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      Burlas telefónicas e online sobem 77% no ano passado e causam prejuízo de 310 milhões de patacas

      A criminalidade global em Macau registou um aumento de 37,6% no ano passado e está a aproximar-se do nível de 2019. Os números dos casos de burlas com recurso à internet e às telecomunicações e a extorsão registaram “aumentos assinaláveis”. A tutela da Segurança investigou no ano transacto 1.306 casos de burla online e telefónica, que provocaram perdas monetárias de 310 milhões de patacas. O secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, deu destaque ainda ao aumento dos casos de abuso sexual de crianças, crimes de violação e de delinquência juvenil.

       

      “A burla com recurso às redes de telecomunicações já se tornou um fenómeno criminoso enfrentado por muitos países e regiões do mundo”, e Macau também não é caso de excepção, tendo testemunhado “aumentos assinaláveis” deste tipo de crime no ano passado. Foram 1.306 casos de burlas telefónicas e online registados no território em 2023, que traduz um acréscimo de 77,7% face ao ano anterior.

      De acordo com os dados divulgados ontem pelo secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, houve 412 casos de burla telefónica no ano transacto, que resultaram num prejuízo estimado em 154 milhões de patacas, enquanto 895 casos de burla online levaram à perda de 156 milhões de patacas. Ou seja, o prejuízo total cifrou-se em 310 milhões de patacas. Em 2019, o montante correspondente foi de 68 milhões de patacas.

      Sublinhando que a burla sem contacto físico se tem tornado cada vez mais frequente a nível mundial, Wong Sio Chak afirmou que, entre Agosto de 2022 e Agosto de 2023, o total de dinheiro envolvido em fraudes telefónicas e na internet em todo o mundo ascendeu a 8,2 mil milhões de patacas, representando um aumento de 18 vezes em comparação com o mesmo período de 2021. Em Hong Kong, no ano transacto, esse montante totalizou 9,27 mil milhões de patacas, e em Singapura foi de 3,91 mil milhões de patacas.

      As autoridades explicaram que, os casos de burla telefónica detectados no ano passado realizaram-se sobretudo através do método de personificação, fingida, de pessoal de serviços governamentais. Já nos casos de burla online destaca-se o método “Sha zhu pan” (esquema de falso investimento), a burla relativa a bilhetes de espectáculos, a burla relativa a compras online e o esquema de “aumentar o registo das encomendas para obter comissão”. Além disso, 148 pessoas em Macau foram alvo de extorsão através de “nude chat”, registando-se uma subida de 60,9%.

       

      POR GANÂNCIA E POR MEDO

       

      Wong Sio Chak disse acreditar que o aumento significativo de crimes de burla e de extorsão com recurso às telecomunicações e à internet deveu-se ao “aumento da dependência da internet do público durante a epidemia”. Defendeu que a polícia, em conjunto com outros serviços governamentais e associações da sociedade, tem realizado “imenso trabalho” de sensibilização sobre burlas, “mas, apesar disso, existiram algumas pessoas que caíram nestas armadilhas devido a ganância, negligência, medo e falta de conhecimento”, lamentou.

      Nesse âmbito, a Polícia Judiciária está a desenvolver um mini programa antiburla no Wechat, que, ao contrário do interior da China e Hong Kong, não exige a introdução dos telefones de contacto dos utilizadores. Prevê-se que a aplicação seja lançada em Abril deste ano, permitindo a consulta de risco por parte do público, inserindo o número de chamadas suspeitas e contas bancárias, e o fornecimento pelo público à polícia de pistas sobre suspeitas de burlas.

       

      CRIMINALIDADE SUBIU, VIOLAÇÃO DISPAROU

       

      O Gabinete do Secretário para a Segurança divulgou ontem o balanço da criminalidade e adiantou que as autoridades de Macau instauraram 13.487 inquéritos criminais em 2023, mais 3.688 casos (37,6%) em relação ao ano anterior, sendo também uma diminuição de 691 casos (-4,9%) em comparação com o ano de 2019.

      Wong Sio Chak notou assim que o número total de casos de criminalidade violenta registou uma redução substancial face ao período antes da pandemia, indicando que no ano passado registaram-se quatro casos de homicídio, relacionados com prostituição, troca ilegal de dinheiro, transtorno mental e relações familiares, bem como comunicação interpessoal.

      Verificaram-se 41 casos de crime de violação em 2023, que quase duplicaram em termos anuais. Segundo o secretário, a proporção dos não residentes entre as vítimas apresentou uma subida considerável, atingindo 80%, sendo que a maioria dos casos tiveram lugar em quartos de hotel e a altas horas da noite. “Pode observar-se que parte dos casos deriva da prostituição”, analisou.

       

      129 QUEIXAS SOBRE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA, MAS SÓ 15 ACUSAÇÕES

       

      A polícia abriu no ano passado 129 casos de investigação relacionada com a violência doméstica na sequência das queixas apresentadas, mas apenas 15 casos foram provados como violência doméstica. Wong Sio Chak indicou que a maioria dos casos estavam relacionados a ofensa física (79 casos), enquanto os restantes foram de ameaça ou conflitos familiares. Ao ser questionado para fazer uma análise dos casos, o secretário referiu que “as causas da violência doméstica são complexas” e “o mais importante é a prevenção e o apoio às vítimas”.

      O responsável avançou ainda que houve 36 casos de abuso sexual de crianças, o que corresponde a uma subida de 33% face a 2022. Segundo os dados, cerca de 70% dos casos foram comportamentos ligeiros de importunação sexual, exibicionismo e observação oculta, bem como os casos em que as crianças tiveram relações sexuais voluntariamente com colegas de escola ou amigos da mesma idade, que ocupam cerca de 25%.

      No ano passado, foram registados ainda 106 casos relacionados com delinquência juvenil, mais 63,1% comparando com o ano anterior, número que também superou o nível de 2019. Registou-se um aumento significativo na ocorrência de ofensa simples à integridade física, com 42 casos.

       

      GOVERNO DEIXA DE DIVULGAR IDADE DAS VÍTIMAS DE SUICÍDIO PARA “NÃO PÔR O DEDO NA FERIDA”

       

      Quanto à divulgação de casos de suicídio, as autoridades deixaram de revelar a idade da vítima com justificação de “não querer dar a vitimização secundária” às famílias. Negando a opacidade de informação à comunicação social, o secretário para a Segurança admitiu ter recebido “forte oposição” das famílias das vítimas sobre a divulgação de dados pessoais dos falecidos, ou até sobre o sucedido do próprio caso. Wong Sio Chak disse que o organismo não esclarece a informação de cada caso, mas ainda faz a análise das estatísticas da idade das vítimas para que a sociedade fique alertada. Na ocasião, o secretário adiantou também os dados relacionados: entre os 88 casos de suicídio cometidos no ano passado, o grupo etário dos 35 aos 44 anos de idade foi o que registou mais suicídios, com 20 casos; seguido de 16 casos entre 45 a 54 anos de idade e 16 casos entre 55 a 64 anos de idade; 13 casos cometidos por pessoas com idade superior a 75 anos; 11 casos registados na faixa etária dos 65 a 74 anos; sete casos para vítimas entre 25 e 34 anos de idade; quatro casos para o grupo dos 15 aos 24 anos; e a faixa etária dos 5 aos 14 anos registou um caso. Para já, a Polícia Judiciária divulga casos de suicídio com distinção em três grupos etários: jovem (menos de 30 anos), meia-idade (30 aos 60 anos) e sénior (mais de 60 anos de idade).