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      Toninha encontrada morta em Cheoc Van deixa IAM em silêncio

       

      Uma toninha fêmea foi encontrada morta no final do mês passado na Praia de Cheoc Van, mas o Instituto para os Assuntos Municipais não divulgou nenhuma informação sobre o caso, contrariamente ao que tem feito noutras situações semelhantes. A situação foi denunciada pelo grupo Chief of Macau Ecology, que afirma ter testemunhado a recolha pelas autoridades do cadáver do animal, criticando a ocultação de informação por parte do Governo numa altura de alguma contestação com ambientalistas devido ao projecto de construção da ilha ecológica nas águas de Macau.

       

      Um grupo ambientalista referiu que o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) tem estado em silêncio no seguimento de um caso recente onde foi descoberto o cadáver de uma toninha na Praia de Cheoc Van. A Chief of Macau Ecology, página criada por activistas de protecção ambiental, alertou numa publicação nas redes sociais que foi encontrada uma toninha morta nas águas de Macau no dia 31 do mês passado, mas nada foi comunicado pelas autoridades ao fim de quase uma semana.

      Segundo o grupo, o cadáver da toninha foi descoberto na manhã desse dia. O responsável do grupo foi chamado pelos amigos ao local, tendo verificado que o animal em questão era uma toninha, de uma espécie biológica semelhante ao golfinho. A toninha fêmea adulta era cinzenta e preta, com cerca de 1,6 metros de comprimento, e metade da sua pele tinha sido removida devido ao impacto solar e das ondas. Apresentava também já alguns sinais de decomposição.

      A Chief of Macau Ecology apontou também que o corpo da toninha foi posteriormente tratado e removido pelos funcionários do IAM e da Alfândega, por volta das 9h35. Na sua publicação, disse esperar que as autoridades tomassem a iniciativa de fornecer mais informações sobre o acontecimento, como se fazia habitualmente em notícias semelhantes, que acabam por ser reveladas no mesmo dia. Não havendo “uma única palavra sobre o assunto”, a Chief of Macau Ecology decidiu assim revelar ao público o sucedido após cinco dias. “Se esta página não tivesse testemunhado a tempo e registado o incidente, creio que o público teria ficado na ignorância mais uma vez relativamente à morte de toninhas”, lamentou.

      A toninha é um animal selvagem de segunda classe sob protecção nacional e está classificado como “vulnerável” pela União Internacional para a Conservação da Natureza.

      Dessa forma, o grupo ambientalista mostrou-se preocupado com o facto de o IAM ter optado por manter o silêncio sobre o caso, uma vez que a comunicação de notícias semelhantes acontecia no próprio dia no ano passado. A notícia pode ser agora mais “sensível”, indicou o grupo, e o Executivo poderá ter receio de que o público associe a morte da toninha ao projecto da ilha ecológica, cuja polémica tem surgido nos últimos meses devido a um eventual impacto no habitat dos raros golfinhos brancos chineses e restante vida marinha.

      Recorde-se que o Governo anunciou o plano de construção da ilha ecológica perto da Praia de Hac Sá em resposta ao aumento de resíduos de construção urbana em Macau. O projecto recebeu uma chuva de críticas na sociedade e entre os activistas de protecção ambiental, e um relatório de estudo realizado por uma equipa de especialistas, encomendado pelo IAM, também destacou a necessidade de protecção dos golfinhos brancos chineses em Macau, nomeadamente nas águas onde estará a ilha ecológica. O Governo, por outro lado, insiste que a escolha da localização do projecto é a que “apresenta maior viabilidade”.

      Segundo os registos do IAM, o último caso divulgado sobre a descoberta de cadáver de toninhas foi em Fevereiro do ano passado, enquanto o de golfinhos brancos chineses foi no dia 5 de Junho de 2021, nas imediações do Centro Náutico de Hác-Sá. A Chief of Macau Ecology referiu ainda ter dúvidas sobre a ausência de mortes de golfinhos nos últimos três anos, dado que as actividades humanas no mar e a poluição têm vindo a aumentar com a construção da quarta ponte, bem como as obras de aterros e a retoma das actividades de viagens marítimas.

      “Embora se diga que as mortes de golfinhos até agora não estão directamente relacionadas com a ilha ecológica, bem como a forma como as autoridades reagem em casos de morte antes da construção da ilha, se houver mais mortes de golfinhos devido à degradação do habitat dos golfinhos, irá o público continuar a ser informado?”, questionou.

      Na mesma publicação, a Chief of Macau Ecology alertou ainda para a falta de investigação e conservação dos cadáveres de toninhas e golfinhos encontrados no território. Salientou que, no passado, o IAM costumava convidar peritos do Continente para ajudar na autópsia, de forma a obter informações genéticas usadas na elaboração de políticas de conservação de golfinhos, algo que o IAM não implementou nos últimos anos e optou apenas por cremar os cadáveres “por razões de higiene”.