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      União Europeia quer tarifas à China “ao nível de prejuízos” eventualmente causados nos carros eléctricos

      A presidente da Comissão Europeia e candidata a segundo mandato na instituição, Ursula von der Leyen, prometeu ontem que a União Europeia (UE) avançará com tarifas à China “ao mesmo nível de prejuízos” se verificados nos carros eléctricos.

       

      “A investigação ainda está em curso, mas caso se confirme, como suspeito, a existência de tais subsídios [estatais da China a fabricantes chinesas de carros eléctricos, que causam concorrência desleal], posso garantir que o nível dos direitos aduaneiros que iremos impor corresponderá ao nível dos prejuízos, ou seja, muito mais direcionados, muito mais adaptados”, declarou Ursula von der Leyen.

      A responsável intervinha num debate promovido em Bruxelas pelo grupo de reflexão de assuntos económicos Bruegel e pelo jornal britânico Financial Times com cabeças de lista (‘spitzenkandidat’) dos partidos às eleições europeias, dias depois de os Estados Unidos terem avançado com novas tarifas sobre produtos chineses, com maior foco nos veículos eléctricos.

      “Partilhamos algumas das preocupações dos nossos homólogos [norte-americanos], mas temos uma abordagem diferente, muito mais adaptada. Os Estados Unidos aplicaram direitos aduaneiros sobre muitos produtos, mas nós lançámos uma investigação há oito meses de acordo com as regras da Organização Mundial do Comércio”, comparou Ursula von der Leyen.

      Questionada sobre a segurança económica da UE, a responsável admitiu numa alusão à China a existência de “excesso de capacidade produzida noutro lugar, inundando o mercado [europeu] com produtos artificialmente baratos, ou, por exemplo, o tema da transferência forçada de tecnologia ou barreiras injustas pela experiência das empresas europeias noutros mercados”.

      “As soluções são, antes de mais, o diálogo. É por esta razão que, no ano passado, falei três vezes com o Presidente [chinês] Xi Jinping exactamente sobre estes temas, mas é claro que a acção também é importante e essa é a razão pela qual desenvolvemos todo um conjunto de ferramentas de defesa comercial e estamos dispostos a utilizá-las”, adiantou Ursula von der Leyen.

      Presente no debate, o candidato do Partido Socialista Europeu a presidente da Comissão Europeia, Nicolas Schmit, defendeu uma “visão estratégica na UE” sobre segurança económica face à China, admitindo o “início de uma guerra [comercial]” ou o “risco de uma escalada”. “Não creio que estejamos numa guerra comercial”, reagiu por seu lado Ursula von der Leyen.

      Já um dos ‘spitzenkandidat’ dos liberais às europeias, Sandro Gozi, comentou que “os chineses têm cada vez mais numa atitude agressiva” em termos comerciais, apoiando as investigações europeias em curso.

      Em representação do grupo de extrema-direita Identidade e Democracia, Anders Vistisen disse que a UE tem de “levar a sério a sua segurança e independência”, propondo uma proibição à rede social chinesa TikTok na UE, “na qual se diz que ou vendem a sua empresa a uma empresa ocidental ou serão expulsos da Europa”.

      A discussão surge numa altura em que a UE realiza várias investigações a alegadas subvenções chinesas ilegais a empresas que operam no bloco comunitário.

      Em causa está desde logo a investigação iniciada em outubro passado às subvenções estatais chinesas a fabricantes de automóveis eléctricos, que entraram rapidamente no mercado da UE e que são vendidos a um preço bastante menor que os dos concorrentes comunitários.

      Segundo a Comissão Europeia, os veículos chineses têm uma penetração de 8% no mercado comunitário – que poderá duplicar para 15% em 2025, se a mesma taxa se mantiver – e custam 20% menos que os europeus.

      Na semana passada, os Estados Unidos anunciaram novas tarifas no valor de 18 mil milhões de dólares sobre as importações de produtos chineses, sendo os veículos eléctricos os mais atingidos, com taxas que sobem de 25% para 100%.

       

      China pondera aumentar taxas sobre automóveis em resposta aos EUA e UE

       

      Pequim está a ponderar aumentar as taxas alfandegárias sobre veículos com motores de grande cilindrada, em retaliação contra medidas de Washington e em preparação contra a possível decisão da UE de penalizar os eléctricos chineses. Em comunicado, a Câmara de Comércio da China na União Europeia (UE) disse ter sido “informada por especialistas do setor” sobre a possível subida de taxas e referiu as implicações que isso teria para os fabricantes de automóveis europeus e norte-americanos.

      O grupo apontou para o aumento, recentemente anunciado pelos Estados Unidos, das taxas sobre veículos elétricos chineses e para possíveis medidas nesse sentido por parte de Bruxelas, no âmbito de uma investigação da UE sobre os subsídios atribuídos por Pequim aos fabricantes.

      A câmara de comércio citou uma entrevista publicada pelo jornal oficial chinês Global Times, na qual Liu Bin, um dos principais especialistas com influência na elaboração das políticas governamentais para o setor automóvel, referiu que Pequim está a considerar aumentar para 25% as taxas sobre automóveis importados de grande cilindrada.

      Liu apontou os sedans e os utilitários desportivos, com motores de mais de 2,5 litros, como o alvo da medida, que “estaria em conformidade com os regulamentos da OMC” (Organização Mundial do Comércio) e “ajudaria a China a promover a transição para práticas mais ‘verdes’ no setor automóvel e a avançar para os objetivos de redução das emissões de carbono”.

      A imprensa local recordou que, no fim de semana, o Ministério do Comércio chinês anunciou uma investigação ‘antidumping’ contra as importações de copolímero de polioximetileno, um material frequentemente utilizado pelo sector automóvel, proveniente dos EUA, da UE, do Japão e de Taiwan.

       

       

      Ponto Final
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      Redacção do Ponto Final Macau