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      InícioEntrevista"Vamos estar atentos à descida da taxa de natalidade"

      “Vamos estar atentos à descida da taxa de natalidade”

      Reforço do ensino da língua portuguesa e utilização das tecnologias para a educação. Estas serão as duas traves-mestras para o futuro do Jardim de Infância D. José da Costa Nunes. Em entrevista ao PONTO FINAL, Felizbina Carmelita Gomes, directora da instituição desde 2022, adiantou que os edifícios do jardim de infância vão ser alvo de obras num futuro a curto prazo e alertou para a falta de terapeutas da fala. Sobre a baixa taxa de natalidade da região, disse estar atenta, mas confiante de que o número de turmas se mantenha inalterado no futuro.

      Felizbina Carmelita Gomes é directora do Jardim de Infância D. José da Costa Nunes desde 2022, tendo sido distinguida recentemente pelo Governo da RAEM pelo seu percurso na área da educação. Agora, em entrevista ao PONTO FINAL, aponta as duas prioridades da instituição para o futuro: aposta na língua portuguesa e utilização das tecnologias de informação e comunicação. Questionada sobre se a descida na taxa de natalidade é uma preocupação, a directora do Costa Nunes disse estar atenta à situação, mas confiante de que não irá afectar os trabalhos do jardim-de-infância no que toca ao número de turmas e de recursos humanos. Felizbina Carmelita Gomes aproveitou para alertar que faltam técnicos de terapia da fala. Por outro lado, adiantou que os edifícios do Costa Nunes irão sofrer obras em breve.

       

      Foi recentemente agraciada pelo Governo da RAEM. Estava à espera desta distinção? O que significa para si?

      Não estava à espera, foi uma surpresa do Governo da RAEM. Agradeço à RAEM e também à Associação Promotora da Instrução dos Macaenses pela oportunidade para trabalhar aqui, continuando a minha missão educacional.

       

      Chegou ao Jardim de Infância D. José da Costa Nunes em 2022. Que balanço é que faz deste ano e meio?

      É um trabalho totalmente diferente daquele que tinha feito nas escolas oficiais. Durante este ano e meio tenho gostado muito, é um trabalho muito desafiador. Tem crianças de uma faixa etária diferente da Escola da Flora, onde trabalhava antigamente.

       

      Quando chegou ao Costa Nunes, o que é que quis implementar? Houve alguma mudança de fundo? E o que é que gostaria de fazer no futuro?

      Nós vamos reforçar mais a língua portuguesa e também das TIC [tecnologias de informação e comunicação], de forma a acompanhar a evolução na área da educação. São esses dois objectivos em que estamos a trabalhar activamente. Temos de reforçar o ensino da língua portuguesa devido especificamente ao número de alunos chineses que estão inscritos aqui na nossa escola.

       

      De que forma é que querem reforçar o ensino da língua portuguesa?

      Queremos reforçar no sentido de dar mais apoio, também às crianças com necessidades educativas especiais e às crianças em que a língua portuguesa não é favorecida no ambiente familiar e em casa. Estamos a tentar fazer actividades especificamente para este grupo de crianças.

      E na área das TIC?

      Vamos implementá-las, a pouco e pouco, na parte artística. Assim, podemos poupar papel e tintas, fazendo as actividades através do iPad. Já adquirimos alguns e vamos lançar muito em breve actividades em iPad na parte artística a nível de desenho e de pintura.

       

      Então, nesta área, foi preciso algum investimento…

      Sim, sim. Já tínhamos pedido à Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento de Juventude a verba para esse trabalho.

       

      E qual foi essa verba?

      Concretamente, não sei o montante.

       

      Quantas crianças tem actualmente o Costa Nunes?

      Este ano nós temos 255. Em comparação com 2022, houve uma descida pouco significativa de dez alunos. É uma descida de menos de 5%. Futuramente, vamos estar atentos à descida da taxa de natalidade.

       

      Tem-se falado na baixa taxa de natalidade em Macau e com tendência para descer ainda mais. Isso pode afectar os trabalhos do Costa Nunes, de alguma forma?

      Não afecta. Esperemos conseguir manter o número de turmas depois das inscrições para o próximo ano, que vão decorrer entre Abril e Maio.

       

      Então isso não vai afectar o número de turmas a longo prazo?

      Depende da opção dos pais. Nós estamos a fazer e a mostrar o nosso trabalho junto dos encarregados de educação. Vamos fazer o dia aberto no dia 24 de Fevereiro e mostrar o trabalho feito pelos pais e pelas nossas educadoras, de forma a expor junto dos pais que ainda não têm crianças na nossa escola.

       

      Mas a questão da baixa taxa de natalidade é uma questão que a preocupa?

      A Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude já foi alertada para essa situação. Já nos foi comunicado para nos precavermos em relação ao número de turmas devido à taxa de natalidade. Temos de pensar ao nível dos recursos humanos também.

