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      InícioSociedadeRevitalização poderá causar “danos irreversíveis” no Pátio da Claridade, alerta urbanista

      Revitalização poderá causar “danos irreversíveis” no Pátio da Claridade, alerta urbanista

      O plano da revitalização do Pátio da Claridade está a preocupar os activistas de conservação de património. O grupo Lek Hang anunciou na semana passada que iria tornar o local numa rua de gastronomia para atrair turistas a visitar a zona do Patane. Contudo, a urbanista Lei Hoi Ian salientou que o Pátio da Claridade é o maior pátio remanescente em Macau e o que está melhor preservado, e que as obras de revitalização poderão causar danos irreversíveis ao conjunto devido à falta de medidas de preservação.

       

      A conservação deve ser o pressuposto para a revitalização dos bairros antigos para evitar a exploração excessiva do turismo e comércio, argumenta a urbanista da associação Root Planning, Lei Hoi Ian, criticando o próximo plano destinado a revitalizar o Pátio da Claridade, que será conduzido por uma empresa local.

      A profissional de planeamento urbanístico sublinhou que a situação e a autenticidade do complexo do Pátio da Claridade estão relativamente bem preservadas, pelo que a revitalização do conjunto de edifícios desta natureza “é muito sensível” e é fácil causar danos irreversíveis.

      Descrevendo que a paisagem histórica da zona do Porto Interior já “se fragmentou” e a prosperidade do porto no passado só pode ser vista em edifícios isolados, Lei Hoi Ian apontou que o Pátio da Claridade, enquanto espaço comunitário, reflecte a história e a vida da zona nos tempos antigos.

      “O Pátio da Claridade é o último espaço com elementos complexos que resta no Porto Interior. O património cultural mais importante do Porto Interior são as varandas, os cais e os pátios e becos. Destes, o Pátio da Claridade é o que está melhor preservado e o maior pátio não explorado”, salientou Lei, em declarações ao Jornal Cheng Pou.

      Recorde-se que o grupo Lek Hang, de Macau, avançou que vai iniciar um projecto de revitalização do Pátio da Claridade, situado perto do Porto Interior e da Barra. O conjunto é composto por 48 edifícios residenciais de dois andares em tijolo de estilo arquitectónico chinês e também português e do sul da Europa. É rodeado pela Rua do Almirante Sérgio, Rua da Praia do Manduco, Travessa da Assunção e Pátio de Hong Fat. Contando com uma história de mais de um século, a zona foi um lugar próspero de distribuição de capturas dos pescadores, onde os apartamentos também foram arrendados pela Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM) a idosos.

      A empresa afirmou que iria introduzir a exploração de negócios na zona com dezenas de restaurantes de comida típica, bem como uma pensão, estabelecendo-se “uma referência nas zonas urbanas antigas do Porto Interior, atraindo os turistas a consumir e permanecer na zona”.

      Na opinião de Lei Hoi Ian, “não há falta de sítios para comes e bebes em Macau” e os turistas hoje em dia, quando viajam, andam à procura da singularidade de outros lugares, nomeadamente o ambiente histórico.

      As autoridades das Obras Públicas emitiram em 2011 a planta de alinhamento oficial do Pátio da Claridade que estipulava a conservação dos edifícios existentes. O seu projecto de planta de Condições Urbanísticas foi apresentado ao Conselho de Planeamento Urbanístico (CPU) mais recentemente em 2022, passando a exigir apenas a manutenção das características da fachada e do telhado do complexo. Apesar disso, o CPU deu deferimento ao projecto por esperar “mais flexibilidade” para “não restringir a revitalização e o desenvolvimento do promotor” do Pátio da Claridade.

      Lei Hoi Ian, neste caso, realçou que o valor histórico do Pátio da Claridade é muito elevado e que só a preservação das características da fachada e do telhado é “uma condição de planeamento pouco rigorosa”, e que não é suficientemente forte para conservar o valor do espaço histórico. “Se avançar com o projecto da revitalização, o Instituto Cultural deve emitir condições de planeamento mais pormenorizadas e claras, incluindo requisitos relativos a armação das janelas e letreiros, para evitar prejuízos nos pormenores arquitectónicos do Pátio da Claridade”, observou.