principais fontes de financiamento.

Embora a economia da China, a segunda maior do mundo, se tenha expandido a um ritmo anual de 4,9% nos primeiros nove meses do ano, próximo da meta do governo de cerca de 5%, o Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou para o facto de as dívidas das administrações locais terem subido para níveis perigosos, elevando o nível da dívida pública total para quase 150% do PIB do país.

As vendas a retalho e outros serviços recuperaram desde que a China aboliu as rígidas medidas de prevenção contra a covid-19, no final do ano passado, mas a taxa de desemprego dos jovens ultrapassou os 20% no início deste ano e a procura ainda não recuperou totalmente.

Enquanto as autoridades se reúnem em Pequim, um tribunal de Hong Kong adiou para 4 de dezembro uma audiência de liquidação da construtora Evergrande, que entrou em incumprimento após as autoridades restringirem o acesso ao crédito.

Com um passivo equivalente a cerca de 300 mil milhões de euros, a Evergrande é a maior de dezenas de construtoras que entraram em incumprimento. A Country Garden, outra grande construtora, não cumpriu na semana passada o prazo para pagar os juros de uma obrigação emitida em dólares. A empresa, sediada na cidade de Foshan, no sul da China, tinha cerca de 187 mil milhões de dólares (177 mil milhões de euros) em dívidas em Junho. Lusa