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      “Temos de transmitir as tradições da gastronomia de Macau para que não se perca esta tão importante faceta dos macaenses”

      Graça Pacheco Jorge vai hoje participar numa das sessões do Festival Literário Rota das Letras, juntamente com Annabel Jackson e Barrie Sherwood, onde a gastronomia de Macau será o tema principal. Em entrevista ao PONTO FINAL, Graça Pacheco Jorge, que tem dedicado parte da sua vida à cozinha macaense, assegurou que não deixará que a gastronomia de Macau seja esquecida.

       

      No âmbito do Festival Literário Rota das Letras, realiza-se hoje, pelas 18h30, na Casa Garden, a sessão “Escrever a cozinha de Macau: Das receitas à pesquisa e à ficção”, que contará com a participação de Graça Pacheco Jorge, Annabel Jackson e Barrie Sherwood. Graça Pacheco Jorge, neta de José Vicente Jorge, tem-se dedicado à partilha da cozinha macaense e, em 1992, publicou “A Cozinha de Macau de Casa do Meu Avô” e é, além disso, Confreira de Mérito da Confraria da Gastronomia Macaense. Em entrevista ao PONTO FINAL, sugere que haja um esforço maior para promover a gastronomia local. “Se não contribuirmos para a divulgação da cozinha de Macau, as próximas gerações não vão saber o que é. Temos de transmitir as tradições da gastronomia de Macau para que não se perca esta tão importante faceta dos macaenses”, afirmou. Graça Pacheco Jorge garantiu ainda que fará a sua parte para que a cozinha de Macau não caia no esquecimento.

       

      Ao longo dos anos, tem-se dedicado à promoção e divulgação da gastronomia de Macau. A cozinha de Macau é já conhecida no mundo, e em Portugal, em particular?

      Eu fiz o meu livro [“A Cozinha de Macau de Casa do Meu Avô”], cuja primeira edição saiu em 1992, porque quando cheguei a Portugal reparei que as pessoas não sabiam que existia uma gastronomia macaense. Por isso é que decidi pegar nas receitas familiares. Daí o título “A Cozinha de Macau de Casa do Meu Avô”, porque são receitas de família. Queria dar a conhecer a nossa gastronomia, pelo menos aos portugueses. Em 2014, saiu no Instituto Cultural uma outra edição bilíngue, que permite que mais pessoas fiquem a conhecer a nossa gastronomia.

       

      Agora as pessoas conhecem mais a gastronomia macaense?

      Conhecem mais. Os amigos que iam a nossa casa comiam a cozinha de Macau e gostavam. No ano passado, um amigo de Macau, o Hélder Beja, fez um pequeno restaurante em Lisboa [“Miss Dumpling”] e eu às vezes vou lá fazer cozinha de Macau. E durante muitos anos fiz ‘workshops’ nas escolas de hotelaria através do Turismo de Macau e ia à Casa de Macau às quartas-feiras fazer o almoço.

       

      Então essas iniciativas têm feito com que as pessoas se aproximem mais desta gastronomia…

      Pois, ficam a conhecer.

       

      E a cozinha de Macau tem potencial para ser um elemento distintivo na região?

      Sim. Acho que é fundamental que as pessoas que visitam Macau possam escolher um prato de Macau. Não é comida portuguesa, é de Macau, é especial. É preciso que se explique às pessoas que vêm a Macau e que procuram cozinha de Macau que uns pratos são macaenses e outros são apenas portugueses.

       

      Há restaurantes que não fazem a distinção, não é?

      Pois, eu acho que devia haver mais cuidado e que se explique bem que determinado prato é de cozinha macaense ou portuguesa.

       

      A gastronomia é um factor que ajuda a preservar a identidade de Macau?

      Sim, sem dúvida. Se não contribuirmos para a divulgação da cozinha de Macau, as próximas gerações não vão saber o que é. Temos de transmitir as tradições da gastronomia de Macau para que não se perca esta tão importante faceta dos macaenses.

       

      Acha que está em risco?

      Da minha parte, não vou deixar que a gastronomia de Macau seja esquecida. Espero que haja mais pessoas como eu, que insistem em preservar esta herança tão importante da nossa terra.

       

      Acha que as autoridades e as instituições de Macau têm feito o suficiente para promover a gastronomia da região?

      Não tenho visto grandes promoções, mas eu também tenho estado bastante afastada do que se tem passado. Mas leio os jornais com atenção e vejo que há alturas em que se fala na cozinha de Macau e que se promovem eventos de gastronomia, mas gostava que houvesse mais interesse.

       

      É também Confreira de Mérito da Confraria da Gastronomia Macaense. Como é que avalia o trabalho da Confraria?

      Podia ter mais iniciativas. Há uns anos que eu não sei o que é que a Confraria tem feito para divulgar a gastronomia.

       

      Que tipo de iniciativas gostava de ver?

      Que divulgassem para fora de Macau. O papel da Confraria é divulgar a nossa gastronomia. Pelo que sei, isso não está a acontecer.

       

      O que é que irá abordar na sessão do Festival Literário?

      Vou falar sobre tudo isto e também sobre a minha herança gastronómica que os meus avós me deixaram, Vicente Jorge e Matilde Pacheco Jorge. As receitas manuscritas que eu herdei.

       

      Tem agora novos projectos nesse âmbito da preservação e promoção da gastronomia aqui da região?

      Já não tenho muita idade para planear coisas novas, mas quero sobretudo recolher tudo o que o meu marido, Pedro Barreiros, escreveu e deixou. Fazer algo para recordar o Pedro.