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      InícioCulturaGalo de Barcelos: De símbolo nacional português a ícone transcultural em Macau

      Galo de Barcelos: De símbolo nacional português a ícone transcultural em Macau

      O Galo de Barcelos, símbolo da identidade portuguesa, ganhou em Macau uma nova vida enquanto ícone transcultural. No território, alinhou-se com valores chineses e assegurou o seu lugar na identidade cultural local. As conclusões são da investigadora Vanessa Amaro, que publicou recentemente o estudo intitulado “Crowing in two voices: The cultural transformation of the Portuguese rooster in postcolonial Macau”.

       

      Vanessa Amaro, investigadora do Centro de Estudos Portugueses da Universidade Politécnica de Macau (UPM), publicou recentemente um estudo em que o Galo de Barcelos é protagonista. O galo, símbolo nacional português, foi evoluindo em Macau, transformando-se num ícone transcultural na região, defende a académica na investigação intitulada “Crowing in two voices: The cultural transformation of the Portuguese rooster in postcolonial Macau”, publicada na revista Nature.

      “O Galo de Barcelos, emblema com raízes no folclore português, sofreu uma transformação significativa, evoluindo de uma curiosidade local para um ícone de orgulho nacional e, subsequentemente, para um símbolo da transferência de soberania de Macau, para a China em 1999”, indica o trabalho da investigadora, acrescentando que, no território, “o galo transcendeu o seu simbolismo original, alinhando-se com os valores culturais chineses de honestidade, bravura e prosperidade e tornando-se parte integrante da identidade da cidade”. O estudo acompanha, então, a metamorfose do Galo de Barcelos, de símbolo da identidade portuguesa a ícone transcultural em Macau.

      O artigo lembra que, desde 1999, Macau sofreu grandes alterações, nomeadamente com o aumento do número de visitantes, o que “exigiu a criação de novos produtos orientados para o turismo, incluindo lembranças apelativas”. Foi então que Macau “reinterpretou o Galo de Barcelos, alinhando-o com qualidades estimadas na cultura chinesa – honestidade, coragem e prosperidade – reforçando assim o seu apelo como lembrança e assegurando o seu lugar na identidade cultural de Macau”.

      Este ícone faz a convergência de elementos portugueses com elementos chineses: “O galo, integrando símbolos chineses de fortuna e prosperidade nos motivos tradicionais portugueses, exemplifica a intrincada fusão de duas narrativas culturais distintas. Esta mistura de influências elevou o galo de emblema nacional a um símbolo complexo da identidade pós-colonial de Macau – um símbolo tátil de transculturação que encapsula a narrativa histórica e a amálgama cultural da cidade”.

      O galo constitui, então, um “exemplo da natureza dinâmica e evolutiva dos símbolos culturais num mundo globalizado”, lê-se no artigo, que destaca ainda o “potencial transformador dos objectos culturais para mediar e moldar as identidades culturais no meio pós-colonial e global”. “A narrativa do galo português em Macau, enriquecida pela sua materialidade transcultural, convida a uma maior exploração académica da rica tapeçaria de história, comércio e cultura que caracteriza os discursos pós-coloniais globais”, conclui Vanessa Amaro na sua investigação.