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      Banda de Hong Kong revisita clássicos do rock & roll e blues dos anos cinquenta no Roadhouse

      Os Black Lodge Cabaret tocam vintage rock dos anos cinquenta. Adoptando as indumentárias, penteados e estética das bandas da época, percorrem estilos como o blues, rock & roll e surf rock, revisitando clássicos de mestres como John Lee Hooker. Tocam no dia 16 de Março.

       

      Paul Thompson (baixo), Carl Hollingsworth (bateria), e Philip Emond (guitarra e voz) são um trio de Hong Kong e vêm a Macau pela primeira vez, actuando no Roadhouse a 16 de Março. Ao PONTO FINAL, o guitarrista Philip Emond explicou que, embora alguns membros se conheçam e toquem juntos em outros projectos há já vários anos, este Black Lodge Cabaret tem apenas um ano.

      Quando chegou a Hong Kong há 16 anos, não conhecia nenhum músico, e viu um cartaz com o baixista Paul Thompson, membro dos Red Stripes, uma conhecida banda de ska com 12 membros que já actuou no Clockenflap. “Achei que ele tinha um ar tão cool, e pensei que o queria conhecer”.

      Devido a várias mudanças de membros de bandas, os três músicos acabaram por começar a tocar juntos, criando este projecto que presta homenagem ao Rock & Roll. “Sou fã do género, e do conceito em si, porque para mim, rock & roll é sinónimo de liberdade”, começou por explicar Philip Emond, acrescentando que com a idade começou a ganhar mais interesse pelo estilo específico do rock dos anos 50. “Quando és mais novo, gostas de tocar o estilo que está na moda, mas quando ficas mais velho, começas a ouvir música mais antiga”. Depois, o estilo em si contém os elementos que fazem com que tudo seja desafiante. “O estilo rockabilly tem elementos de blues, jazz, de guitarra dedilhada”. A circunstância da pandemia foi o contexto ideal para o músico se dedicar à prática deste estilo em particular, acrescentou.

      Segundo o membro da banda, os Black Lodge Cabaret são sinónimo de celebração da vida. “Porque a música que tocamos é na sua maioria dos anos cinquenta, ela é uma música muito festiva. Vejo-a ligada ao período do fim da segunda guerra, em que as pessoas se queriam divertir e celebrar a liberdade”. Mesmo apesar de serem letras por vezes de blues, Philip Edmond vê-as sempre como uma expressão alegre. “O lado técnico da guitarra, as histórias, a alegria que ela transmite, fazem com que este estilo tenha excelentes elementos”, partilhou. E alegre é também o processo de os membros da banda se vestirem a rigor com roupas da época.

      Quanto ao nome Black Lodge, ele bebe inspiração de referências que Philip e Paul partilham. “Vem da série Twin Peaks, do David Lynch, de uma cena em que as personagens estão numa sala com um chão aos quadrados pretos e brancos. Esse era o black lodge”. Por outro lado, há também um piscar de olho brincalhão à maçonaria e sociedades secretas. “É apenas para ser engraçado”.

      As guitarras que os músicos usam são de corpo oco, para que se consiga ter o tom adequado para a reprodução das canções, para além de estas “também terem a estética certa”, explicou o músico. “Tocar uma guitarra de corpo oco é semelhante a tocar uma guitarra acústica, que é conveniente porque neste estilo usa-se muito o dedilhar das cordas”, esclareceu. Outra técnica que os músicos usam é a de usar ‘reverb’ para a sonoridade específica da música surf. “Adoro aquele som, e também é divertido ter músicas instrumentais, que costumam ser o momento alto dos nossos espectáculos”. Será que o público que assiste às suas actuações é fã do filme Pulp Fiction?, perguntámos, ao que o músico admitiu que talvez seja possível. “É engraçado, até a minha mulher que nunca ligou muito a quando eu estou a ensaiar prestou logo atenção quando comecei a tocar essas canções”. De resto, no geral, todas as canções que o trio toca são para Philip Emond uma boa maneira de continuar “fresco” e desafiado como músico, já que estas exigem muita preparação e dedicação.

      A vinda a Macau vai acontecer pouco depois de outra actuação em Hong Kong, onde a banda estará no seu formato cabaret, convidando outros músicos para ‘contracenar’ em palco. Já contaram com a presença de uma cantora de r&b e de um tenor que costuma cantar Elvis e Chuck Berry, e já tiveram outras actuações com adivinhos, mágicos, comediantes ou dançarinas burlescas. “O conceito em última instância é o de recriar os cabarets à antiga. Vejo o projecto mais como uma noite de música em torno de um tema”.