Edição do dia

Terça-feira, 18 de Junho, 2024
Cidade do Santo Nome de Deus de Macau
nuvens dispersas
31.7 ° C
34.8 °
30.9 °
89 %
5.1kmh
40 %
Ter
32 °
Qua
31 °
Qui
30 °
Sex
30 °
Sáb
30 °

Suplementos

PUB
PUB
Mais
    More
      InícioGrande ChinaNovo líder de Taiwan propõe à China diálogo em condições de igualdade

      Novo líder de Taiwan propõe à China diálogo em condições de igualdade

      O novo líder de Taiwan voltou ontem a convidar Pequim para dialogar, em condições de igualdade, no arranque de um mandato em que o reforço da independência de facto da ilha será uma prioridade. A China advertiu que os esforços para alcançar a independência conduziriam Taiwan a um “beco sem saída”.

       

      “Espero que a China encare a realidade da existência da República da China [nome oficial de Taiwan] e, com boa vontade, escolha o diálogo em vez da confrontação”, disse William Lai Ching-te, durante o seu discurso de tomada de posse.

      O líder do Partido Democrático Progressista (DPP, na sigla em inglês), que substituiu Tsai Ing-wen (2016-2024), também do DPP, garantiu que a “paz não tem preço e a guerra não tem vencedores”, e vincou a intenção de manter o status quo no Estreito da Formosa.

      O território opera como uma entidade política soberana, com diplomacia e exércitos próprios, apesar de oficialmente não ser independente. No entanto, Pequim considera Taiwan parte do seu território, e não uma entidade política soberana, e já avisou que uma proclamação formal de independência seria vista como uma declaração de guerra.

      “Existe amplo consenso internacional de que a paz e a estabilidade entre os dois lados do estreito são indispensáveis para a segurança e a prosperidade globais”, disse Lai, político de 64 anos com longa carreira política em Taiwan, incluindo como vice-líder do Governo (2020-2024).

      Lai apelou às autoridades de Pequim para que ponham termo à “intimidação política e militar” de Taiwan e respeitem o governo democraticamente eleito pelo povo taiwanês. “A República da China e a República Popular da China não estão subordinadas uma à outra. Todos os taiwaneses devem unir-se para salvaguardar a nossa nação, os partidos políticos devem opor-se à anexação e ninguém deve abraçar a ideia de abandonar a nossa soberania para acumular poder político”, disse.

      Um porta-voz da China continental afirmou que Lai enviou “um sinal perigoso” de procurar a “independência de Taiwan” e de fazer provocações para minar a paz e a estabilidade entre as duas margens do Estreito no seu discurso. Segundo a Xinhua, Chen Binhua, porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, descreveu o discurso de Lai como um discurso que “seguiu obstinadamente a posição de independência de Taiwan, defendeu arbitrariamente o separatismo, incitou ao confronto entre os dois lados do Estreito e procurou a independência recorrendo ao apoio estrangeiro e à força”.

      Milhares de pessoas reuniram-se em Taipé para a cerimónia, que foi seguida de uma marcha militar e actuações artísticas com dançarinos folclóricos, artistas de ópera e rappers. Helicópteros militares voaram em formação, transportando a bandeira de Taiwan.

      Lai aceitou as felicitações dos colegas políticos e das delegações dos 12 países que mantêm relações diplomáticas oficiais com Taiwan, bem como de representantes políticos dos EUA, do Japão e de vários países europeus.

      O governante prometeu continuar os esforços para manter a relação estável com o continente chinês enquanto reforça a segurança de Taiwan através da importação de caças avançados e outras tecnologias de Defesa dos EUA, expansão da indústria de Defesa doméstica e reforço das parcerias regionais com os aliados não oficiais de Taiwan, como os EUA, Japão, Coreia do Sul e Filipinas.

