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      InícioCultura"The Peking Express", livro de James Zimmerman, vai ser adaptado ao cinema

      “The Peking Express”, livro de James Zimmerman, vai ser adaptado ao cinema

      “The Peking Express”, a história do maior assalto ferroviário na China, vai ser adaptada ao cinema. O livro, da autoria de James Zimmerman, foi apresentado em Macau recentemente, no âmbito do Festival Literário Rota das Letras. Ao PONTO FINAL, o autor da obra diz que esta adaptação ao cinema “é um reflexo da importância da história para a China e para o mundo“.

       

      O livro da autoria de James Zimmerman, “The Peking Express”, vai ser adaptado ao cinema. A obra do advogado norte-americano que trabalha em Pequim há 26 anos conta a história verídica daquele que é considerado o maior assalto ferroviário na China, em 1923. O livro, que conta com uma nuance que liga a história a Portugal, foi apresentado em Macau na última edição do Festival Literário Rota das Letras.

      Zimmerman disse agora ao PONTO FINAL que a adaptação “é um reflexo da importância da história para a China e para o mundo, tendo em conta o impacto que teve na altura”. Além disso, acrescentou, “toda a gente gosta de uma boa história de comboios”. O autor da obra confessou ao nosso jornal que, além de escrever o guião do filme, também vai estar envolvido na procura de locais para a rodagem – muitos dos quais serão exactamente os mesmos dos acontecimentos reais de há um século, na província de Shandong – e na ligação com as autoridades governamentais, por exemplo.

      O autor indicou que o filme é um projecto a longo-prazo, que “pode demorar anos” até estar nas salas de cinema. “É um processo épico levar um filme como este, com um elenco multinacional de centenas de pessoas, até à produção”, sublinhou.

      Enquanto advogado em Pequim, Zimmerman trabalha de perto com a comunidade de expatriados de longa duração na capital chinesa, tendo sido presidente da Câmara de Comércio Americana na China durante quatro mandatos.

       

      FILME SERÁ REALIZADO POR DAMING CHEN

       

      “The Peking Express” será realizado por DaMing Chen e produzido por Chris Lee. O projecto será uma coprodução que envolverá profissionais chineses e internacionais. A natureza internacional do projecto agrada ao produtor principal Chris Lee, antigo chefe de produção da Columbia-Tristar, que trabalhou em filmes como “Valkyrie” e “Superman Returns”, bem como longas-metragens chinesas, como “One Foot Off The Ground”, dos irmãos Huayi, e outros filmes que participaram em festivais asiáticos, nomeadamente “How To Win At Checkers (Every Time)” de Josh Kim.

      Ao site Hollywood Reporter, Lee descreveu o projecto como uma “grande oportunidade de cooperação transfronteiriça com um elenco internacional numa história com significado histórico tanto para a China como para o resto do mundo”.

      “As autoridades locais de Shandong mostraram grande interesse pela história e acolheram com agrado a oportunidade de filmar no local, nos vários sítios, com grande parte dos cenários ainda a existirem, após 100 anos”, disse DaMing Chen, realizador que teve a sua estreia no início da década de 2000 com projectos comerciais chineses, como “Manhole” (2006) e “One Foot Off the Ground” (2008). No ano passado, escreveu o êxito “Operação Moscovo”, protagonizado por Andy Lau, que rendeu cerca de 95 milhões de dólares. O seu próximo filme enquanto realizador será “Unspoken”, um ‘thriller’ que estreia no próximo mês no Festival Internacional de Cinema Fantástico de Bruxelas.

      “O talento [para “The Peking Express”] virá inevitavelmente de um conjunto multinacional”, indicou o realizador ao Hollywood Reporter, lembrando que muitos dos envolvidos no assalto ferroviário de 1923 eram de nacionalidade britânica, francesa, norte-americana, italiana, mexicana, alemã, dinamarquesa, além de chinesa. Chris Lee acrescentou: “O livro é de tirar o fôlego, que é ainda mais surpreendente por ser uma história verdadeira “.

       

      O ASSALTO E O ELEMENTO PORTUGUÊS

       

      A história tem mais de um século. Um comboio de luxo parte de Xangai, em 1923, em direcção ao interior inóspito do país. A bordo do comboio estão empresários e figuras de relevo de vários países. À espera deles na província de Shandong está um grupo de cerca de 700 bandidos fortemente armados, ex-soldados descontentes liderados por Sun Mei-yao, um carismático rebelde de 25 anos que estava decidido a libertar a sua província do jugo de um senhor da guerra.

      Os planos do grupo não se resumiam a assaltar os passageiros, incluíam também fazê-los reféns e usá-los como moeda de troca para forçar um governo chinês fraco a conceder-lhe um controlo autónomo sobre a sua terra natal. O assalto espoletou uma série de consequências: atrai a imprensa mundial, derruba um Presidente, faz avançar as ambições japonesas de se infiltrarem na China, inspira um êxito de bilheteira de Hollywood com Marlene Dietrich e alimenta as ambições revolucionárias de Mao Zedong.

      Este episódio envolveu um elenco de líderes mundiais, diplomatas e magnatas para tentarem a libertação dos reféns durante seis semanas, entre Maio e Junho de 1923. A história do que esses reféns sofreram é contada do ponto de vista de um dos grandes correspondentes estrangeiros da época, John B. Powell, que também se encontrava a bordo do comboio quando este foi atacado.

      Há, nesta história, um português que acabou por ser preponderante: José Batalha de Freitas, à data embaixador português na China que, além disso, liderava o corpo diplomático estrangeiro na China. O português foi quem mais fez pressão para que as autoridades chinesas fizessem tudo para libertar os reféns. Segundo Zimmerman, o Governo chinês não tinha nenhum plano nem solução para resolver a questão.