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      Espaço de Reiki, taças tibetanas e outras técnicas holísticas abre no centro da cidade

      “Soul Healing Macau” é um novo espaço que há meio ano inaugurou no edifício Si Toi, na Praia Grande. A proprietária, Ganaa Ávila, pretende dar a conhecer ferramentas de relaxamento como as taças tibetanas, cristais e Reiki, ferramentas que diz serem muito úteis para as pessoas que trabalham em Macau.

       

      Foi num espaço decorado em tons pastel e com referências orientais que nos recebeu a dona do espaço “Soul Healing Macau”, Ganaa Ávila, que reside em Macau há vinte anos e é natural da Mongólia. A abertura do local surgiu em Setembro de 2023, na sequência de um trabalho de desenvolvimento de capacidades esotéricas que a terapeuta diz virem da sua linhagem ancestral.

      Explicando ao PONTO FINAL que o seu país é rico em tradições xamânicas, partilhou que na sua família o irmão e outros membros foram iniciados neste tipo de práticas, mas que, no seu caso, precisou de fazer outro caminho para compreender esta faceta oculta da sua personalidade. “Quando nasci, disseram-me que eu tinha esse tipo de dom, e quiseram que eu fosse ter com um xamã, mas eu nunca quis, porque na altura era um pouco assustador para mim este tipo de coisas. Mas desde pequenina que sempre senti a energia das pessoas, é algo que existe muito na minha família”.  Depois de estar estabelecida na sua vida como “uma boa esposa, e uma boa mãe”, sentiu que queria fazer algo para contribuir para o mundo, ajudando pessoas.

      Esta vontade fê-la iniciar um processo de estudos e formações, primeiro em Ulan Bator, na Mongólia, depois em Kathmandu, em Banguecoque, e agora em Hong Kong, onde está a concluir um curso de hipnose clínica. “A primeira coisa que fiz foi ir visitar a minha avó do lado da minha mãe, que tem agora 98 anos, mas está em óptima forma”. O irmão mais novo, que é xamã, e o resto da família apoiou e incentivou a busca espiritual.

      Foi numa pesquisa na Internet que lhe surgiu a informação do Reiki, técnica de terapia energética que já lhe tinha sido introduzida por uma familiar portuguesa em Macau. “Ela ensinou-me imenso sobre este tipo de técnicas”. Na Mongólia, conheceu uma mestre de Reiki que a iniciou na técnica através de uma formação online que exigia 21 dias de isolamento e vegetarianismo. ‘Não falava com os meus amigos, eles ficaram muito surpreendidos. Mas o meu marido apoiou-me sempre”. Recordando esse processo, que envolvia exercícios de yoga, respiração e auto-limpeza diária do seu campo energético, Ganaa Ávila diz que a experiência acordou em si a energia ‘kundalini’. “Na altura não sabia o que era. Quando o meu corpo na zona pélvica começou a mexer-se, fiquei assustada, porque na Mongólia aprendemos que quando isto acontece, é sinal de que temos de ir ver um xamã”.

      Depois, seguiu para Kathmandu para um curso onde aprendeu a usar taças tibetanas e a fazer os dois níveis de iniciação ao Reiki. “Era completamente diferente do que eu tinha aprendido na Mongólia, mais centrado nos chakras e este tipo de conhecimento”. Quando lhe propuseram aceder ao nível de mestre, recusou, preferindo adquirir experiência, lançando-se antes na missão de praticar a técnica em 100 pessoas antes de adquirir a certificação de mestre.

      O espaço que abriu em Macau vem, nesse sentido, servir como plataforma para ganhar experiência das técnicas adquiridas, mas também simplesmente para ajudar pessoas, partilhou. A iniciativa foi feita também em preparação para outra etapa que virá daqui a três anos, altura em que irá viver para o Alentejo, em Portugal, para acompanhar a ida de um dos filhos para a universidade. “Já instalei uma yurt, já plantei árvores, e pretendo ter um espaço para retiros onde poderei continuar a desenvolver estas práticas”.

       

      MACAU SOFRE DE ANSIEDADE

       

      A recepção ao espaço em Macau até agora, partilha, tem sido positiva, até porque decidiu não cobrar preços elevados, para que mais pessoas possam beneficiar das suas sessões. No “Soul Healing Macau”, por 250 patacas é possível usufruir de sessões de uma hora de Reiki, Terapia de Som e Pintura de Mandalas. “As sessões de Reiki são individuais, e as sessões de ‘sound bath’ são de no máximo três pessoas”, explicou. Cerca de 80% das marcações que recebe são para sessões de Reiki. “Quando estão aqui, entram num estado de relaxamento profundo, e por vezes também choram, por libertarem emoções. Também dizem que sentem a energia a circular no corpo”.

      A dona do espaço holístico partilhou que não basta praticar desporto e ter uma alimentação saudável – o equilíbrio entre corpo, mente e alma são essenciais. Os estados de relaxamento profundo em que os seus clientes entram durante as sessões de Reiki ou sobretudo de “sound healing”, explicou, permitem que estes entrem em estados ‘Delta’, que diz serem frequências de cura em que se libertam emoções profundas.

      Sobre as pessoas que têm visitado o seu espaço, Ganaa Ávila diz que a maioria são chineses e macaenses, recebendo ainda muitos advogados de profissão. “Não sabia que havia assim tantas pessoas em Macau a sofrer de ansiedade. Em alguns minutos vejo a mudança. Ficam mais calmos, mais relaxados e a gostarem mais de si próprios, e também espalham esse amor pela família e amigos”. A terapeuta diz que as pessoas que trabalham em Macau, muitas vezes com a pressão de horas extraordinárias, carregam muito stress. Se fosse por si, acrescenta, as empresas deveriam oferecer sessões de “sound healing” aos seus funcionários uma vez por mês.

      Em particular sobre os portugueses, Ganaa Ávila diz que embora alguns à primeira brinquem e digam que o trabalho que faz é “uma mentira”, no fim acabam por apreciar o efeito “mágico” da terapia. “Os homens, sobretudo, têm dificuldade em acreditar, mas quando aqui vêm sabem que vão sair daqui melhor”.

      A terapeuta gostaria de conseguir colaborar com hospitais e centros de apoio a doentes de cancro, mas diz que em Macau ainda se está a dar os primeiros passos no campo das terapias holísticas. Também tem procurado estabelecer parcerias com estúdios de yoga e outros terapeutas em Macau, porque a “união faz a força”, e tenciona continuar a promover o seu espaço e as técnicas que pratica. “As pessoas precisam de perceber que apenas basta mudar o nosso pensamento, e estar abertos a experimentar. A escolha de cura ou de inferno é inteiramente nossa. A única coisa que precisamos de mudar é a nossa forma de pensar, e isso é uma ferramenta, só por si, de um imenso poder”.