       

      Se se verificar essa situação, terão de reduzir o número de turmas e consequentemente o número de trabalhadores?

      Não se justifica ter o mesmo número de turmas. Temos de ter um determinado número de alunos por sala e, se não tivermos o mesmo número de alunos, teremos de reduzir o número de turmas.

       

      Mas essa é uma questão a longo prazo? Ou já está a ser pensada?

      Temos expectativas de que vamos conseguir manter o número de turmas. Mas temos de fazer um esforço adicional para que isso aconteça.

       

      Que esforço adicional será esse?

      Temos de promover mais a escola. Temos também de promover a qualidade do nosso ensino, que é um bocadinho diferente do ensino tradicional chinês.

       

      Que diferenças é que há relativamente aos jardins de infância de matriz chinesa?

      Noutros jardins de infância há outras estratégias de ensino. Eles muitas vezes já têm trabalhos de casa, têm de agarrar no lápis e começar a trabalhar a motricidade fina. Na nossa parte, este tipo de trabalho é feito gradualmente. O nosso trabalho é à base de jogos, da exploração, convívio. É assim que a aprendizagem é feita.

       

      O ensino da língua portuguesa é um trunfo em relação aos outros jardins de infância?

      Sim, porque neste momento é o único jardim de infância de Macau de língua portuguesa.

       

      E há interesse dos pais no que toca ao ensino do português?

      Há interesse dos pais, por isso é que o número de alunos que tivemos ao longo dos últimos dois anos se tem mantido.

       

      No ano passado, o número de inscrições superou o número de vagas. Esta tendência vai manter-se? Vão continuar a ficar alunos de fora?

      Temos de ser optimistas face aos problemas que futuramente vamos encontrar. No ano passado tivemos vagas suficientes. Tínhamos proposto aos Serviços de Educação manter o número de vagas para este ano e também para o próximo ano. No ano passado houve algumas crianças que ficaram em lista de espera, mas depois houve algumas mudanças e algumas desistências e acabámos por conseguir que todas as crianças que se inscreveram entrassem.

       

      Em relação aos recursos humanos, actualmente têm funcionários e educadores suficientes?

      Temos educadores suficientes, mas vamos analisar se realmente teremos de recrutar mais, porque ainda não sabemos se alguns funcionários irão sair.

       

      Quantos educadores têm actualmente?

      São 24, contando comigo também.

       

      Portanto, são 255 alunos para 24 educadores?

      Nós fazemos por turma. Temos 12 turmas do ensino regular e uma turma do ensino especial. A turma do ensino especial tem duas crianças.

       

      Têm educadores suficientes para o ensino especial?

      Temos educadores suficientes qualificados para a turma de ensino especial. Neste momento, o mais difícil é encontrar técnicos de terapia da fala.

       

      É difícil contratar? Precisam deste tipo de técnico com urgência?

      Urgentemente.

       

      Porque é que é difícil contratar?

      O salário não é nada atraente, em comparação com o salário de Portugal. Durante estes meses todos temos tentado recrutar em Portugal. Vamos continuar a tentar junto dos colegas de Portugal.

       

      Em Macau não é possível encontrar?

      Não vejo. Eu gostava imenso de encontrar localmente um terapeuta.

       

      Essa é uma preocupação recorrente dos pais?

      Sim. Na faixa etária do jardim de infância, é muito bom desenvolver a fala dessas crianças. É muito importante.

       

      Houve obras recentemente aqui no edifício para resolver uma questão de infiltrações. Esses trabalhos já estão concluídos?

      A situação ainda não está normalizada. Já estamos a fazer o trabalho de consultadoria junto das empresas que fornecem esse trabalho. É um assunto complicado, mas estamos a tentar resolver o mais rapidamente possível. Já fomos informar a Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude sobre a infiltração que temos.

       

      Então, ainda haverá mais obras a serem feitas no futuro…

      Sim, estamos a preparar uma série delas a longo prazo. Obras de infiltração, obras de optimização de algumas salas de trabalho, optimização também para acomodar as TIC nas salas de aulas.

       

      Essas obras de maior envergadura quando é que começam?

      Estamos agora a começar a parte burocrática.

       

      Quanto é que custam essas obras?

      É um preço muito caro. Mas não tenho ainda um número certo.

       

      Parte desse valor será atribuído pela DSEDJ?

      Pedimos subsídio.

       

      E eles já acederam?

      Estamos agora numa fase de informar, eles ficaram de dar ‘feedback’ a seguir, para sabermos se temos o aval para avançar. Já fizemos as obras para uma parte da infiltração do edifício cor-de-rosa e agora estamos a planear fazer durante os próximos quatro anos determinados trabalhos de melhoramento e optimização do espaço físico dos dois edifícios.

       

      Então, as obras que faltam vão começar a ser feitas este ano ainda?

      Algumas obras vão começar já, depende da sua prioridade.