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      InícioOpiniãoUm dia de emoções elétricas

      Um dia de emoções elétricas

      A minha ida no último sábado ao Grande Prémio do Japão de Fórmula E – veículos elétricos, portanto – em Tóquio não foi apenas uma viagem; transformou-se numa experiência imersiva, misturando desporto, tecnologia e emoção de maneira indelével. Como Embaixador de Portugal, senti-me honrado em representar o país num certame que é o paradigma do avanço tecnológico automobilístico, e também em apoiar António Félix da Costa, uma fi gura emblemática do desporto motorizado português, conhecido afetuosamente como “Formiga”. Este evento marcou a estreia do Japão no automobilismo elétrico de competição, uma etapa só por si significativa, considerando o crescente foco global em ecoeficiência.

      A performance do António, ao volante do Porsche, foi uma demonstração de habilidade e perseverança, características a que já nos habituou há muito e que lhe deram o título mundial em 2020, na DS TECHEETAH. Partindo da nona posição, a sua jornada até ao quarto lugar, o melhor resultado da temporada até ao momento, foi repleta de manobras audaciosas e uma

      gestão de energia exemplar, que quase o levou ao pódio. Esta atuação não apenas destacou a sua extraordinária competência como piloto, mas também elevou o orgulho nacional, mostrando a força do talento português no palco mundial do desporto automóvel.

      Além do espetáculo nas pistas, a minha experiência foi ainda mais enriquecida pela presença e pelo papel do Tiago Monteiro, tanto como meu amigo de longa data, quanto como manager do António. A sinergia entre eles, dentro da TAG Heuer Porsche Formula E Team, reflete um equilíbrio perfeito entre experiência, ambição e técnica. A atenção e o cuidado nos bastidores

      eram palpáveis, cada membro da equipa (ou não fossem alemães) movendo-se com precisão, todos unidos pelo objetivo comum de excelência.

      Esta visita também proporcionou um momento de reflexão sobre as conexões culturais e históricas entre Portugal e o Japão, especialmente em contextos de inovação e desporto. A transformação das ruas de Tóquio num circuito de corrida elétrica, contrastando com o ambiente rural do autódromo de Suzuka, onde se disputa a corrida de F1, é bem o marco de novos tempos de proximidade e interação entre os fãs e o desporto: os motores eram praticamente inaudíveis, o que permitia ouvir os gritos de incentivo provindos de todas as bancadas. Arrisco-me a dizer que, nesta nova era, a responsabilidade ambiental é tão

      importante quanto a velocidade e a competição.

      A experiência no Grande Prémio do Japão de Fórmula E foi, portanto, muito mais do que uma simples participação num evento desportivo. Tratou-se de uma celebração da capacidade portuguesa de competir ao mais alto nível, um testemunho da evolução do automobilismo rumo a um futuro mais sustentável, e um momento de união e apoio que transcende fronteiras.

       

      Vítor Sereno

      Diplomata

      Texto originalmente publicado no Diário As Beiras