Pequim apela a relação “mais saudável e estável” com a UE

0
49

O chefe da diplomacia chinesa pediu ontem uma relação “mais saudável e estável” com a União Europeia, numa altura de fricção, depois de Bruxelas ter imposto taxas adicionais sobre os veículos eléctricos importados da China.

 

“A Europa é muito importante para a diplomacia chinesa. Uma relação mais saudável e estável entre a China e a União Europeia está de acordo com os interesses fundamentais de ambas as partes e é o que o mundo espera”, disse Wang Yi, num discurso proferido durante o simpósio sobre a Situação Internacional e as Relações Externas da China, em Pequim.

O ministro dos Negócios Estrangeiros lembrou a viagem do Presidente chinês, Xi Jinping, à Europa este ano, onde visitou França e Hungria, ou “os intercâmbios estratégicos que teve com líderes de países como Alemanha, Reino Unido, Espanha e Itália”. “Nas reuniões bilaterais e multilaterais, a UE foi instada a encarar as relações numa perspetiva estratégica e de longo prazo”, afirmou.

Wang disse ainda que a UE deve “reforçar o diálogo e a cooperação com a China”. “Estamos dispostos a lidar corretamente com as diferenças com a UE, a procurar soluções, a apoiar conjuntamente o comércio livre e a defender conjuntamente o multilateralismo”, acrescentou.

Nos últimos meses, a China apelou para a resolução dos diferendos comerciais com a UE “através do diálogo e de consultas”. Este ano, a UE impôs taxas adicionais de até 35,3% sobre os veículos eléctricos importados da China.

O bloco tomou esta medida por considerar que, apesar da divisão entre os 27 países da UE, recebeu apoio suficiente na votação dos Governos da UE em outubro: cinco países opuseram-se às taxas, incluindo a Alemanha, dez apoiaram e 12 abstiveram-se. Pequim reagiu com medidas ‘antidumping’ provisórias sobre produtos como o brandy europeu e lançou investigações sobre as importações da UE, como os produtos lácteos e a carne de porco.

 

Pequim e Washington podem “alcançar grandes feitos” se cooperarem

 

A China e os Estados Unidos podem “alcançar grandes feitos” se cooperarem, afirmou ontem o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, a poucas semanas da tomada de posse de Donald Trump como líder norte-americano.

Iniciativas como o diálogo sobre questões financeiras e a luta contra a droga “provam perfeitamente que, desde que a China e os Estados Unidos cooperem, podemos alcançar muitas coisas grandes”, disse o ministro, numa conferência de imprensa, em Pequim.

As relações entre as duas maiores potências mundiais deterioraram-se nos últimos anos devido a diferendos no comércio ou sobre o estatuto de Taiwan, cuja soberania é reivindicada por Pequim.

Na semana passada, as autoridades taiwanesas afirmaram que a China realizou os maiores exercícios militares no mar em torno da ilha em vários anos, mas Pequim não confirmou. Washington defende oficialmente o status quo no Estreito de Taiwan, mas é o principal fornecedor de armas de Taipé, o que irrita Pequim. A política da China em relação aos Estados Unidos “não mudou”, sublinhou Wang Yi.

A China “defende a estabilidade global” nas relações entre as duas grandes potências, mas “opõe-se firmemente à agressão ilegal e irracional dos Estados Unidos, em particular à sua interferência grosseira em questões relacionadas com os assuntos internos da China, como Taiwan”, reiterou. “Devemos reagir com firmeza e vigor, defender resolutamente os nossos próprios direitos e interesses legítimos e salvaguardar as normas fundamentais das relações internacionais”, insistiu o chefe da diplomacia chinesa.

Com a tomada de posse do Presidente eleito dos EUA, Donald Trump, a 20 de janeiro, Wang Yi disse que “espera que a nova administração dos EUA faça as escolhas certas, trabalhe com a China na mesma direção, elimine quaisquer perturbações, ultrapasse obstáculos e esforce-se por alcançar um desenvolvimento estável, saudável e sustentável das relações China-EUA”.

 

 

MNE chinês diz que Pequim vai ajudar “a proteger” soberania da Síria

 

O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, afirmou também que Pequim “vai ajudar a Síria a proteger a soberania” e defendeu que os sírios “devem liderar” o processo aberto após a queda do regime de Bashar al-Assad. Wang garantiu, no discurso no simpósio sobre a Situação Internacional e as Relações Externas da China, que o país asiático “vai continuar a apoiar o povo sírio”. O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês manifestou também a oposição a que “as forças terroristas aproveitem a oportunidade para criar o caos” no meio da “mudança súbita” registada este mês na Síria.

O diplomata chinês já tinha pedido, na semana passada, que se “evite a fragmentação na Síria” e se “respeite a soberania dos países da região”. Sobre o conflito israelo-palestiniano, Wang lamentou que “o conflito em Gaza tenha custado a vida a demasiados civis” e disse “ser imperativo” um cessar-fogo no enclave palestiniano.

O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês pediu também para que “a assistência humanitária seja assegurada como uma prioridade máxima e a solução de ‘dois Estados’ seja alcançada, como forma fundamental de avançar”. “Continuaremos a fazer esforços incessantes para alcançar uma solução abrangente, justa e duradoura para a questão palestiniana”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros.

No ano passado, Pequim manifestou o apoio a uma solução de dois Estados para o conflito israelo-palestiniano e declarou consternação face aos ataques israelitas contra civis. Lusa