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      Representante da tecnologia “sous vide” pretende entrar no mercado local da alimentação

      Com um potencial de expansão à espera de ser explorado, o uso da tecnologia ‘sous vide’ nos restaurantes, hotéis e universidades da cidade está na mira do empresário Ned Gao, que esteve ontem no Sofitel para uma apresentação sobre esta forma revolucionária de cozinhar e preservar os alimentos em vácuo.

       

      ‘Sous vide’, do francês ‘sob vácuo’, é uma forma de cozinhar alimentos em que se coloca os produtos num saco de plástico que é depois aspirado em vácuo, sendo os alimentos submergidos em água, onde cozinham em baixas temperaturas e durante um período longo. A tecnologia, que é sobretudo utilizada em restaurantes de topo, permite que os alimentos preservem o sabor, valor nutritivo, ao mesmo tempo que se garante que a carne fique tenra e cozinhada ‘ao ponto’. Ned Gao, do grupo Dantin, apresentou os detalhes desta tecnologia no último pequeno almoço organizado pela Câmara de Comércio França-Macau, que teve lugar ontem de manhã no Hotel Sofitel.

      Como o empresário elucidou, a Cuisine Solutions é o nome da empresa líder mundial da tecnologia ‘sous vide’, empresa que deu os primeiros passos em França, local de onde a técnica culinária é originária, exportando depois o método nos anos 70 para os Estados Unidos, e para o resto do mundo. Actualmente, existem oito fábricas da multinacional, sendo a maior localizada no Texas, e a mais perto de Macau, na Tailândia, indicou. Hotéis, restaurantes, companhias aéreas, cantinas de universidades e lojas de venda a retalho recorrem todas aos serviços da Cuisine Solutions, beneficiando daquelas que o representante diz serem as suas principais vantagens: a segurança alimentar, através da capacidade de controlo da temperatura, condição dos alimentos e redução do uso de conservantes graças à pasteurização que a tecnologia implica; corte de custos operacionais, já que deixa de ser necessário guardar alimentos frescos e cozinhá-los com fogões ou fornos convencionais, bastando apenas aquecer o produto; e também uma redução na necessidade de mão-de-obra qualificada, já que os alimentos não requerem cozinheiros com mestria de ponto de cozedura e outras técnicas avançadas de confecção alimentar. O método permite ainda que se consiga reduzir o desperdício alimentar, já que tudo pode ser calculado e confeccionado de forma mais precisa, e também permite que se preservem os nutrientes dos alimentos por mais tempo.

      Porque a técnica é muito utilizada por chefs culinários, a marca tem uma academia onde chefs de estrelas Michelin treinam outros cozinheiros que queiram aprender a forma de confeccionar com a tecnologia. As fábricas produzem os alimentos no local, acrescentou Ned Gao, cozinhando e embalando todo o tipo de produtos, desde carnes a cereais, doces e até molhos. Referindo que estes tipos de produtos são muito comuns na Europa e Estados Unidos, acrescentou que também se embala em sous vide outros tipos de carne, peixe e marisco. Outro dos pontos que fazem com que a tecnologia seja economicamente e ecologicamente aliciante é o facto de qualquer parte da carne animal poder ficar tenra, aproveitando-se partes do animal que habitualmente são descartadas, sublinhou.

       

      MERCADO DEPENDENTE

       

      O mercado asiático dos alimentos processados, e em particular o da China, tem assistido a um grande crescimento nos últimos cinco anos, mas ainda é muito dependente do uso de conservantes, algo que poderia vir a mudar com a adopção desta tecnologia, defendeu.

      Em 2022, o mercado de alimentos processados teve um volume de negócios de 420 mil milhões de renminbis, e as estimativas apontam para que o valor duplique daqui a três anos, indicou o empresário. No entanto, o mercado ainda representa apenas 20% de todo o sector, uma percentagem muito inferior à percentagem de cerca de 50% verificada em mercados como o dos Estados Unidos ou até do Japão, comentou. Referindo-se em particular à expansão do mercado das refeições pré-cozinhadas, Ned Gao acredita que esta é uma tendência da geração dos ‘millenials’, que procuram soluções rápidas para as suas refeições. Gao espera que a questão da saúde faça com que haja uma procura cada vez maior por produtos processados que não contenham tantos conservantes. Esta é uma mais valia do método sous vide, defendeu. “É a minha ambição, e vejo uma grande oportunidade, em parceria com a Cuisine Solutions, de entrar neste mercado”, confessou.

      Abordando em particular a Grande Baía, acredita que a região vai beneficiar com as novas ligações de pontes e túneis entre Zhongshan e Shenzhen, e entre Shenzhen e Zhuhai, fazendo com que os custos logísticos sejam ainda mais baixos. Depois, em Hengqin, há a DCH, um dos maiores centros de logística da Zona de Cooperação Aprofundada. “Estão muito interessados em colaborar connosco”, revelou, uma parceria que está certo que irá beneficiar da inauguração da recente medida aduaneira autónoma que entra em vigor esta sexta-feira, 1 de Março.

      De momento, o objectivo inicial de Ned Gao é de importar os produtos da Tailândia para Macau e Hong Kong, explicou, criando ligações com hotéis e casinos. A DCH em Hengqin será também parceira da iniciativa pioneira, acrescentou. Estão ainda previstos ‘show rooms’ em Macau e Zhuhai para promoção da tecnologia, ambicionando-se a longo prazo que depois se consiga abrir também uma fábrica na região.