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      China anuncia medidas para combater crise imobiliária após queda de quase 10% nos preços

      A China anunciou novas medidas para revigorar o sector imobiliário, depois de os últimos dados terem revelado que os preços da habitação caíram quase 10% desde o início do ano.

       

      O banco central anunciou que vai reduzir a entrada para hipotecas e o limite mínimo das taxas de juro para a primeira e segunda habitação.

      O mercado da habitação na China está em declínio há vários anos, após Pequim ter adoptado medidas contra o endividamento excessivo das construtoras, arrastando consigo um vasto leque de outros sectores – como o mobiliário e electrodomésticos. Muitos projectos estão agora parados, por acabar.

      He Lifeng, vice-primeiro-ministro, disse que as autoridades vão implementar políticas adequadas a cada cidade e “travar a dura batalha de lidar com o risco de habitação inacabada”. “Vamos avançar solidamente com tarefas – chave como a garantia de entrega de habitação e a absorção da habitação comercial existente”, disse He Lifeng, segundo a agência noticiosa oficial Xinhua, durante uma teleconferência de alto nível sobre políticas imobiliárias.

      O esforço para atrair mais famílias para a compra de casa ganhou ímpeto depois de medidas anteriores, como a redução das taxas de juro e o financiamento apoiado pelo Governo, não terem conseguido atrair compradores para o mercado, numa altura em que os promotores imobiliários se debatem com a entrega de habitações já prometidas e pagas.

      A crise tem fortes implicações para a classe média do país. Face a um mercado de capitais exíguo, o setor concentra uma enorme parcela da riqueza das famílias chinesas – cerca de 70%, segundo diferentes estimativas.

      O Banco Popular da China anunciou que, a partir de sábado, a taxa de juro para empréstimos de 5 anos para compra de habitação vai ser reduzida em 0,25% para 2,35%. A taxa para os empréstimos a mais de 5 anos cai também 0,25%, passando para 2,85%.

      A entrada mínima para os empréstimos para primeira habitação será de 15% do preço de compra. Para as segundas habitações, será de 25%, segundo a agência.

      O Gabinete Nacional de Estatística do país reconheceu que a procura interna – despesas dos consumidores e das empresas – continua a ser “insuficiente” e afirmou que o Governo está a estudar novas formas de revitalizar a indústria imobiliária, depois de os preços da habitação terem caído 9,8% entre Janeiro e Abril, em termos homólogos.

      “A complexidade, a gravidade e a incerteza da atual conjuntura externa estão a aumentar significativamente. A procura interna efetiva é insuficiente, a pressão sobre as empresas é elevada e existem muitos riscos e perigos ocultos”, afirmou Liu Aihua, porta-voz do gabinete. “A base para a recuperação precisa de ser reforçada”, disse.

      O Conselho de Estado (Executivo) tem planeado realizar uma conferência de imprensa centrada no sector imobiliário. Uma das principais estratégias que está a ser implementada envolve a compra, por parte dos governos locais, de apartamentos que não foram vendidos devido à fraca procura, para serem arrendados como habitação a preços acessíveis, em programas experimentais que parecem ter-se tornado uma política nacional.

      A revista Caixin noticiou que o Ministério da Habitação, o banco central, outras agências governamentais e bancos estatais estão a criar um grupo de trabalho conjunto para pensar em formas de revitalizar o setor.

      No primeiro trimestre do ano, a construção de novas habitações caiu quase 25% e as vendas, medidas pela área útil, desceram 20%, em termos homólogos. O financiamento de projetos imobiliários caiu 25%. Lusa

       

      Ponto Final
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      Redacção do Ponto Final Macau