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      Residentes de Hong Kong fazem todos os dias fila durante horas para homenagear rainha

      Centenas de residentes de Hong Kong fazem fila em frente ao Consulado Geral Britânico durante horas, todos os dias, para prestar homenagem à rainha Isabel II, deixando pilhas de flores e notas manuscritas.

       

      Alguns habitantes de Hong Kong estão nostálgicos pelo que consideram ser uma “era dourada” passada sob o regime colonial britânico não inteiramente democrático, quando a cidade de cerca de sete milhões de pessoas ganhou o estatuto de centro turístico e financeiro mundial. A rainha é apelidada de “si tau por” em Hong Kong. No dialeto cantonês local traduz-se por “patroa”.

      “Costumávamos chamar-lhe ‘si tau por’ quando estávamos sob o seu domínio. É simplesmente uma forma de mostrar respeito por ela. Havia um sentimento de bondade da parte dela, não é o tipo de chefe que está acima de si”, disse CK Li, uma residente que fez fila durante mais de duas horas para prestar a homenagem a Isabel II.

      Outro residente, Eddie Wong, de 80 anos, disse que estava lá “por verdadeiros sentimentos” do seu coração. “As pessoas em Hong Kong amam-na”, disse Wong. “Porque quando estávamos sob o seu domínio, desfrutávamos de democracia e liberdade e estávamos muito gratos. Quero despedir-me de ‘si tau por’, que está no céu”.

      Ao recuperar a soberania do território a 1 de Julho de 1997, a China prometeu deixar intactas as liberdades civis e instituições ao estilo ocidental de Hong Kong durante pelo menos 50 anos. Muitos criados no antigo território cresceram na esperança de liberdades ainda maiores. Mas após meses de protestos antigovernamentais em 2019, Pequim impôs à cidade uma dura lei de segurança nacional, procurando acabar com a dissidência pública.

      Jornais considerados demasiado críticos de Pequim foram forçados a fechar e dezenas de ativistas foram detidos. Os protestos em massa terminaram. Dezenas de milhares de residentes de Hong Kong escolheram emigrar para o Reino Unido e outros lugares, como Taiwan.

      Até ao momento, as autoridades permitiram que continuassem as demonstrações ordenadas e sombrias de respeito. “Imagino que algumas pessoas vão para lá não tanto por razões de nostalgia, mas como uma espécie de protesto, agora que a dissidência é suprimida”, disse John Burns, professor honorário de política e administração pública na Universidade de Hong Kong. “Algumas pessoas, por exemplo, que concordam com o tipo de valores universais que o Reino Unido representa, e que foram incorporados na nossa Declaração de Direitos no final do colonialismo, podem participar nisto como forma de protesto”, disse Burns.

      As emoções em Hong Kong estão em alta, disse Emily Lau, ex-presidente do Partido Democrático e ex-deputada, dada a situação política da cidade e de prevenção pandémica. “Há quem seja genuinamente nostálgico e tenha sentimentos sentimentais pela Rainha, mas também há pessoas que têm queixas sobre a situação atual em Hong Kong”, disse. “Não podemos excluir que alguns tenham aproveitado esta ocasião para expressar isso”, afirmou Lau.

      Ao mesmo tempo, figuras públicas em Hong Kong estão a ser escrutinadas sobre a sua resposta à morte da rainha, e a atrair críticas se forem vistas como demasiado admiradoras do seu reinado ou do domínio britânico em geral.

      Nas redes sociais chinesas choveram críticas ao veterano actor Law Kar-ying por este ter publicado uma fotografia no exterior do Consulado Britânico no Instagram com uma legenda que inclui a frase: “Hong Kong foi uma terra abençoada sob o seu reinado”. Criticado duramente por atribuir a prosperidade de Hong Kong ao domínio britânico, Law apagou a publicação e divulgou um vídeo de desculpas na rede social Weibo. “Eu sou chinês e amarei para sempre a minha pátria”. Sinto muito”, escreveu.

      Nem todos os habitantes de Hong Kong são sentimentais em relação ao domínio britânico. Alguns ressentem-se da decisão de Londres de não lhes conceder a cidadania britânica plena, aquando da entrega do território à China. “Os britânicos retiraram os direitos aos nascidos em Hong Kong antes de 1997. Eles não protegeram esses direitos”, disse Leslie Chan, que adiantou não ter planos para mostrar o seu respeito à rainha “Quando o governo britânico discutiu com a China sobre o futuro de Hong Kong, os habitantes de Hong Kong foram afastados da discussão”, lamentou.

       

      CAIXA 1

       

      Vice-presidente chinês assistirá ao funeral

       

      O vice-presidente chinês Wang Qishan participará no funeral da Rainha Isabel II, anunciou o Ministério dos Negócios Estrangeiros. “A convite do governo britânico, o representante especial do Presidente Xi Jinping, vice-presidente Wang Qishan, comparecerá ao funeral da Rainha Isabel II, que será realizado em Londres em 19 de Setembro”, disse Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, em comunicado à imprensa. Cerca de 2.000 convidados, incluindo várias centenas de líderes mundiais, famílias monárquicas, mas também pessoas anónimas condecoradas pelos seus compromissos associativos, participarão na cerimónia.

       

       

      CAIXA 2

       

      Delegação chinesa proibida de entrar no Palácio de Westminster

       

      Uma delegação do Governo chinês foi na sexta-feira impedida de entrar no Palácio de Westminster, a sede do Parlamento Britânico, onde o corpo de Isabel II se encontra em câmara ardente, informou a estação televisiva BBC. A presidente da Câmara dos Comuns, Lindsay Hoyle, rejeitou o pedido da delegação chinesa, que ia prestar homenagem a Isabel II, devido às sanções que o país asiático impôs contra cinco deputados e dois lordes britânicos, de acordo com a mesma fonte.  No ano passado, a China impôs sanções a viagens e congelou os ativos de nove britânicos – incluindo sete parlamentares – que acusaram Pequim de violar os direitos de membros da minoria étnica chinesa de origem muçulmana uigur, na região de Xinjiang. O embaixador chinês no Reino Unido foi já proibido de entrar no Parlamento. A proibição estendeu-se agora à delegação chinesa, que quis prestar homenagem à rainha na capela funerária.

      Ponto Final
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      Redacção do Ponto Final Macau