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      EDITORIAL #71

      Foi notícia, há vários dias, a atribuição do Prémio Camões à escritora moçambicana Paulina Chiziane. Uma crónica publicada no jornal O País deu conta da primeira reacção da autora, uma surpresa imensa a que se sucedeu a demonstração de verticalidade que tem marcado a vida da autora de Balada de Amor ao Vento (o primeiro romance publicado por uma mulher em Moçambique, já lá vão 30 anos). O jornalista José dos Remédios, que estava com Chiziane na altura em que se soube a notícia, resume assim o momento: «Paulina não escondeu que gostou do prémio e que está muito feliz. Mas esclareceu: “Quando a gente trabalha, nunca deve pensar em prémios. Eu nunca dei importância nenhuma a isso. Eu faço o que quero, o que penso no momento, aquilo que me emociona, que me decepciona ou que me alegra. Produzo algo, coloco no mercado, e nem sempre a reacção é boa. Mas penso que um dia vão me perceber. Eu faço literatura porque quero, gosto, me apetece e sinto que tenho capacidade para fazer”.» Não deveria ser preciso mais para agradecer um prémio.

      Com um livro de contos que têm em Macau o seu elemento comum, João Morgado venceu o Prémio Nacional do Conto Manuel da Fonseca. Conversámos com o autor de Contos de Macau a propósito deste seu livro, mas também dos ecos que uma viagem a Macau deixou na sua escrita e que talvez voltem a ecoar em textos futuros, num futuro em que volte a ser possível regressar ao território sem quarentenas nem medo de vírus.

      Também sobre Macau, mas longe do registo ficcional, a conversa com Henrik Brandão Jönsson a propósito do livro Viagem pelos Sete Pecados da Colonização Portuguesa lança um olhar sobre o território que troca as luzes dos casinos e os mal-entendidos que se foram infiltrando em algumas tentativas de diálogo pelo sossego e o charme decadente das ruas velhas da cidade. O livro de Jönsson percorre outros territórios que foram colonizados por Portugal, mas foi em Macau que se centrou o diálogo do autor com o Parágrafo (este, sim, bem sucedido).

      Ainda em destaque nesta edição, um livro recente da historiadora Mae Ngai que recua aos tempos da grande corrida ao ouro para encontrar as origens da xenofobia e do racismo que tem atingido tantos chineses (e descendentes) em diferentes partes do mundo, com particular incidência no Ocidente e neste presente pandémico em que encontrar um bode expiatório parece ser o objectivo de tanta gente. Se ler é uma forma possível – e eficaz – de combater preconceitos, talvez  The Chinese Question: The Gold Rushes and Global Politics deva entrar rapidamente nas nossas listas de leitura.

      Ponto Final
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      Redacção do Ponto Final Macau