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      Gaza tornou-se sinónimo de catástrofe em meio ano de guerra

      A mais mortífera guerra entre Israel e o Hamas, iniciada a 7 de Outubro de 2023, cumpriu ontem seis meses, sem um fim à vista, após tornar Faixa de Gaza sinónimo de devastação e catástrofe.

       

      Apesar de uma curta trégua de uma semana, em novembro, que resultou na libertação de cerca de 100 reféns em troca de 240 prisioneiros palestinianos, as sucessivas negociações não deram frutos, pelo que o conflito continua a ceifar vidas, na maioria de civis palestinianos, com Israel a acusar o Hamas de os utilizar como “escudos humanos”.

      O conflito foi desencadeado a 7 de Outubro de 2023 com o inédito ataque do movimento islamita palestiniano a território israelita, o que levou Israel a retaliar, prometendo que só terminaria com a ofensiva militar depois de “aniquilar” o Hamas.

      No entanto, 32.500 mortos e de 75.000 feridos em meio ano de conflito só na Faixa de Gaza, segundo o Ministério da Saúde do Hamas, são números demasiado pesados e muitas questões têm sido levantadas por líderes políticos e de organizações internacionais e não-governamentais.

      Uma destas questões e talvez a de mais difícil resposta, é colocada pelo jornal britânico The Guardian: como é que um exército moderno que alega capacidade para ataques de precisão chega a este número de vítimas colaterais na guerra contra o Hamas, um balanço que inclui 12.300 crianças mortas?

      Uma investigação citada pelo The Guardian pode ter parte da resposta: o sistema Lavender, tecnologia da Inteligência Artificial usada pelos israelitas, um algoritmo que segundo oficiais dos serviços de inteligência militar israelitas identificou 37.000 alvos potenciais a partir de ligações com o Hamas e no qual foi depositada total confiança para lançar ataques em Gaza.

      Mas não são só as vítimas humanas a contabilizar num conflito: há fome generalizada, uma ausência de cuidados de saúde básicos, a destruição em larga escala, num ambiente que lembra uma “carnificina”, tal como retrataram quarta-feira várias ONG que estão no terreno na Faixa de Gaza, como os Médicos Sem Fronteiras (MSF).

      “O problema é a ausência e proporcionalidade, a forma como as forças israelitas atingem os hospitais e os trabalhadores humanitários, sob o argumento de atingir o Hamas e outros grupos armados. Não restam praticamente hospitais, a destruição do Al-Shifa, o maior de Gaza, também não foi surpresa porque estava a ser sistematicamente atacado. Uma guerra contra toda a população, também pela privação de alimentos”, indicaram os MSF.

      Depois de Israel ter “ordenado à população da cidade de Gaza para se refugiar no sul do enclave, nomeadamente em Rafah, esta localidade junto à fronteira com o Egito tem agora seis vezes mais população que a original.

      O lixo amontoa-se, os alojamentos são precários, as crianças vivem sem condições mínimas, fugiram de suas casas e confrontam-se com bombardeamentos todas as noites, sem ir à escola desde Outubro. Cerca de 90% das escolas foram danificadas, e muitas abrigam pessoas desalojadas.

      O cerco israelita ao enclave também tem sido criticado pela comunidade internacional no seu todo, pois tem inviabilizado o envio de ajuda humanitária, alimentar e sanitária, agravando ainda mais a situação dos refugiados palestinianos.

      Europa e Estados Unidos criticam abertamente a postura intransigente do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, em aceitar um fim do conflito, mas continuam a fornecer-lhe armamento de forma incondicional.

      Do lado oposto, Irão e Rússia têm manifestado um maior cuidado no apoio declarado ao Hamas e às milícias a ele associados, com Teerão a preocupar-se sobretudo com o apoio ao movimento xiita libanês Hezbollah, de forma a tentar dispersar as tropas israelitas no conflito.

      Em declarações à agência Lusa, o vice-presidente do Observatório do Mundo Islâmico (OMI), João Henriques, admitiu que o conflito entre Israel e a Palestina vai perdurar, resultando de uma questão de enorme complexidade com raízes profundas na história de toda a região do Médio Oriente, marcada por motivos religiosos, persistentes disputas territoriais e até razões existenciais. “Trata-se pois, não tenhamos ilusões, de um conflito que perdurará no tempo, não sendo possível avançar com qualquer tipo de prognóstico relativamente ao seu final”, sustentou.

      Uma possível solução será a queda do regime de extrema-direita de Netanyahu, apoiada governamentalmente pelos judeus ultraortodoxos, tal como defendeu à Lusa o também académico da NOVA School of Law de Portugal. Filipe Pathé Duarte. “Face ao prolongamento do conflito com o Hamas, Israel vai ser palco de maiores protestos antigovernamentais que podem levar à queda do regime de Netanyahu. A curto prazo, esta turbulência política, que vai ser sustentada, vai dificultar a recuperação económica de Israel e sobretudo a mobilização durante a guerra, potencialmente desencadeando talvez a imigração de israelitas que acreditam que o seu modo de vida está ameaçado”, sublinhou. Lusa

       

      Ponto Final
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      Redacção do Ponto Final Macau