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      InícioCategorias do ParágrafoCulturaUniversidade de Macau, pioneira neste amplo mundo novo de Hengqin

      Universidade de Macau, pioneira neste amplo mundo novo de Hengqin

      Foi há oito anos que a Universidade de Macau (UM) se deslocou para Hengqin. Numa altura em que se aposta cada vez mais na Ilha da Montanha, a instituição foi pioneira. Na altura, a mudança foi radical: O tamanho do campus aumentou 20 vezes, o que deu espaço para a instalação de melhores laboratórios, mais salas de aula, instalações desportivas e de lazer, biblioteca e residências para alunos e docentes. As opiniões de quem fez parte da transição para Hengqin são unânimes: a amplitude do novo campus trouxe vários benefícios à instituição, aos estudantes, aos docentes e a Macau.

      Foi só no ano passado que foram revelados os planos para a construção de uma Zona de Cooperação Aprofundada de Guangdong-Macau em Hengqin. No entanto, a Universidade de Macau (UM) instalou-se na Ilha da Montanha há oito anos. Em comparação com o antigo campus, na Taipa, o novo campus trouxe espaço, que acabou por ser usado para fazer a instituição crescer.

      A mudança da UM para Hengqin foi anunciada em meados de 2008 por Edmund Ho, à data Chefe do Executivo da RAEM e o ano de 2009 foi um marco importante na história da UM. Na altura, o Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional aprovou oficialmente um projecto de lei que propunha autorizar a RAEM a exercer jurisdição sobre o novo campus da universidade localizado na Ilha de Hengqin, uma vez finalizada a sua construção.

      No lançamento das obras do novo campus, em Dezembro de 2009, os líderes do Governo Central e do Governo da RAEM atribuíram à UM uma missão: fazer da instituição uma universidade de nível internacional. O então Presidente da República Popular da China, Hu Jintao, presidiu à cerimónia do lançamento da primeira pedra do novo campus, que foi inaugurado em 2013, sendo que a mudança para o novo campus foi concluída em 2014. Foi no ano lectivo de 2014/2015 que todas as aulas da UM passaram a ser lecionadas em Hengqin. Em 2014, Xi Jinping visitou a instituição.

      OS NÚMEROS IMPONENTES DO NOVO CAMPUS

      O campus da Ilha da Montanha tem 1,09 quilómetros quadrados, 20 vezes mais do que o antigo campus da Taipa. É composto por uma área de construção de 820.000 metros quadrados e mais de 60 edifícios. Há um túnel subaquático que liga directamente a universidade a Macau. Em Agosto de 2020 entrou também em funcionamento o novo posto fronteiriço de Hengqin, que liga Macau à Ilha da Montanha. Está prevista, recorde-se, a construção de uma ponte que vai permitir o acesso directo da UM ao novo posto fronteiriço de Hengqin e por onde poderão circular veículos directamente entre o campus e a Ilha da Montanha. Está prevista a conclusão da obra no próximo ano.

      Ao longo dos anos, o número de alunos matriculados na UM passou de algumas centenas quando a universidade foi fundada, para contar agora com quase 12 mil. A universidade espera ter cerca de 15 mil alunos em 2027.

      A Biblioteca Wu Yee Sun tem uma área de 32 mil metros quadrados e tem a capacidade de armazenar um milhão de cópias de livros. Segundo dados da universidade, actualmente a biblioteca tem 850 mil volumes de livros. A biblioteca guarda também 800 mil ‘e-books’ e cerca de 13 milhões de testes em formato electrónico.

      A UM tem também uma base de investigação científica com mais de 120 mil metros quadrados, divididos por quatro laboratórios focados principalmente na medicina tradicional chinesa, electrónica e tecnologia da informação, física aplicada e engenharia de materiais, protecção de energia e ambiental e ciências da saúde. Ali, estão instalados dois laboratórios de referência da China. As novas instalações compreendem ainda uma dezena de colégios residenciais para alunos de licenciatura e uma residência de pós-graduação para alunos de mestrado e doutoramento. No total, há espaço para quase oito mil alunos nas residências.

       

      RUI MARTINS JÁ OLHA PARA O FUTURO 

      Rui Martins, vice-reitor da UM, lembra, ao PONTO FINAL, o processo de transição da instituição para a Ilha da Montanha, dizendo que inicialmente gerou dúvidas “devido à dimensão e natureza do projecto. Dúvidas, essas, que se “dissiparam quando se compreendeu melhor a proposta”.

      O responsável da UM assinala também o salto qualitativo que o espaço de Hengqin trouxe à instituição. Rui Martins dirige o Laboratório de Referência da Electrónica, que passou de um espaço de 300 metros quadrados para 3.000 metros quadrados. “Houve também uma mudança significativa em termos de orçamento, que nos permitiu melhor equipar o laboratório e recrutar mais jovens académicos qualificados, o que proporcionou assumirmos uma dimensão internacional através da elevação do nosso nível de competitividade para o topo mundial nesta área, mas também noutras”, destaca.

      Recorde-se que, neste momento, a UM está classificada na gama 201-250 do ranking universitário mais prestigiado a nível mundial da Times of Higher Education, assim como na posição 26 entre as universidades mais jovens – com menos de 50 anos – e na posição 38 na Ásia. “Tais posições não teriam sido possíveis de alcançar sem um campus desta dimensão”, comenta Rui Martins.

