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      Macau não irá “dar um passo grande de uma vez”, como fez Hong Kong, antecipa Ambiente Properties

      Satisfeito com o anúncio desta semana em Hong Kong da cessação das medidas de contenção do mercado imobiliário, Ryan Choi antecipa que a mudança irá atrair compradores de Macau a fazer investimentos na cidade vizinha, mas não acredita que o Governo local seja capaz de seguir o exemplo “arrojado” de Hong Kong.

       

      Num esforço de estimular o sector imobiliário, esta semana, Paul Chan, secretário para as Finanças de Hong Kong, anunciou a eliminação de três medidas restritivas que estavam em vigor há 13 anos como forma de contenção da especulação dos preços do mercado imobiliário. “Decidimos cancelar todas as medidas de gestão da procura de imóveis residenciais com efeito imediato, declarou o dirigente ao apresentar o seu orçamento anual à Assembleia Legislativa da cidade. “Consideramos que as medidas em causa já não são necessárias, tendo em conta as actuais condições económicas e de mercado”, acrescentou.

      O Imposto de Selo Especial, o Imposto de Selo de Compra ou o Novo Imposto de Selo Residencial, recorde-se, exigiam uma percentagem de 15% sobre o preço do imóvel adquirido por residentes não permanentes de Hong Kong, e de 7,5% aos compradores que adquiriam uma segunda casa.

      A agência noticiosa Hong Kong Free Press comentou que a iniciativa surgiu depois de se terem vindo a verificar constantes quedas de preços nos últimos nove meses, algo que levou a que as autoridades se sentissem pressionadas a descartar os referidos impostos. A Autoridade Monetária de Hong Kong, instantes depois do anúncio da nova medida, divulgou que os requisitos para os empréstimos imobiliários iriam ser alterados, com o rácio máximo de empréstimo em relação ao valor de casas avaliadas em até 30 milhões de dólares de Hong Kong a ser aumentado de 60% para 70%. No caso de propriedades de valor mais elevado e para a aquisição de propriedades residenciais que não sejam ocupadas pelo proprietário, o valor do empréstimo será aumentado de 50% para 60%, segundo noticiado ontem pelo South China Morning Post.

      Em Macau, o mercado imobiliário também tem sentido a pressão de medidas semelhantes. Oliver Tong, director-geral da empresa de consultadoria imobiliária Jones Lang Lasalle (JLL), tinha comentado a situação aquando da publicação do relatório anual da JLL de análise do mercado imobiliário da RAEM. “O Governo deveria considerar a possibilidade de levantar totalmente as medidas de arrefecimento para salvar o frágil mercado imobiliário”, recomendou.

      Recorde-se que o Governo de Macau adoptou recentemente a isenção de 5% de imposto de selo na compra de segundas habitações, e do novo limite unificado de 70% de rácio empréstimo/valor para imóveis residenciais.

      Ryan Choi, director-geral da Ambiente Properties, conhecida empresa de imobiliário do território, diz que a nova medida anunciada já está a surtir um impacto positivo em Hong Kong. “Já vimos que, logo depois do anúncio, o mercado em Hong Kong registou mais dinamismo, com pessoas a visitarem propriedades”. Quanto ao mercado local, Ryan Choi antecipa que os compradores locais passem deste modo a ter “opções adicionais, especialmente em termos de investimento”.

      Como as autoridades locais cancelaram o imposto de selo de 5% na compra de segundas habitações, o especialista diz que as fracções em Hong Kong vão agora passar a ser incluídas nas suas considerações de investimento. “Como ninguém precisa de pagar imposto de selo, e isso inclui compradores do exterior, isso faz com que uma pequena parcela de compradores de Macau queira investir em Hong Kong”, especialmente porque os investimentos na cidade vizinha têm mais margem de lucro comparando com os da imobiliária da RAEM, revelou.

      Relativamente à possibilidade de o Governo de Macau seguir o exemplo de Hong Kong, o representante da Ambiente Properties comentou que este é um assunto que tem sido debatido em diferentes círculos, em plataformas online e no seio da comunidade local. A mudança, se for adoptada, agradaria a Ryan Choi. “Estas medidas foram adoptadas há alguns anos de forma a impedir que houvessem abusos nos investimentos e sobrecarga do capital do mercado imobiliário residencial, mas ao olharmos para os dados do ano passado da Direcção dos Serviços de Finanças, a situação já não é a mesma, e estamos apenas a cerca de 20% do volume de transacções registado durante o pico que ocorreu há dois ou três anos”, esclareceu.  Ainda assim, o director-geral da imobiliária partilhou a opinião pessoal de que, considerando o passado prudente do Governo local, “que não gosta de dar grandes passos de uma vez,  é improvável que este siga a iniciativa de Hong Kong, optando por implementar apenas algumas alterações ao regime actual, admitiu.

       

      Ponto Final
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      Redacção do Ponto Final Macau