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      Associação alerta para dificuldades das famílias com membros afectados pelo distúrbio do jogo

      Um estudo da Associação Sheng Kung Hui Macau indica que os familiares dos indivíduos afectados pelo distúrbio do vício do jogo enfrentam sempre pressão financeira e sentimento de vergonha em relação à procura de ajuda. A instituição de serviço comunitário apelou assim para a sociedade deixar de estigmatizar os jogadores e as suas famílias. A Linha Aberta de 24 horas para o Aconselhamento da Problemática do Jogo da associação registou um aumento de 4% no número de pedidos de ajuda de Janeiro a Abril deste ano, com 1.007 pedidos de ajuda, dos quais 40% vieram de turistas.

       

      Os familiares de pessoas afectadas pelo distúrbio do vício do jogo mostram dificuldades em lidar com a pressão financeira, nomeadamente do pagamento de dívidas, bem como de procurar ajuda por terem vergonha. Esta é a conclusão de um estudo realizado pelo serviço da Linha Aberta de 24 horas para o aconselhamento da problemática do jogo da Associação Sheng Kung Hui Macau.

      “Embora os inquiridos considerem que os serviços existentes de apoio à família são úteis, raramente tomam a iniciativa de procurar ajuda por sentirem vergonha, faltando também compreensão total dos serviços de aconselhamento. Os membros da família podem sentir-se pressionados por outrem que demonstre desconfiança ou utilize linguagem ofensiva à sua família”, indicam os resultados do estudo, frisando que as famílias partilham ainda de uma falta de consciência para a prevenção da iniciação ao jogo.

      De acordo com a Associação Sheng Kung Hui Macau, citada pelo Jornal Ou Mun, a equipa acompanhou 13 membros da família dos jogadores que sofrem do vício do jogo, de Agosto a Novembro no ano passado, sendo um estudo qualitativo que se seguiu a um estudo quantitativo realizado em 2021. O projecto foi financiado pelo Instituto de Acção Social, desenvolvido em colaboração com a Universidade de São José, com o objectivo de investigar as experiências, as formas de resposta e as dificuldades dos familiares dos jogadores.

      O estudo descobriu que a reacção e a situação dos familiares variam em certa medida de acordo com a relação familiar com o jogador. Segundo a associação, o cônjuge de pessoa com transtorno do jogo tem muitas vezes de enfrentar pressões financeiras e também de assumir as responsabilidades familiares, sobretudo as tarefas domésticas e a educação dos filhos, fazendo com que se sinta “exausto” e afecte o seu desempenho no trabalho, além de “fazer face à pressão por palavras das pessoas à volta”.

      No caso dos filhos do jogador, na sua infância podem sentir-se inquietos devido à instabilidade financeira da família, o que afectará os seus conceitos de dinheiro e os seus hábitos de poupança, observou o estudo, e as crianças são ainda facilmente apanhadas nas disputas entre os pais e sofrem de pressão de ambas as partes. “Não sabem como ajudar os pais e sentem assim uma grande frustração”, apontou.

      Já os pais do jogador pensam que têm toda a responsabilidade de ajudar os filhos, podendo “ajudá-los, cegamente, pagando as suas dívidas, por receio de que estes se suicidem por causa do dinheiro”. A Sheng Kung Hui Macau acrescentou que os pais podem considerar que o jogo problemático do membro familiar é “um escândalo” e não querem tornar o assunto público. “Raramente falam com outras pessoas e têm dificuldade em aliviar a pressão emocional”, referiu.

      A Associação, neste sentido, espera que a sociedade reduza o estereótipo e a estigmatização sobre os jogadores e os seus familiares, de forma a lhes dar mais motivação para procurar ajuda.

       

      MAIS DE MIL PEDIDOS DE AJUDA

       

      A Associação Sheng Kung Hui Macau, através da Linha Aberta do Aconselhamento, recebeu 1.007 pedidos de assistência entre Janeiro e Abril deste ano, o que representa um aumento de 4% em relação ao mesmo período do ano passado, dos quais 40% dos casos envolvem turistas.

      Lao Mei I, directora do serviço, revelou que foi lançado um projecto-piloto de intervenção de medicina chinesa e fitoterapia, em conjunto com aconselhamento psicológico, ajudando as pessoas afectadas pelo jogo problemático e os seus familiares para receberem tratamento para aliviar os sintomas de ansiedade, depressão e insónias.

      Recorde-se que a Linha Aberta de 24 horas para o aconselhamento da problemática do jogo, da Associação Sheng Kung Hui Macau está em funcionamento há dez anos e prestou apoio a cerca de 30.000 pessoas, 70% são jogadores e 30% são os seus familiares, sendo a maioria jovens com idades compreendidas entre os 19 e os 35 anos. Comparando com o serviço presencial, os familiares mostram a preferência pelo serviço telefónico e online.