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      China exige explicação a Taiwan após morte de dois pescadores perto das ilhas Kinmen

      A China instou ontem Taiwan a explicar um incidente em que uma lancha chinesa entrou nas águas ao largo das ilhas Kinmen e dois dos seus quatro tripulantes morreram, no passado dia 14 de Fevereiro.

      A China criticou então as autoridades taiwanesas por terem tratado os pescadores chineses de forma “rude e perigosa”, embora Taipé tenha insistido que a sua guarda costeira actuou “de acordo com a lei”. “As medidas tomadas pelas autoridades de Taiwan feriram gravemente os sentimentos dos compatriotas de ambos os lados do Estreito de Taiwan. Desde que o incidente ocorreu, as autoridades do Partido Democrático Progressista (DPP) não pediram desculpa”, protestou Zhu Fenglian, porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do governo chinês, em conferência de imprensa.

      Segundo Zhu, o governo taiwanês “mentiu” e “escondeu a verdade”, “sem mostrar humanidade”. “Exigimos que as autoridades do DPP digam a verdade sobre o que aconteceu e deem uma explicação às famílias das vítimas. O continente reserva-se o direito de tomar todas as medidas necessárias”, acrescentou.

      Na sequência do incidente, Taiwan declarou que cinco navios de vigilância chineses tinham entrado, na segunda-feira, nas águas proibidas ou restritas das ilhas Kinmen, um grupo de ilhas situadas a poucos quilómetros da cidade chinesa de Xiamen, no sudeste do país, onde vivem mais de 100.000 taiwaneses.

      A “zona interdita” em torno das Kinmen estende-se a meio caminho da costa chinesa a norte e nordeste, cerca de quatro quilómetros a leste e outros oito quilómetros a sul do arquipélago, mas a China não reconhece oficialmente a existência destas fronteiras.

      Zhu justificou ontem também a decisão da China de alterar uma rota aérea civil paralela à linha média do Estreito de Taiwan, uma fronteira não oficial que foi tacitamente respeitada por Taipé e Pequim nas últimas décadas.

      Após o ajustamento, os aviões que voam ao longo da M503 ficarão mais próximos da linha média do estreito, a uma distância inferior a 10 quilómetros nos pontos mais próximos. “A rota otimizada está a funcionar normalmente há quase um mês. O ajustamento permitiu aumentar o número médio de voos diários para 65. Tem sido útil para retificar as operações de aviação entre o Estreito e está a facilitar os intercâmbios. Trata-se de uma medida mutuamente benéfica”, defendeu.

      Ponto Final
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      Redacção do Ponto Final Macau