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      Coutinho usa suicídios para pedir novo cartão de consumo. Chefe diz que medida não solucionaria o problema

      Na reunião plenária de ontem da Assembleia Legislativa, Pereira Coutinho interpelou o Chefe do Executivo sobre o aumento do número de suicídios, sugerindo que a atribuição de mais uma ronda do cartão de consumo poderia menorizar o problema. Na resposta, Ho Iat Seng descartou a hipótese e assinalou que as duas coisas não estão ligadas.

      Ho Iat Seng esteve ontem na reunião plenária da Assembleia Legislativa (AL) para responder aos deputados. José Pereira Coutinho escolheu interpelar o Chefe do Executivo sobre o aumento dos suicídios na região. Para o deputado, o aumento dos suicídios está directamente ligado ao menor poder de compra dos residentes, pedindo então a atribuição de mais uma ronda dos cartões de consumo. Um pedido descartado imediatamente pelo Chefe do Executivo.

      “Será que depois da emissão de um novo cartão de consumo os suicídios vão diminuir? Acho que não, não podemos indexar as duas coisas”, afirmou o Chefe do Executivo no hemiciclo, assumindo que este aumento dos suicídios é um problema “muito doloroso”. Notando que a questão está dependente de vários factores, o Chefe admitiu que “é difícil acabar com estes casos”.

      Na sua intervenção, Coutinho afirmou que “a qualidade de vida da população está a piorar devido à inflação e ao aumento brutal do custo de vida, estagnação dos salários e as elevadas taxas de juro bancárias”, sublinhando também que “é grave a quebra do poder de compra e aumenta o número de famílias em dificuldade, mais pessoas carenciadas, mais pobreza envergonhada”.

      “Sendo Macau tão pequeno, com menos de 700 mil de residentes permanentes e os cofres do Governo de Macau cheios de dinheiro, porque é que tantas pessoas se continuam a suicidar?”, interrogou.

      No ano passado, foram registadas 88 mortes por suicídio. Em comparação com 2022, houve um aumento de 10% e relativamente a 2021 o crescimento foi de 46%. Segundo os dados dos Serviços de Saúde dos últimos anos, o número de suicídios verificados no ano passado é o mais alto da última década, pelo menos. Acompanhando os números das mortes por suicídio, também as tentativas de suicídio têm aumentado de forma substancial em Macau. Segundo os números divulgados nos últimos anos pelo gabinete do secretário para a Segurança, em sete anos o número de tentativas de suicídio disparou 176%.

      Recentemente, tem-se verificado alguns suicídios por parte de idosos e o Chefe do Executivo pediu que se continue a cuidar dos idosos e a visitá-los nos lares, por exemplo. “Não podemos pedir ao Governo que coloque um profissional a acompanhar cada idoso”, lamentou. Além disso, Ho Iat Seng também lembrou que o aumento das pensões para idosos está dependente de um mecanismo que estabelece que o valor só é actualizado quando o índice de preços no consumidor atingir 3%.

      Anteriormente, as autoridades tinham indicado que “as causas do suicídio são complexas e frequentemente envolvem doenças mentais, factores psicológicos, socioeconómicos, familiares, de relações humanas e factores genéticos biológicos”. Os Serviços de Saúde chegaram também a dizer que um dos factores que fez com que houvesse mais suicídios foi a reabertura das fronteiras e o maior número de suicídios cometidos por não-residentes no território.