      “As condições, em termos de ensino e nomeadamente nas salas de aula e equipamentos que os alunos têm à sua disposição e na área da investigação, não são comparáveis”, recorda o vice-reitor da instituição.

      Mas a UM quer mais. Para acomodar os 15 mil estudantes que se esperam em 2027, é necessário recrutar mais docentes, diz Rui Martins, acrescentando que está prevista ainda a construção de um novo edifício residencial. Para os alunos de licenciatura estão também a decorrer obras de ampliação nalguns dos colégios residenciais. Para o alojamento dos novos docentes estão também a decorrer obras nos actuais edifícios residenciais ainda não ocupados que permitam o seu acolhimento.

       

      GLENN TIMMERMANS ELOGIA “INSTALAÇÕES EXCEPCIONAIS”, MAS CRITICA ISOLAMENTO DO CAMPUS

      Glenn Timmermans, professor da Faculdade de Letras, começou a leccionar na UM em 2001. Para ele, a transição para Hengqin fez-se com um sentimento agridoce, uma vez que, na sua opinião, podia ter-se ampliado o antigo campus da Taipa “sem alarido e sem as despesas de construção relativas à mudança”. Ainda assim, nota que há “pontos positivos óbvios” na mudança: “A grande vantagem é que agora parece-se muito mais com um campus universitário, muitos estudantes vivem na faculdade e a expansão trouxe cada vez mais estudantes do continente para Macau e também estudantes de outras partes da Ásia, sobretudo da Malásia, penso que isso contribuiu muito para elevar os padrões na Universidade”.

      Também Timmermans aponta para as “instalações excepcionais” quando questionado sobre os benefícios desta mudança, e dá o exemplo da “biblioteca muito moderna, salas de aula e salas de conferências bem equipadas”. “Tudo isto contribui para um sentimento de trabalhar numa universidade adequada”, comenta.

      Há, no entanto, alguns pontos negativos, no entender do professor do Departamento de Inglês. “O pior aspecto é que a universidade está isolada de Macau e eu acredito firmemente que uma universidade – especialmente uma universidade pública – deveria estar no coração de uma cidade”, nota, acrescentando: “Falta seriamente transporte para a universidade e é escandaloso que a linha de Metro Ligeiro construída na Taipa não tenha uma ramificação para a universidade. Isto é uma grande pena”.

       

      MARIA JOSÉ GROSSO ENCONTROU EM HENGQIN “GRANDIOSIDADE NO ESPAÇO”

      Maria José Grosso está ligada à UM há 20 anos e, por isso, também ela viveu a mudança da Taipa para Hengqin. A professora do Departamento de Língua Portuguesa da Faculdade de Letras diz que o campus da Taipa “dava-nos a ilusão de que estávamos numa pequena bolha, exígua, familiar”. “Vida académica e vida pessoal interligavam-se, o que era cómodo, mas às vezes cansativo”, ressalva.

      Na Ilha da Montanha, “mudou tudo”. “É semelhante a Macau: estranha-se e depois entranha-se”, afirma Maria José Grosso. Em Hengqin, a professora de Português encontrou uma “grandiosidade no espaço”. Isto “contribui  positivamente para a sua internacionalização”.

      “Pessoalmente, gosto muito da biblioteca, da sua estrutura, da forma como está organizada, dos espaços para trabalhar, também gosto da paisagem quase postal: com os pequenos rios, os chapéus dos jardineiros sempre presentes e até às vezes passeando em pequenos barquinhos”, descreve. No entanto, “há falta de espaços de convívio como cafés, restaurantes, livraria e papelaria, táxis”.

       

      UMA MUDANÇA “FANTÁSTICA” PARA TIMOTHY SIMPSON

      Também ele a leccionar na UM há duas décadas, Timothy Simpson recorda que, aquando da transição para a Ilha da Montanha, estava “hesitante”, uma vez que já trabalhava no campus da Taipa há dez anos e “gostava da conveniência da sua localização”. “No entanto, no meu primeiro dia no novo campus, fiquei imediatamente impressionado com o ambiente positivo e perguntei-me: Porque é que tinha hesitado em mudar-me para Hengqin?”, lembra.

      O professor do Departamento de Comunicação da Faculdade de Ciências Sociais da UM descreve a mudança como “fantástica”: “O ambiente agradável e espaçoso faz-me realmente feliz por ir trabalhar todos os dias”. “O ambiente espaçoso e natural do campus é diametralmente oposto ao ambiente urbano muito denso do centro de Macau, onde vivo. Por isso, sinto-me como se tivesse o melhor de dois mundos”, destaca.

      Timothy Simpson aponta que o novo campus proporciona “um excelente ambiente residencial para os estudantes, que têm a oportunidade de ter uma experiência de campus residencial suficientemente próxima do resto de Macau para ser conveniente, mas longe o suficiente para se sentirem como o seu próprio mundo”. Além disso, “o novo campus serviu para profissionalizar ainda mais o pessoal da universidade, e para contribuir para o moral”. O docente nota também que há famílias de Macau a irem passear para o campus aos fins-de-semana, para “desfrutarem do espaço e da paisagem”.

      Em sentido contrário, o pior foram as “dores de crescimento”, com “problemas de arquitectura e construção, bem como questões relacionadas com o transporte diário entre Macau e Hengqin”. “Contudo, a universidade fez um excelente trabalho durante o primeiro ano no campus para identificar e reparar todas essas questões relacionadas com a construção, e o serviço de autocarros e táxis para o campus melhorou drasticamente”, conclui.