      O chefe da diplomacia dos EUA, Antony Blinken, felicitou Lai. “Esperamos trabalhar com Lai e todo o espetro político de Taiwan para promover os nossos interesses e valores comuns, aprofundar as relações não oficiais de longa data e manter a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan”, afirmou Blinken, em comunicado.

      Lai é visto como herdeiro das políticas progressistas de Tsai, incluindo cuidados de saúde universais, apoio ao ensino superior e aos grupos minoritários. Taiwan foi o primeiro país da Ásia a reconhecer o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Lai descreveu-se a si próprio anteriormente como “trabalhador pragmático pela independência de Taiwan”, o que suscitou críticas de Pequim.

      Filho de um mineiro de carvão, William Lai Ching-te tomou posse como líder de Taiwan, cabendo-lhe gerir a complexa relação com Pequim. Ao contrário da maioria da classe política de Taiwan, Lai, nascido em 1959, provém de um meio modesto. A mãe criou-o sozinho, com cinco irmãos e irmãs, numa aldeia rural de Nova Taipé (norte), após a morte do pai, quando ele era muito novo.

      Após se ter licenciado em saúde pública na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, Lai começou por trabalhar como médico num hospital em Tainan (sudoeste). Descrito como combativo, William Lai decidiu entrar na política em 1996, quando Pequim testou mísseis em torno de Taiwan por altura das primeiras eleições democráticas da ilha. “Decidi que era meu dever participar na democracia taiwanesa e ajudar a proteger esta experiência nascente daqueles que a queriam prejudicar”, afirmou, numa entrevista ao jornal norte-americano Wall Street Journal.

      A China advertiu ontem que os esforços para alcançar a independência conduziriam Taiwan a um “beco sem saída”, após a tomada de posse do novo líder do território, William Lai. “A independência de Taiwan é um beco sem saída”, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Wenbin, em conferência de imprensa. “Independentemente da forma ou da bandeira que assuma, a busca da independência e da secessão de Taiwan está condenada ao fracasso”, acrescentou o porta-voz.

       

      Referências à tomada de posse do novo líder de Taiwan censuradas no Weibo

       

      A rede social chinesa Weibo bloqueou qualquer referência à tomada de posse do novo líder de Taiwan, William Lai, considerado por Pequim um “perigoso separatista”, impedindo que se torne viral no continente chinês. Uma das referências, que lembrava aos utilizadores que “em Taiwan, a 20 de Maio, um novo governo toma posse”, foi apagada e substituída pela mensagem: “de acordo com as leis, regulamentos e políticas em vigor, o conteúdo deste tópico não pode ser publicado”, indica a agência France Presse. Outra publicação que afirmava simplesmente que “Lai toma hoje posse” foi também eliminada. As referências ao seu nome e à antecessora, Tsai Ing-wen, no contexto da tomada de posse, também foram bloqueadas. No entanto, pesquisas do nome de Lai no contexto de outros temas continuam a produzir resultados. O Weibo bloqueia regularmente ‘hashtags’ consideradas politicamente sensíveis para evitar que se tornem virais nesta plataforma utilizada por centenas de milhões de pessoas na China.

       

      China impõe sanções a empresas dos EUA que vendem armas a Taiwan

       

      A China impôs novas sanções contra três empresas dos EUA que vendem armas a Taiwan, avançou ontem a agência de notícias oficial chinesa Xinhua, no dia em que William Lai Ching-te, tomou posse. As empresas General Atomics Aeronautical Systems, General Dynamics Land Systems e Boeing Defense, Space & Security foram colocadas na lista de “entidades não confiáveis”, informou a agência, citando o Ministério do Comércio chinês. As empresas “serão proibidas de qualquer actividade de importação-exportação ligada à China e de qualquer novo investimento na China”, de acordo com a Xinhua. “Os principais executivos destas empresas estão proibidos de entrar na China e as suas autorizações de trabalho serão revogadas”, acrescentou a agência.

      Ponto Final
      Ponto Finalhttps://pontofinal-macau.com
      Redacção do Ponto Final Macau