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      TDM: um problema ou uma vantagem?

      “Se me tivessem dito que eu estaria aqui hoje a celebrar os 40 anos da TDM, eu provavelmente não teria acreditado, porque, para mim, nessa altura, a TDM era um problema”, diz António Vitorino, assessor do governador de Macau, Pinto Machado, entre 1986 e 1987, na conferência sobre os 40 anos da TDM Macau, organizada pelo Centro Científico e Cultural de Macau, em Lisboa.

      Envolvido nas negociações de Portugal e da China que viriam a resultar na transferência de administração, o diplomata recorda que, tratando-se de “uma transição entre dois países com manifesto desequilíbrio de capacidade e de poder, através de um tratado”, a TDM acaba por estar no coração de um dos temas da Declaração Conjunta Sino-Portuguesa sobre a Questão de Macau, assinada em 1987: “O estatuto de direitos fundamentais da futura Região Administrativa Especial de Macau, particularmente a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa, matéria em que a parte portuguesa era extremamente sensível, mas que todos nós sabíamos do distinto entendimento que essas matérias poderiam merecer da parte chinesa”.

      A questão era sensível e resolveu-se graças a Carlos Monjardino, que era então secretário-adjunto da Economia. “Foi ele que persuadiu Pinto Machado a incluir a questão da TDM na renegociação do contrato de jogo, tendo em vista criar as condições para a sustentabilidade da televisão de Macau para além da presença administrativa portuguesa no território”.

       

      A TDM era também uma vantagem

       

      Ao mesmo tempo, paradoxalmente, a TDM poderia ser também uma vantagem nestas negociações, já que o “bilinguismo era um tema central”. A parte chinesa argumentava “a necessidade de adoptar uma estratégia para progressivamente introduzir o chinês como língua corrente na administração de Macau.”

      Por isso, o grande argumento em defesa de um canal como a TDM em Macau foi o bilinguismo. “Esse era o argumento que utilizámos com a parte chinesa, dizendo que reconhecemos que a parte chinesa tem razão, ao defender a necessidade de acelerar a progressão do chinês na administração, mas, em contrapartida, queremos ter garantias de que o português, que será uma língua real da Região Administrativa Especial, também tem garantias de estabilidade”, recorda.

      Uma das grandes preocupações da parte chinesa, nestas negociações, passou por dar sinais claros de que as pessoas que se encontravam em Macau antes da transferência tinham condições para continuar lá depois. “A circunstância de existir um canal com este perfil e estas características, permitindo a comunicação em chinês, mas também em português, era um factor da confiança da população do território e, consequentemente, da RAEM.” A isso juntou-se uma Lei Básica que, no entender de António Vitorino, acabou por acolher o essencial dos direitos fundamentais, entre os quais a liberdade de expressão.

       

      Melhorar a cobertura e assegurar a transferência de administração

       

      A primeira preocupação de Paulo Ramalheira quando chegou à TDM foi melhorar a cobertura do sinal. “Passámos a ter uma cobertura digna dos canais da TDM, a TDM na altura fazia um esforço muito grande para poder ter conteúdos”, recorda o antigo administrador da empresa, na conferência sobre os 40 anos da TDM, organizada pelo Centro Científico e Cultural de Macau, em Lisboa. Depois, a partir do momento em que se começou a fazer a contagem decrescente para a transferência, era tempo de pensar na cerimónia.

      O plano era ambicioso: 14 carros exteriores, 140 câmaras, mais de 300 pessoas de 12 nacionalidades. “Nunca em Macau se tinha feito nada tão complexo”, conta. “Naquela altura, as câmaras eram ligadas por um cabo, não havia dispositivos móveis, com a desvantagem de tudo aquilo se passar num escasso período de 12 horas a 14 horas.”

      Com o seu parceiro de sempre, a RTP, avançou-se então com um consórcio internacional, de forma a assegurar que a cerimónia de transferência corresse da melhor forma. “Um projecto muito angustiante, com muita alegria e tristeza, com as nossas angústias e os nossos sucessos, mas, quando caiu o pano, foi uma sensação de alívio como eu nunca tinha sentido até então”, salienta.