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      FMI prevê que economia da RAEM vá crescer 13,9% em 2024

      Técnicos do Fundo Monetário Internacional (FMI) estiveram recentemente em Macau para avaliar a situação financeira e macroeconómica local, prevendo que esta vá crescer 13,9% em 2024, uma tendência que, na perspectiva dos especialistas, resulta da aposta nos sectores não-jogo e integração na Grande Baía.

       

      Entre 21 de Fevereiro e 6 de Março, uma equipa técnica de especialistas do Fundo Monetário Internacional (FMI) esteve no território para a elaboração de uma declaração preliminar relativa à avaliação da macroeconómica e da situação financeira da RAEM. A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) recordou a visita que foi realizada no âmbito da “Consulta ao abrigo do Artigo IV à Região Administrativa Especial de Macau (RAEM)”, destacando a previsão avançada pelos especialistas de que este ano a economia local vá crescer 13,9%, e que em 2025 Macau regressará aos níveis pré-pandémicos.

      Sublinhando a sólida recuperação económica do território em 2023 na sequência do levantamento das restrições pandémicas na China, os peritos abordaram também outras questões menos positivas como os “juros elevados e concorrência do comércio online e regiões vizinhas do interior da China”, pressões que afectaram a recuperação das PME’s da cidade. “A economia da RAEM registou uma expansão de 80,5% em 2023, impulsionada por um aumento das exportações de serviços após o levantamento das medidas de contenção da Covid-19 pela China Continental”, recordou o FMI, acrescentando que “o sector do jogo teve um desempenho excepcional, impulsionado pelo segmento do turismo de massas”, assim como as exportações de serviços não relacionados com o jogo, que “também registaram uma forte expansão”. No entanto, segundo a avaliação, a dinâmica de crescimento abrandou no último trimestre de 2023 e a recuperação foi “desigual”. Ainda assim, a subexecução das despesas correntes e o acréscimo das receitas do jogo permitiram que no ano passado se consolidassem as políticas orçamentais, referiu a mesma análise, com a AMCM a seguir a Autoridade Monetária de Hong Kong e da Reserva Federal dos EUA e a aumentar a taxa de juro de base em 525 pontos base.

      Quanto ao ano corrente, o FMI diz que a subida dos 13,9% se prende com a continuação da recuperação do sector do jogo e “sólidos investimentos privados, em parte ligados ao compromisso das concessionárias em investirem em sectores não relacionados com o jogo”, acrescentando que a trajectória de crescimento a médio prazo dependerá do “ritmo de integração da RAEM na Grande Baía, e do êxito dos esforços de diversificação económica”. Foi, aliás, sugerido que a RAEM procedesse a uma reforma económica geral, aproveitando, de forma plena, todas as oportunidades decorrentes da sua integração na Grande Baía. Também se fez referência à necessidade de  “investimentos públicos em capital humano” e à simplificação dos requisitos para contratar trabalhadores qualificados do exterior, de forma a ajudar as empresas de Macau “a competir por talentos estrangeiros”, vitais para diversificar a economia.

      Antevendo que o crescimento em 2024 se estabilize em 3% a médio prazo, a mesma declaração referiu que a inflação deverá subir de 1% em 2023 para 1,7%  no ano corrente, algo que advirá de factores como redução do diferencial do produto e o aumento dos salários.

      Elogiando a robustez da banca da RAEM, e seu elevado capital e liquidez, os especialistas do FMI garantiram que o sistema financeiro de Macau consegue “resistir a choques externos”, como os que podem advir da “contenção” do mercado imobiliário do interior da China. Ainda assim, os peritos do FMI deram várias recomendações à banca local, em particular a necessidade de gradualmente reduzir a intervenção de políticas governamentais que perduram dos anos da pandemia, e melhorar também a dependência do sistema bancário nos tribunais. Nesse sentido também, foi aplaudida a reformulação do regime jurídico do sistema financeiro, algo que permitiu o estabelecimento de uma base jurídica para a promoção da inovação financeira, recordou a AMCM.  A equipa recomendou ainda que, paralelamente à actual e necessária modernização digital, se deva também reforçar investimentos nas infra-estruturas, educação, formação profissional e cuidados de saúde.

      O FMI irá publicar o “Relatório de conclusões dos membros da equipa técnica da consulta ao abrigo do Artigo IV de 2024” no prazo de três meses, acrescentou a AMCM.