O Governo de Macau anunciou ontem a criação de uma empresa de capitais públicos que terá como missão gerir fundos destinados a impulsionar a diversificação da economia do território.
De acordo com o executivo de Macau, a nova Sociedade de Investimento e Gestão de Macau Limitada será responsável pelo funcionamento dos fundos, decisões financeiras e a execução de investimento.
O Governo de Macau sublinhou que a intenção é “atrair instituições qualificadas para gerir fundos de fundos” e incentivar a participação de investidores privados. “A medida enquadra-se no objectivo de articular Macau com o 15.º Plano Quinquenal Nacional, promovendo a modernização industrial e a transformação de resultados científicos e tecnológicos”, indicou o gabinete do secretário para a Economia e Finanças de Macau. Será igualmente criado um conselho de orientação composto por dirigentes governamentais, profissionais e académicos, com competência para emitir pareceres sobre políticas, planeamento estratégico e matérias relevantes aos fundos.
Com uma economia profundamente dependente da indústria do jogo, as autoridades de Macau seleccionaram vários sectores, incluindo tecnologia, eventos culturais e finanças, para diversificar a economia do território. Apesar desses esforços, de acordo com dados oficiais, o jogo representou quase metade de todo o Produto Interno Bruto (PIB) de Macau em 2025.
Este ano as autoridades do território apresentaram um plano para a constituição de um Fundo de Orientação Governamental, instrumento que deverá ser lançado ainda este ano com uma dotação inicial de 11 mil milhões de patacas, provenientes da reserva financeira.
Macau contava, no final de janeiro, com uma reserva financeira no valor de 673,8 mil milhões de patacas. Na altura, o então secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip, indicou que o objetivo do fundo seria “desempenhar o papel de liderança” na mobilização de capitais privados para a diversificação da economia de Macau, fomentando indústrias emergentes e apoiando empresas tecnológicas em fase inicial.
O plano prevê que o fundo alcance uma dimensão total de 20 mil milhões de patacas, conjugando verbas públicas com a primeira parcela de capitais privados.
A nova sociedade pública anunciada ontem terá uma equipa especializada responsável por áreas como investimento, controlo de riscos, investigação e conformidade legal, integrando “quadros com visão financeira internacional e conhecimento das indústrias locais”.
Segundo o comunicado, os investimentos devem estar alinhados com as indústrias emergentes prioritárias definidas pelo Governo de Macau. “O objectivo é promover a modernização industrial, reforçar a cooperação com Hengqin e criar postos de trabalho qualificados, beneficiando empresas e residentes”, indicou o comunicado. O executivo destacou ainda que serão realizados controlos de risco contínuos e avaliações periódicas de desempenho, com vista a elevar a eficiência do investimento e maximizar o valor dos capitais públicos. Lusa











