Universidade de Macau desenvolve nanossonda para terapia tumoral  

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Mais uma boa notícia na luta contra o cancro. Uma equipa de investigadores de Macau e da China continental fizeram progressos significativos no desenvolvimento de uma nanoplataforma fototeranóstica activada por microambiente tumoral. A descoberta pode alcançar um diagnóstico de tumor sensível e específico, e o efeito terapêutico antitumoral sinérgico. Os resultados da investigação do projecto, financiado pelo Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico da RAEM, pelo Programa Chave Nacional de I&D da China e pela UM, foram publicados na revista internacional Small.

 

Uma equipa de investigação liderada por Zhao Qi, professor associado da Faculdade de Ciências da Saúde (FHS) da Universidade de Macau (UM), e uma equipa liderada por Shen Qingming, professor da Escola de Telecomunicações e Engenharia de Informação da Universidade de Nanjing, fizeram progressos significativos no desenvolvimento de uma nanoplataforma fototeranóstica activada por microambiente tumoral (TME) na segunda janela de infravermelho próximo (NIR-II, 1000-1700nm), anunciou a UM em comunicado.

Os cientistas conseguiram fabricar uma nanossonda activada através de uma estratégia simples de automontagem orientada por coordenação, que pode alcançar um diagnóstico de tumor sensível e específico e o efeito terapêutico antitumoral sinérgico, acrescentou a instituição de ensino superior, revelando ainda que os resultados da investigação foram publicados na revista internacional Small.

Na verdade, e em linguagem científica, os fototeranósticos NIR-II “mostraram grandes perspectivas em teranósticos tumorais devido à absorção e dispersão de fótons deprimidos por amostras biológicas e podem alcançar penetração tecidual mais profunda e maior exposição máxima permissível a lasers”. No entanto, a maioria das sondas NIR-II actuais “estão num modo ‘sempre ligado’, que emite sinais de fluorescência invariáveis em lesões e tecidos normais devido aos seus efeitos inespecíficos”. Esse modo de sinal ‘sempre ligado’ “pode levar a uma baixa taxa de sinal de tumor para tecido normal, sensibilidade e especificidade limitadas e até mesmo resultados ‘falsos positivos’”.

A equipa de cientistas das duas universidades sublinhou que “o diagnóstico e tratamentos inespecíficos podem causar danos irreversíveis aos tecidos normais durante o período teranóstico fora do alvo”.

Explica ainda a equipa de académicos que “algumas sondas fototeranósticas NIR-II activáveis foram fabricadas para distinguir com precisão as lesões dos tecidos normais em resposta ao TME”. Apesar da excelente especificidade diagnóstica, consideram, “as actuais sondas NIR-II activáveis são limitadas principalmente por etapas complexas de síntese química”. Além disso, para fornecer o fluoróforo, necessário à experiência, “pode ser necessário introduzir componentes em excesso, o que pode causar alguns efeitos colaterais do excipiente”. Portanto, é altamente desejável desenvolver um método fácil para fabricar sistemas fototeranósticos NIR-II activáveis por TME para melhorar a especificidade do diagnóstico e a eficácia terapêutica para tumores.

Posto estas condicionantes, os cientistas desenvolveram uma nanoplataforma fototeranóstica activada por TME (AFD NPs) baseada no princípio da transferência de energia de ressonância de Förster (FRET). “Os AFD NPs são fabricados por meio da automontagem de Ag2S QDs (sonda de fluorescência NIR-II) e pontos de polímero semicondutor ultrapequeno (DBZ Pdots, extintor de fluorescência NIR-II) utilizando Fe (III) como nós de coordenação”, pode ler-se no comunicado.

Em tecidos normais, refere ainda a equipa de investigação, “os AFD NPs mantêm-se em modo ‘off’, devido ao FRET entre Ag2S QDs e DBZ Pdots”. No entanto, sugerem, “o sinal de fluorescência NIR-II de AFD NPs pode ser rapidamente ‘ligado’ pela glutationa superexpressa (GSH) em tecidos tumorais, resultando em proporção de sinal tumor-para-tecido normal (T/NT) significativamente aumentada para tumor específico diagnóstico”. Além disso, os Pdots liberados e os íons Fe(II) reduzidos fornecem terapia fototérmica NIR-II (PTT) e terapia quimiodinâmica (CDT), respectivamente. “A depleção de GSH e o efeito NIR-II PTT agravam ainda mais o dano oxidativo mediado por CDT em relação aos tumores, alcançando o efeito terapêutico antitumoral sinérgico. O trabalho fornece uma estratégia promissora para o desenvolvimento de nanossondas fototeranósticas NIR-II ativadas por TME”, apontam.

Zhao Qi e Shen Qingming são os autores correspondentes do estudo, e Dai Yeneng, pós-doutorado da UM, é o primeiro autor. O projecto foi financiado pelo Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico da RAEM, pelo Programa Chave Nacional de I&D da China e pela UM.