O “País do Meio” ocupa um lugar modesto no ranking muito por culpa das tensões com Taiwan e os problemas no Mar da China Meridional e Oriental, especialmente com as Filipinas. A forma como a Pequim trata a sua população minoritária uigur também afecta a fraca posição no ranking concebido pelo Instituto para a Economia e Paz. Portugal ocupa a quarta posição e é o melhor país da esfera lusófona.
A República Popular da China ocupa a 100.ª posição no Índice Global da Paz que, anualmente, o Instituto para a Economia e Paz (IEP) anuncia. Numa lista de 163 países, Pequim surge numa posição pouco abonatória devido, essencialmente, a três factores: crescentes tensões com Taiwan, problemas no Mar da China Meridional e Oriental, especialmente com as Filipinas, e a forma como lida com a sua população minoritária uigur na província de Xinjiang, refere, em análise, o relatório tornado público esta semana.
Taiwan levou a uma deterioração do indicador de relações com os países vizinhos. Essas tensões aumentaram com a introdução da Lei da Guarda Costeira da China em Fevereiro de 2021, que permitiu o uso de “todos os meios necessários” para impedir ameaças representadas por embarcações estrangeiras em águas “sob a proteção da China”. Isso levou a um aumento da tensão em todo o Mar da China Meridional e Oriental, especialmente com as Filipinas. Outros países levantaram preocupações sobre o tratamento da China à sua população minoritária uigur, com crescentes pedidos internacionais para que esse tratamento seja classificado como genocídio.
Em contraponto, Portugal ocupa a quarta posição da lista – desceu dois lugares em comparação com 2020 – e é o melhor colocado do universo lusófono. Em 2021, Portugal amealhou 1.267 pontos, numa escala em que quanto mais baixa for a pontuação mais pacífico é o país. Timor-Leste ficou na 56.ª posição e é o segundo país de língua portuguesa melhor classificado. Segue-se a nova coqueluche do Fórum de Macau, Guiné-Equatorial (62.º lugar), Angola (80.º), Guiné-Bissau (99.º), Moçambique (103.º) e Brasil – que caiu 32 posições desde 2008 – (128.º). Cabo Verde e São Tomé e Príncipe não constam do ranking.
A Islândia mantém a posição de liderança desde o primeiro dia em que o IEP concebeu o Índice Global da Paz. A encerrar o pódio dos países mais pacíficos surge a Nova Zelândia em segundo lugar e a Dinamarca em terceiro. Tanto o país nórdico quanto a Áustria (na 6.ª posição) têm mostrado estabilidade e posições de relevo no ranking dos países mais pacíficos do mundo.
Para além da Nova Zelândia, os países fora da Europa melhor posicionados, são o Canadá (10.º), Singapura (11.º), o Japão (12.º), a Austrália (16.º) ou o Butão (22.º).
Com o conflito armado a acontecer na Ucrânia (143.º posição), a Rússia (154.º) é um dos países que se encontram na cauda do Índice Global da Paz, apesar desta edição não considerar a recente invasão. Sem grande surpresa, os últimos dez lugares da lista são ocupados, no pior para o melhor, por Afeganistão, Iémen, Síria, Sudão do Sul, Iraque, Somália, RD Congo, Líbia, República Centro-Africana e Sudão.
O Índice Global da Paz é elaborado desde 2008 pelo IEP, com sede em Sydney, na Austrália. Durante os últimos 15 anos, considera a entidade, “a classificação da paz, na maioria dos países, caiu em média 2%, mas 86 participantes melhoraram a situação”. Para conceber o ranking, o IEP avalia 23 indicadores, mas destaca três: o nível de segurança e protecção social, a extensão do conflito doméstico ou internacional em curso e o grau de militarização.
CAIXA
Índice Global de Paz (do país mais pacífico para o menos pacífico)
1.º – Islândia
2.º – Nova Zelândia
3.º – Dinamarca
4.º – Portugal
5.º – Eslovénia
6.º – Áustria
7.º – Suíça
8.º – Irlanda
9.º – Chéquia
10.º – Canadá
(…)
34.º – Taiwan
56.º – Timor-Leste
62.º – Guiné Equatorial
80.º – Angola
99.º – Guiné-Bissau
100.º – China
103.º – Moçambique
122.º – Estados Unidos da América
128.º – Brasil
143.º – Ucrânia
154.º – Rússia
(…)
163.º – Afeganistão













