Edição do dia

Terça-feira, 25 de Junho, 2024
Cidade do Santo Nome de Deus de Macau
chuva moderada
34.3 ° C
34.3 °
34.3 °
77 %
6.1kmh
90 %
Ter
34 °
Qua
30 °
Qui
30 °
Sex
30 °
Sáb
30 °

Suplementos

PUB
PUB
Mais
    More

      EDITORIAL

      Há 33 anos, o ayatollah Khomeini decretou uma fatwa contra o escritor Salman Rushdie, tentando puni-lo pela escrita de Os Versículos Satânicos, livro que o líder religioso iraniano preferia ver queimado. Desde então, o escritor indiano passou a viver sob protecção e o tempo foi-se encarregando de nos fazer esquecer a ameaça de morte feita por causa de palavras escritas num livro. Agora, Salman Rushdie foi esfaqueado em Nova Iorque por um homem incomodado pelas suas palavras relativamente à religião. Rushdie sobreviveu e as notícias mais recentes dizem que está a recuperar – a saúde e o sentido de humor que, de acordo com o seu filho, está tão acutilante como antes do atentado. Felizmente. Sabemos que os que acham que o humor é coisa perniciosa continuarão a pregar contra o riso, e que os que acreditam em silenciar quem escreve (e fala e pensa) sobre temas ditos sensíveis não deixarão de decretar fatwas, censuras, apagamentos vários e com diferentes requintes. Não passarão. A liberdade de expressão é demasiado valiosa para a oferecermos sem luta aos fundamentalistas, autoritários e candidatos a tiranos desta vida. Não é heroísmo nem romantismo, é mesmo não haver outro modo de viver de modo decente numa comunidade que respeite os direitos humanos.

      Estamos perto de assinalar o 80º aniversário de um dos dias mais tenebrosos da história recente, aquele em que os Estados Unidos lançaram duas bombas atómicas sobre o Japão, destruindo Hiroshima, Nagasaki e a inocência generalizada de acreditar que quem detém armas o faz apenas para uma eventual defesa. Conversámos com Didier Alcante, um dos argumentistas de A Bomba (co-assinada também por Laurent-Frédéric Bollée e o desenhador Denis Rodier), um imenso livro de banda desenhada que a Gradiva agora publica em português, sobre as muitas histórias e conflitos que se cruzaram naquele dia fatídico. E também sobre as heranças que esse dia nos deixou.

      Em foco nesta edição, o novo livro de Ana Cristina Alves, Cultura Chinesa – Uma Perspectiva Ocidental, percurso bem documentado por alguns dos aspectos mais interessantes da China, da sua história e da sua cultura. Como sempre, há espaço para a crítica, para o conto e para as crónicas dos nossos colaboradores habituais. Regressamos em Outubro, com mais livros e leituras.