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      InícioCulturaMacau para sempre recordado nas pinturas de Diogo Muñoz

      Macau para sempre recordado nas pinturas de Diogo Muñoz

      “Os artistas serão sempre necessários”, começou por dizer Diogo Muñoz, ontem, durante a apresentação da sua primeira exposição dedicada inteiramente a Macau, na galeria do Albergue SCM. Por entre 50 trabalhos de pintura, é possível encontrar todos e mais alguns, desde figuras actuais, a outras quase míticas, que compõe a comunidade cultural e social de Macau. Um projecto com quase 10 anos, que resistiu aos austeros tempos de reclusão e a momentos de incertezas artísticas, renascendo numa colecção de obras que definem Macau, para sempre.

       

      Foi inaugurada ontem a primeira exposição de Diogo Munõz dedicada inteiramente a Macau, na galeria do Albergue SCM. A convite do Círculo dos Amigos da Cultura de Macau (CAC), o artista apresenta ao público o seu projecto de longa data, que leva o nome de “Macau Forever”. Uma colecção de 50 pinturas, onde culminam as diversas qualidades e técnicas do pintor numa coesa narrativa sobre Macau.

      Desde de figuras conhecidas hoje, a outras quase míticas, todas trazem consigo uma história, uma narrativa individual de cada personagem presente nestas janelas íntimas, que povoam a pequena galeria do Albergue SCM. “Esta exposição é sobre Macau e as figuras contemporâneas de Macau, sobre figuras portuguesas marcantes, sobre as relações sino-portuguesas e as figuras mitológicas também, dos contos e da literatura mágica de Macau”, disse Diogo Muñoz em entrevista ao PONTO FINAL.

      Uma pesquisa profunda de estilos, estas obras navegam pelos vários anos de experiência na pintura do artista e levaram quase 10 anos para serem compostas na presente colecção. “Eu faço das coisas mais variadas, esta exposição até parece uma exposição colectiva” brincou.

      Por entre todas as personagens, podemos encontrar artistas, escritores, advogados, arquitectos e até recordações dos antigos revolucionários de Macau. Mas Diogo Muñoz recusa categorizações. Esta exposição não é uma colecção de retractos apenas, como diz Ricardo Martins, arquitecto, que deixou a sua palavra sobre a exposição. “Nesta exposição surge em evidência uma relação afectiva com aquele lugar que o artista conheceu por amizades antigas, objectos e histórias de família. Esta exposição não é, contudo, uma galeria de retratos. Pelo menos no seu sentido mais clássico e convencional” esclareceu Martins.

      Diogo Muñoz destacou o quadro “O Doce Falar de Macau”, cartaz da exposição, onde identifica as suas inspirações literárias e uma reflexão sobre a diáspora portuguesa pelo mundo. Uma pertinente contribuição às comemorações do dia de Portugal e Camões, que também aparece em algumas das pinturas luminosas de Muñoz. “Como navegador, Diogo Munõz, através do seu “Macau Forever”, conta estórias e relembra a história, sem pretensiosismos nem cartola, com a simplicidade nas mãos e a alegria no peito”, dedica Carlos Marreiros, artista amigo, retratado numa das pinturas sobre um cavalo renascentista e que trouxe Diogo Muñoz de volta ao projecto, depois de um período de “bloqueio artístico” devido aos tempos de isolamento durante a pandemia.

      Diogo Muñoz é natural de Lisboa, estudou Belas Artes na Faculdade de Belas Artes de Lisboa (FBAUL) e as suas obras estão expostas em colecções em Portugal e no estrangeiro. O artista realizou várias exposições individuais do seu trabalho em todo o mundo, tais como “Havel Havalim” em Lisboa, em 2021, “Fresh Paint Art Project” em Pequim, em 2007, e “Artour-O à Firenze – DFM” em Florença, em 2007.

      A exposição “Macau Forever” é organizada pelo CAC, com o patrocínio do Fundo de Desenvolvimento Cultural da RAEM e o apoio do Albergue SCM. A exposição estará patente ao público na Galeria A2 do Albergue SCM até 15 de Julho, com entrada livre.