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      Nunca foi tão fácil aprender o Patuá

      Novo livro da autora macaense Elisabela Larrea reúne uma colecção de cartões de estudo que facilitam a aprendizagem e mantém viva a memória da língua Patuá. “Unchinho di Língu Maquista: Cartões de Estudo do Patuá” tem data de lançamento marcada para o dia 20 de Abril, sábado, às 14h30, no pavilhão polidesportivo do Tap Seac.

      O crioulo de base portuguesa, que se encontra em risco de extinção nas últimas décadas, com uma comunidade cada vez mais pequena de falantes, recebe uma nova adição ao material didático desta pérola da cultura Macaense. O livro, editado pelo Instituto Internacional de Macau e com patrocínio do Fundo de Desenvolvimento da Cultura, faz parte de uma série de diferentes plataformas criadas nos últimos anos, que buscam instigar o interesse do público pela aprendizagem deste património linguístico singular de Macau.

      Com menos de cinquenta residentes no território ainda fluentes na língua Maquista, na grande maioria senhoras acima dos 60 anos de idade, buscar não só preservar a cultura, mas também ensinar a língua à camada mais jovem da população, passou a ser o objectivo fulcral do trabalho da autora Elisabela Larrea, que é doutorada em Comunicação e investigadora devota da cultura e história de Macau.

      “Em Macau, já na década de 1930, muitos pais não queriam que os seus filhos aprendessem o Patuá. Preferiam ensinar a próxima geração a falar o português padrão, o que eles acreditavam que ajudaria a garantir melhores empregos e futuros”, diz Larrea.

      Ela própria macaense de oitava geração, não cresceu a falar a língua, mas foi instigada pela mãe, que já não falava muito Patuá, a buscar as suas raízes e compreender o que compunha a cultura do pequeno grupo étnico especial de Macau. Neste novo livro apresenta uma compilação de cartões de estudo (Flashcards) iniciados há sete anos, aos quais junta ilustrações simples e diferentes palavras originais traduzidas para três línguas: português, chinês e inglês. O livro funciona como um guia para os interessados em preservar a língua, também como património físico da cultura macaense.

      “Nos últimos anos, as opiniões mudaram e a nova geração percebeu que as línguas crioulas reflectem a história e a vida de pessoas em diferentes culturas. Muitos agora estão a recuperar o idioma e reaprendê-lo. Se compararmos com 20 anos atrás, há mais pessoas a falar o Patuá”, afirma.

      Foi em 2008, durante a produção do seu documentário “Filhos da Terra”, que entrou em contacto pela primeira vez com o grupo de teatro Dóci Papiaçám di Macau, declarado património intangível pela RAEM e pela República Popular da China. Após tornar-se membro, passou a ter mais contacto com a escrita e textos deste crioulo macaense, enquanto estudava as peças da famosa performance local. Esta experiência abriu-lhe os horizontes quanto à necessidade de expandir o material de aprendizagem existente e foi assim que, alguns anos mais tarde, deu início aos cartões de estudo, presentes agora nesta nova edição do IIM.

      É com o lançamento de “Unchinho di Língu Maquista: Cartões de Estudo do Patuá” que a autora proporciona o que ela diz ser uma “introdução” ao mundo da língua Patuá e uma plataforma de acesso a outras opções de estudo da língua, através do auxílio de audiovisuais presentes em diversas redes sociais e vídeos do YouTube, tudo à distância de um código QR.

      A sessão de lançamento do livro, aberta ao publico interessado, é uma coorganização do Instituto Internacional de Macau com o Hall da Cultura, e estará integrada na Feira do Livro da Primavera 2024, com a apresentação da autora.