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      InícioCulturaHábitos de leitura em Macau melhoraram depois da epidemia

      Hábitos de leitura em Macau melhoraram depois da epidemia

      Durante a pandemia observou-se um aumento de livros alugados em bibliotecas da cidade, uma tendência nunca antes observada e que, mesmo após o regresso ao ritmo normal da sociedade, tem perdurado. Macau prepara-se agora para acolher mais iniciativas de promoção da leitura no próximo dia 23 de Abril, Dia Mundial do Livro, e de “Leitura Conjunta pela Cidade”.

       

      O 34.º Festival Internacional de Artes de Macau e as celebrações do Dia Mundial do Livro foram os dois temas centrais em destaque na reunião do Conselho Consultivo para o Desenvolvimento Cultural de ontem, para além de serem ainda analisados os pedidos de reconhecimento de duas pessoas colectivas.

      Leong Wai Man, presidente do Instituto Cultural (IC), que assume a vice-presidência do referido conselho, recordou aos jornalistas presentes que Macau quer desenvolver-se como uma “cidade da leitura” e promover a adopção de hábitos de leitura na população. Em colaboração com a Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), o IC preparou uma série de actividades nesse sentido, coincidindo com o Dia Mundial do Livro, que anualmente é assinalada a 23 de Abril. O “Dia de Leitura Conjunta pela Cidade”, acrescentou ainda Ieng Weng Fan, membro do mesmo conselho, já foi organizado em anos anteriores, e tem vindo a contar com cada vez mais actividades e participantes, indicou.

      A 23 de Abril estão previstas sessões de leitura de meia hora em Macau, Hong Kong e na província de Guangdong, uma actividade que já se realiza há vários anos em que alunos das três regiões lêem textos seleccionados. “Este ano vamos ter um ponto de leitura em frente às ruínas de São Paulo”, acrescentou Leong Wai Man, indicando ainda que também irá decorrer um concurso de textos originais, para além de outras iniciativas no âmbito da Semana da Biblioteca de Macau, entre elas a troca de livros, jogos em tendas, workshops, palestras ou a distribuição de livros.

      Destacando os resultados positivos do último ano, Ieng Weng Fan indicou que em 2023 cerca de 1.200 textos foram submetidos no concurso de criação de narrativas originais, número que já foi ultrapassado nesta edição do concurso, tendo sido recebidos 1.700 textos até à data, apesar de ainda não terminado o prazo de submissão. “Muitos alunos, depois de terem lido livros, começaram a ganhar o gosto pela redacção”, observou.

      Fazendo um balanço da iniciativa, Leong Wai Man revelou que no ano passado cinquenta entidades colaboraram com as celebrações do Dia Mundial do Livro, colaboração que contou com mais de 16 mil participantes. Este ano é esperada a participação de 46 mil pessoas, avançou, resultado da “acumulação de experiências” que leva a que o evento seja cada vez mais “apoiado pelos cidadãos, entidades ou empresas”, sustentou.

      No geral, os hábitos de leitura no território têm melhorado, numa mudança que surgiu por consequência da epidemia. “Claro, o número de empréstimos durante a epidemia aumentou significativamente. Depois da normalização, muitas pessoas ganharam o hábito de leitura. Portanto, o número agora é muito mais alto do que antes da epidemia”, indicou a responsável.

      No fim de semana passado, na Ilha Verde e no Iao Hon, recordou a vice-presidente do conselho, decorreram trocas de livros usados, iniciativa que o IC pretende estender a outras zonas da cidade. Também no ano passado foram disponibilizadas diversas bibliotecas ‘pop up’ em vários pontos da cidade, acrescentou. Em cooperação com a DSEDJ, em 2023 foi ainda lançado um programa de incentivo ao aluguer de livros para bebés, para promover a adopção do hábito desde pequeno, para além de terem sido instaladas nas escolas da cidade máquinas de devolução de livros das bibliotecas, algo que permite que os estudantes aluguem livros de uma forma mais fácil, referiu. Quanto à compra de livros, o Governo continua a acompanhar as necessidades dos estudantes, garantiu a dirigente, e têm sido adquiridos livros tanto para as bibliotecas como para as escolas.

       

      FAM e a literacia para as artes

       

      Relativamente à edição deste ano do Festival de Artes que terá início em Maio, estão previstos os habituais espectáculos com grupos locais e internacionais com programas de teatro, ópera, dança e música. “Cada vez que organizamos o Festival Internacional de Artes queremos introduzir em Macau programas diversificados e assim aumentar o interesse da população em relação às artes”, lembrou Leong Wai Man. Existe ainda o intuito de “aumentar a literacia” quanto à apreciação de programas artísticos. “Sempre usámos este critério”.

      Oferecer programas que sejam virados para famílias é, segundo a responsável, um “elemento importante”, que já tem sido aposta do Governo há vários anos, defendeu, algo que, de resto, sempre foi bem recebido pela população com “pais a levarem os seus filhos para assistir a espectáculos de diferentes lugares”. Essas actuações, lembrou ainda a presidente do IC, têm a característica de não dependerem de uma língua específica, por recorrerem à dança e gestos, algo que faz com que este tipo de programas “seja muito bem acolhido”.

      O programa anunciado é semelhante ao do ano anterior, argumentou, com alguns espectáculos “clássicos e de grande envergadura”. Para a edição que irá decorrer entre Maio e Junho estão previstas actuações de grupos, artistas e orquestras do Reino Unido, Austrália, França, Itália, entre outros, e ainda os programas tradicionais, que promovem o património intangível, de ópera chinesa e teatro em patuá. Esta edição, referiu, contará ainda com actuações da Orquestra Chinesa de Macau, teatro para crianças mais pequenas, e, claro, programas de grupos locais, “que é essencial promover”.