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      InícioSociedadeInteligência artificial substituirá 80% das funções dos empregados, diz especialista

      Inteligência artificial substituirá 80% das funções dos empregados, diz especialista

      Trocar pessoas por máquinas. Durante mais um instrutivo pequeno-almoço, organizado pela Câmara de Comércio França Macau (FMCC) no salão Baccara do Hotel Sofitel, a especialista em recursos humanos Jackie Fong apresentou a sua palestra sobre inteligência artificial e o progresso da força de trabalho em constante adaptação às novas tecnologias. O futuro aguarda a chegada dos empregados artificiais, mas deixará espaço para a empatia e mais tempo para o cultivo da criatividade.

       

      O futuro dos empregados e funcionários das inúmeras empresas de alta tecnologia e o progresso do empreendedorismo durante o rápido desenvolvimento dos novos mecanismos de inteligência artificial, foram alguns dos muitos assuntos apresentados pela especialista em recursos humanos Jackie Fong, numa das manhãs de palestras e pequenos-almoços organizados mensalmente pela Câmara de Comércio França Macau (FMCC) no Hotel Sofitel. O evento contou com a presença de diversos empreendedores e empresários, interessados em compreender a veloz evolução desta nova tecnologia de aprendizagem artificial e independente, com a intenção de melhorar as condições de trabalho das suas empresas e obter resultados mais eficientes no futuro.

      Em sintonia com os últimos eventos que sucederam em Macau, nomeadamente palestras como a UNU Macau AI Conference, onde tem sido discutido o progresso da inteligência artificial no âmbito das funções normalmente realizadas por humanos e o crescimento desta indústria no território, que poderá fornecer mais opções de emprego aos residentes, a FMCC tem contribuído significativamente para o tema, através destas palestras matutinas.

      Numa das últimas contribuições à discussão sobre o desenvolvimento da inteligência artificial, a FMCC convidou a académica e jurista Célia Matias, para discutir a parte legal deste desenvolvimento tecnológico e como poderão as companhias lidar com os direitos autorais de resultados criativos produzidos por estes sistemas. São estes resultados de algum uso real no âmbito profissional? Ou seriam interpretações de trabalhos de autores humanos, o que implicaria numa violação dos direitos de autor?

      Na palestra de ontem, a oradora Jackie Fong começou por identificar a utilidade prática da tecnologia IA na solução dos problemas frequentemente encontrados no dia-a-dia das empresas, como pequenos erros humanos no processamento de dados e falta de eficiência na solução de problemas complexos.

      Segundo a oradora, a inteligência artificial resolverá estes problemas na próxima década, substituindo funcionários em posições obsoletas dentro da hierarquia empresarial, oferecendo oportunidades para esses próprios indivíduos progredirem para outras posições mais “humanas”, tais como nas áreas criativas e de crítica construtiva.

      Contudo, a palestrante introduziu uma das novas evoluções da IA, ao parafrasear Sam Altman, fundador da OpenAI, que disse durante uma recente entrevista que “a tecnologia encontrada hoje nas plataformas IA será das mais grosseiras no futuro”, enquanto falava da recente Inteligência Artificial Geral, ou IAG, um software que não só aprende sozinho, mas ensina outros e a si próprio.

      “A Inteligência Artificial Geral será capaz de substituir 80% do trabalho realizado actualmente por pessoas, em áreas que não oferecem a maior potencialidade das características unicamente humanas. Ou seja, trabalhos que são mais facilmente e eficientemente realizados por AI. Portanto, ainda haverá 20% de outras funções unicamente humanas, competência essenciais, na criatividade e empatia, principalmente”, esclareceu Fong, em entrevista ao PONTO FINAL.

      Quando questionada sobre o futuro do jornalismo em relação à IA e da possível distribuição de informações tendenciosas por parte destes sistemas, a oradora acredita que a inteligência artificial virá acabar com qualquer problema relacionado a noticias tendenciosas e a distribuição de informação falsa, sendo que a lógica imparcial do sistema é quase perfeita no seu “julgamento” sobre o que é verdade ou não. Fez referência à revista “Bild”, da Alemanha, que recentemente decidiu substituir centenas de jornalistas por um sistema sofisticado de AIG.

      Quanto aos direitos autorais do trabalho criativo, Fong mencionou um caso em Pequim, onde duas pessoas foram envolvidas num processo legal, ligado a reprodução e distribuição de imagens produzidas por tecnologias AI. Um dos indivíduos teria utilizado imagens “criadas” por outra pessoa comercialmente, sem indicar os direitos de autor. Abriu-se o caso no tribunal, onde o juiz decidiu em favor do criador original, afirmando que a utilização de AI na criação de imagens assemelha-se à utilização de Photoshop. Seria apenas uma ferramenta como qualquer outra, ainda sendo necessário alguma intervenção humana no aperfeiçoamento dos “prompts” utilizados.

      Com isto, prevê-se uma mudança radical, em termos laborais, na forma como as empresas decidem empregar as pessoas, sendo que, cada vez mais, estes softwares assemelham-se às capacidades unicamente humanas, de forma muito mais eficaz e sem as necessidades orgânicas. Empregados ultra eficientes, infinitos e sem descanso. Ou assim se imagina.