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      InícioCulturaAs contradições e oscilações de Camilo Pessanha

      As contradições e oscilações de Camilo Pessanha

      No último dia do Festival Literário Rota das Letras, falou-se de Camilo Pessanha. Numa sessão intitulada “Pessanha em Macau. Macau em Pessanha”, conduzida por Vera Borges, Adam Mahler e Duarte Drumond Braga acompanharam o poeta e algumas das suas contradições.

       

      “Pessanha em Macau. Macau em Pessanha”, foi o título de uma das sessões que decorreu no último dia do Festival Literário Rota das Letras. Aqui, foi analisado o papel do poeta na região, e o papel da região no poeta, encontrando pelo caminho algumas contradições e oscilações na sua obra.

      A sessão, moderada por Vera Borges, contou com a participação de Adam Mahler, licenciado em literaturas inglesa e portuguesa pela Universidade de Yale e especialista em literatura medieval e poesia portuguesa contemporânea, sendo também tradutor de “Clepsidra” para língua inglesa. Nesta sessão também participou Duarte Drumond Braga, investigador, poeta e professor na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, tendo também “Salitre”, uma edição de ensaios de Camilo Pessanha sobre a China, no ano passado.

      Duarte Drumond Braga começou por falar sobre “China e Macau”, um livro em que compilou e organizou estudos e traduções de Camilo Pessanha acerca da China e de Macau, e depois abordou também “Salitre”. Aqui, o investigador nota que Pessanha oscilava muitas vezes entre a sinofilia e a sinofobia, com textos em que usava um tom crítico e outros mostrando grande admiração face aos costumes chineses.

      Por outro lado, Duarte Drumond Braga também descreveu Camilo Pessanha como sendo “moderno sem ser modernista”. Por um lado, o poeta acompanha o modernismo, porém, coloca-se à margem do movimento, explicou. Finalmente, o investigador também recusou chamar meramente “autor simbolista” a Pessanha, uma vez que “ele sai muito fora do simbolismo” e usa muitas outras estáticas na sua poética. “Não precisa de ser associado apenas ao simbolismo”, sublinhou.

      A presença de Pessanha em Macau também foi abordada por Adam Mahler, apontando para o facto de o poeta não gostar de grandes urbes, ao mesmo tempo que não considerava Macau uma cidade, por oposição à muito mais desenvolvida Hong Kong, à época.

      Nesta sessão, houve ainda tempo para o poeta e ensaísta chinês Huang Lihai ler em chinês um poema de Pessanha em língua chinesa. Huang Lihai é também o fundador da revista Poetry and People, conhecida como a primeira revista privada da China nos tempos recentes. Em 2005, criou o prémio internacional de poesia Poetry and People, conhecido como o Prémio Nobel da Literatura da China. Além disso, Huang Lihai recebeu distinções como o Prémio Anual de Artista da Phoenix TV, o 2.º Prémio Anual de Poeta Notável de Changhuai e a nomeação como Embaixador da Comunicação Internacional de Imagem da Cidade de Guangzhou. As suas obras mais representativas incluem “I Know Little about Life”, “Feed Rainbows to the Birds”, “Who Can Outrun Lightning” e “Under the Window”.