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      Deputados voltam a alertar para o desequilíbrio da retoma económica

      Na reunião plenária de ontem da Assembleia Legislativa, vários deputados voltaram a falar sobre a recuperação económica que se estará a cingir às zonas turísticas, fazendo com que o comércio nos bairros comunitários esteja em dificuldades. Os parlamentares pediram medidas ao Governo para equilibrar a retoma económica.

      A recuperação económica após os três anos de restrições pandémicas não está a chegar a toda a cidade. Este é um tema que tem sido discutido amiúde nas últimas semanas e ontem, na reunião plenária da Assembleia Legislativa (AL), vários deputados voltaram a chamar a atenção para a situação.

      O primeiro foi Leong Hong Sai, que começou por lembrar que a economia de Macau cresceu 80,5% no ano passado, e o volume económico total regressou a mais de 80% do nível de 2019. Assinalando que “a recuperação económica nas zonas turísticas foi satisfatória”, frisou que “os negócios das lojas nos bairros comunitários não foram os esperados e, mesmo nos feriados e fins-de-semana, o fluxo de pessoas na Zona Norte, na Zona de San Kio, na Avenida do Ouvidor Arriaga e nos bairros comunitários tradicionais, etc. manteve-se baixo”. Esta situação dever-se-á ao facto de muitos residentes irem fazer compras ao interior da China.

      Assim, Leong Hong Sai propõe a adopção, em colaboração com o sector bancário, de uma série de medidas de apoio específicas para as pequenas e médias empresas (PME), como “a prorrogação da medida de pagar apenas os juros e não o capital e do Plano de ajustamento de reembolso a favor das PME, ou a implementação de planos alternativos para as ajudar eficazmente”.

      O deputado eleito pela via directa falou ainda no plano de “lojas com características próprias”, dizendo que a promoção desta iniciativa deve ser feita também em mandarim, inglês e português, por exemplo, acrescentando que as autoridades devem divulgar melhor os critérios e indicadores para a avaliação das lojas com características próprias e criar itinerários turísticos para estas zonas, de forma a atrair mais turistas.

      Outro dos deputados que falou ontem sobre o assunto foi Leong Sun Iok, assinalando que “nem todas as lojas conseguem partilhar dos frutos do aumento do número de turistas” e que “o desequilíbrio do desenvolvimento económico não agrada a todos”.

      Leong Sun Iok sugeriu que o Governo tome como referência as medidas de benefício ao consumo lançadas no interior da China, avançando com “medidas de benefício ao consumo para estimular a economia, que também podem aliviar, em certa medida, os encargos dos residentes”. Por outro lado, sugeriu também que o Governo aperfeiçoe o regime de licenciamento, “dê um passo em frente para encurtar o tempo e acelerar a eficiência dos trabalhos de apreciação dos pedidos através dos serviços ‘one-stop’ de emissão de licenças e reforce os trabalhos de formação dos recursos humanos das PME”.

      Em conclusão, o deputado ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) aproveitou para apelar aos proprietários “para entenderem a pressão das micro e PME e que as aliviem no que respeita às rendas, para se ultrapassar em conjunto os tempos difíceis que as mesmas estão a viver”.

      Lo Choi In, por sua vez, apontou para a “situação miserável do mercado durante os feriados e o encerramento de várias lojas comerciais, incluindo algumas lojas de marcas antigas”. “Não é de espantar que uma loja antiga feche, mas se várias fecharem portas ao mesmo tempo num curto espaço, tal vai afectar directamente os rendimentos dos residentes das camadas de base, a confiança do mercado e a recuperação em geral, e até pode provocar riscos financeiros sistemáticos. Assim, o Governo deve dar importância ao problema e não pode ficar indiferente”, frisou a deputada.

      Afirmando que “as pequenas empresas e lojas são pilares importantes de Macau”, salientou que o Governo “tem a responsabilidade de equilibrar o desenvolvimento da sociedade e não pode dar importância apenas ao número de turistas nas zonas turísticas ou às receitas do jogo, deve, sim, prestar também atenção ao ritmo desigual da recuperação e ao ambiente de sobrevivência e aos negócios das lojas situadas nos bairros comunitários”.

      Lo Choi In pediu que o Executivo lance medidas de incentivo ao consumo, tal como as que foram lançadas durante a pandemia, nomeadamente com descontos no consumo para todas as zonas e medidas para desviar turistas dos pontos mais visitados.

      Numa intervenção antes da ordem do dia com apenas dois parágrafos, Coutinho juntou-se ao coro, dizendo que “a economia de Macau vai de mal a pior com graves implicações sociais”. Segundo o presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), as PME “lutam com enormes dificuldades de sobrevivência devido à falta de clientela”.

      Coutinho defende que parte da culpa recai sobre as mudanças no sector do jogo e a “morte lenta” dos ‘junkets’: “O mercado de massas nos casinos está a atrair cada vez mais jovens do interior do continente e jovens locais, prevendo-se que no futuro os viciados do jogo sejam cada vez mais jovens”. Associando isto ao desemprego dos jovens, o deputado pediu também mais uma ronda de cartões electrónicos de consumo “para ajudar as famílias em dificuldades e desta forma aumentar o consumo interno”.