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      Jovem tenta arrendar casa em Macau no último filme de Mike Ao Ieong 

      Ming, a personagem do filme “I Want to Be a Plastic Chair”, tem trinta anos e vive em casa dos pais, até ser obrigado a procurar um local para arrendar, uma missão que devido ao seu baixo salário se revela quase impossível. O realizador Mike Ao Ieong quis contar esta história caricata que é vivida por tantos jovens adultos do território. O filme estreia hoje nos Cinemas Emperor.

       

      “A personagem principal, o Ming, é o que se poderia chamar de ‘loser’, um inútil”, começou por explicar o realizador Mike Ao Ieong ao PONTO FINAL, partilhando o contexto da sua longa metragem “I Want to Be a Plastic Chair”. Depois da premiére no Festival de Cinema Golden Horse em Taipei em 2023, o filme do cineasta de Macau é agora apresentado pela primeira vez no território nos Cinemas Emperor a 1 de Março. Será igualmente projectado na Cinemateca Paixão nos dias 9, 16 e 17 de Março.

      “É a história de um homem solteiro com trinta e tal anos que ainda vive em casa da família. Dorme no mesmo quarto que a irmã mais nova, e um dia o namorado da irmã quer viver no mesmo quarto, situação que o obriga a sair de casa, tendo de enfrentar diferentes problemas devido ao salário baixo que recebe como caixa de um supermercado”. A personagem questiona-se sobre a sua existência, ou melhor sobre a utilidade da sua existência. “Daí a reflexão, da questão do sucesso, e o que nos define como bem-sucedidos na vida ou não. Se somos úteis ou não”, partilhou o realizador. “Por isso é que ele, numa próxima reencarnação, queria ser uma cadeira de plástico, para se ligar a essa noção de utilidade. Para muitas pessoas uma cadeira é um objecto útil e que não desperdiça espaço”.

      A inspiração para a narrativa surgiu ao reflectir sobre experiências semelhantes que viveu, ao regressar ao território há cerca de uma década. “Ao procurar um apartamento, a cada dois anos tinha de mudar, algo que é muito cansativo”. Por outro lado, Mike Ao Ieong quis explorar um fenómeno muito comum da sua geração, em que jovens adultos vivem em casa dos pais. “Vivem lá muitas vezes já com 30 anos, para pouparem dinheiro, e à espera de se casarem, partilhando quarto com os irmãos”. Para o cineasta de Macau, a situação não é aceitável. “Não faz sentido vivermos a nossa vida toda com os nossos pais, porque não nos ajuda a amadurecer”. Foi também essa emoção que o levou a querer explorar a temática no filme.

      Entretanto, um conhecido, que também teve de lidar com uma situação semelhante, escreveu um pequeno conto sobre o assunto. Ao lê-lo, Mike Ao Ieong sentiu que o tema era pertinente, e merecia ser abordado. O conto foi então adaptado para o cinema, com as filmagens depois a começarem em 2021. Filmado principalmente em apartamentos diferentes da cidade, e outros locais, a longa metragem conta principalmente com actores amadores. “Macau não tem actores de cinema profissionais. Todos os actores no meu filme vêm do teatro ou são meus amigos”. A única excepção foi o actor principal, Wong Hin Yan, que é um conhecido cantor em Hong Kong, explicou. “Escolhi-o para o papel porque ele tem uma cara que parece saída de um livro de banda desenhada, com expressões misteriosas”.

      Depois da apresentação em Macau, o filme será também projectado em Hong Kong e novamente em Taiwan, depois de lá ter estreado em Novembro de 2023. O realizador diz que a recepção ao filme tem sido acolhida com surpresa, porque poucos sabem que “Macau tem produção local de cinema”. Mike Ao Ieong referiu que muitos vieram falar consigo depois da projecção no Festival Golden Horse, partilhando que não imaginavam que um filme “produzido em Macau pudesse ser assim, a contar esta história e este tema de uma forma invulgar”.

      Satisfeito com o apoio que recebeu em 2018 da parte do Instituto Cultural (IC) através do programa de subsídios à produção de longas metragens, o realizador recordou o processo de candidatura, com um júri profissional a analisar a proposta e a apoiar o seu projecto. “Depois, deram-nos um orçamento para realizar este filme”, explicou. Agora, depois de três anos intensos de rodagem do filme, o cineasta confessa que para já quer descansar, e focar-se apenas na divulgação de “I Want to Be a Plastic Chair”, procurando colaborar com outras plataformas e festivais no estrangeiro.

      O realizador já produziu várias longas metragens. Com o filme “Blue Amber”, ganhou o prémio “Asian New Talent Award – Best Cinema Photography” no Festival Internacional de Cinema de Xangai de 2018. A curta-metragem “The Mutation, But Myself” foi premiada com o “Prémio de Recomendação do Júri” no Festival Internacional de Filmes e Vídeos de Macau.