“Não se espera que o actual aumento na China tenha um impacto significativo na situação epidemiológica da covid-19 na região europeia”, disse o director regional da Organização Mundial de Saúde (OMS), Hans Kluge, numa conferência de imprensa ‘online’. Kluge pediu ainda aos países europeus que tomem medidas “proporcionais e não discriminatórias” em relação aos viajantes da China.
Vários países, incluindo Portugal, Estados Unidos, Japão, França e Alemanha, passaram a exigir teste negativo a viajantes provenientes da China e outros desaconselharam viagens desnecessárias à China.
Na semana passada, a União Europeia incentivou os seus estados membros a imporem uma triagem na China, antes do voo, complementando o teste negativo com “testes aleatórios” na chegada a solo europeu. “Não é razoável que os países tomem medidas de precaução para proteger as suas populações, enquanto esperamos informações mais detalhadas” da China, pois “essas medidas devem ser cientificamente justificadas”, afirmou Kluge.
Segundo a OMS, os 53 países da região que se estende até a Ásia Central, graças principalmente ao alto índice de vacinação, estão bem protegidos para lidar com a covid. “No início de 2023, a região (…) apresenta realmente uma posição muito boa. Temos uma forte proteção populacional, em parte graças às ondas de contágio natural que ocorreram, mas acima de tudo graças a uma excelente adesão geral à vacinação”, disse Catherine Smallwood, gestora de emergência da OMS Europa.
No entanto, segundo a organização, é importante manter um alto nível de vigilância. “Após três longos anos de pandemia, quando muitos países lutam com sistemas de saúde sobrecarregados, escassez de medicamentos essenciais e uma força de trabalho de saúde exausta, não podemos dar-nos ao luxo de colocar mais pressão nos nossos sistemas de saúde”, insistiu Kluge.
“Essa ameaça pode vir de uma nova variante preocupante, em qualquer lugar, a qualquer hora – inclusive aqui na Europa e na Ásia Central. Com base nas lições aprendidas, precisamos de ser capazes de antecipar, detectar e reagir a tempo”, acrescentou. Várias províncias e cidades da China anunciaram que a onda de infecções por covid-19 atingiu já o seu pico, incluindo Henan (centro), Jiangsu (leste), Zhejiang (sudeste), Guangdong (sul) e Sichuan (oeste).
PROVÍNCIAS DA CHINA AFIRMAM TER ULTRAPASSADO O PICO DE INFEÇÕES
O prefeito de Pequim, Yin Yong, disse, em entrevista à televisão estatal CCTV, que a cidade superou o pico de infecções e que foi alcançada uma “nova imunidade”, embora tenha reconhecido que a cidade ainda enfrenta uma “tarefa difícil” no tratamento de casos graves.
As autoridades de outras cidades como Chongqing, no centro, garantiram que o número de internamentos hospitalares devido à covid-19 “diminuiu drasticamente a partir de 20 de Dezembro”, e que o município ultrapassou o pico de infecções entre 12 e 23 de Dezembro, de acordo com o jornal oficial Global Times. No entanto, especialistas chineses esperam que o vírus atinja agora áreas rurais, durante o feriado do Ano Novo Lunar, a maior migração anual do mundo, e que este ano se realiza entre 21 e 27 de Janeiro.
Centenas de milhões de trabalhadores migrantes vão retornar às suas terras natais para passar as férias com as famílias, o que “acelerará a propagação da epidemia”, segundo os cientistas.
De acordo com a agência noticiosa oficial Xinhua, no total, foram realizadas 34,7 milhões de viagens no último sábado, o primeiro dia de um período de 40 dias em que centenas de milhões de chineses regressam às respetivas terras natais para celebrar o Ano Novo Lunar, a principal festa das famílias chinesas. Aquele número representa um aumento de 38,2%, em relação a 2022.
Em meados de Dezembro, o Conselho de Estado (Executivo) pediu já aos governos locais que dessem prioridade aos serviços de saúde nas zonas rurais “para proteger a população”, apontando “a relativa escassez de recursos de saúde” e a elevada mobilidade durante as férias.
A rápida propagação do vírus em todo o país lançou dúvidas sobre os números oficiais, que relataram apenas um punhado de mortes recentes pela doença, apesar de localidades e províncias estimarem que uma proporção significativa das suas populações – em alguns casos, até 90% – ter já sido infectada.
Lusa













