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      InícioOpiniãoOxigénio de Letras

      Oxigénio de Letras

      FOTOGRAFIA ELOI SCARVA

      Após mais um ciclo de falas sobre linguagem, comida, fotografia e outros eixos diferentes mas todos com Macau no umbigo, aqueles que passaram pelo Festival Rota das Letras, ficámos mais enriquecidos e esclarecidos sobre os significados de Macau e deste longo exercício de convivência cultural que construímos juntos na costa do Sul da China.

      O elogio ao Festival Rota das Letras é não apenas devido mas necessário. Tem uma função política de relevo para Macau, sobre o lugar que Macau pode e deve ter no contexto da Grande Baía e da sua relação e contributo político e cultural para com a Grande China.

      O Festival indica o caminho que Macau devia entender como essencial – tudo o resto deveria existir para além desse compromisso iniciático – nas suas políticas como cidade de cultura e como ponte de diálogo entre a China e o Ocidente: função que a cidade sempre teve durante os seus mais que quatro séculos de história.

      Os diálogos entre pontos de vista diferentes, correspondentes a mundos e cosmogonias que sendo distintas, correspondem a visões do mundo complementares, a saber, a chinesa e a europeia, (da qual o modus de estar no mundo português faz parte integrante) é essencial no contexto do mundo actual em que os diferentes blocos mundiais têm um número de pontos de diálogo cada vez mais reduzidos.

      Dizer o acima dito é relevante para mim enquanto Português que entende Macau como o seu lugar, mas igualmente para as comunidades Chinesa, Macaense e outras cuja prática de vida a partir de Macau lhes diz que a cidade cosmopolita, aberta,

      múltipla, condescendente, permissiva, Iluminista e Global que habitam, lhes permite manter e cultivar um ponto de vista sobre o mundo culto e livre. Alimentarmos esse tipo de sociedade é o maior contributo que Macau pode oferecer ao projecto da Grande China no século Vinte e Um.

      Manter esta condição aberta para Macau é essencial para a China, no seu exercício actual de construção de uma nação pluricêntrica.

      Por tudo isto, um sincero obrigado à equipa do Festival e ao Ricardo Pinto.

       

      Rui Leão

      Arquitecto

      Ponto Final
      Ponto Finalhttps://pontofinal-macau.com
      Redacção do Ponto Final Macau