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      Pequenos lojistas têm enorme potencial de crescimento, defende representante de empresa de microfinanças

      Pequenas lojas como as que vendem ‘lemon tea’ espalhadas pela China têm um enorme potencial de crescimento, oportunidade que Leighton Mok, vice-presidente da Micro Connect, propõe que seja financiada através do sistema de microfinanciamento criado pela sua empresa, que já colaborou com mais de 10 mil pequenas lojas em Macau, Hong Kong e no interior da China.

       

      Leighton Mok, vice-presidente da Micro Connect Financial Assets Exchange (MCEX), esteve ontem no Hotel Sofitel a convite da Câmara Comércio França Macau para uma palestra sobre microfinanciamento, e o novo protocolo de investimentos internacionais proposto pela sua empresa. Aos presentes na palestra de pequeno almoço, o licenciado em Gestão de Negócios e Economia pela Universidade de Chicago falou extensamente sobre os detalhes do modelo de investimento proposto pela plataforma fundada por Charles Li, antigo director geral da Bolsa de Hong Kong.

      A grande novidade do sistema proposto pela MCEX é a forma como as receitas são partilhadas, uma inovação que Leighton Mok diz ser pioneira. “Não se tratam de dívidas, ou de capital próprio, são vantagens financeiras para cada lado”. Em suma, em troca de um montante em bruto, os proprietários desses pequenos negócios vão ceder uma parte das receitas futuras. “Por exemplo, um dono de uma loja de roupa que diariamente consegue lucrar 10 mil renminbis, ele vai dar 10% dos seus lucros diários durante os próximos anos, montante que é fixado logo no início”. A missão, em última instância, é de injectar capital nessas pequenas e médias empresas, e ajudá-las a expandir os seus negócios, partilhando esses lucros com quem investiu neles.

      Para já, Leighton Mok diz que a iniciativa está a ter muitos bons resultados. Até à data, cerca de 15 mil lojas na China faziam parte do MCEX, com investimentos equivalentes a 4 mil milhões de renminbis, e com contratos em média com a duração de três anos e meio. O limiar médio de rendibilidade, esse, é atingido por volta dos 20 meses. “Estes são dados reais”, vincou, que têm sido alcançados pela empresa desde que iniciou a sua actividade há dois anos e meio.

      O especialista diz que actualmente o potencial de crescimento das pequenas em médias empresas na China é “enorme”. “Se olharmos para a contribuição destes sectores para o produto interno bruto, este foi de 10 mil biliões de dólares americanos, ou seja, equivaleu a cerca de 60% do PIB da China em 2021”. Neste momento, existem 70 milhões de pequenos negócios a operar na China. Leighton Mok diz que quando se reflecte na taxa de conversão deste tipo de negócios em marcas, assistimos a uma grande diferença entre o mercado norte americano, onde cerca de 60% destas lojas individuais se consolidaram como marcas, e o mercado chinês, onde esse rácio ainda está a apenas cerca de 30%. “Há uma tendência de crescimento aí, e uma enorme oportunidade de mercado”, sublinhou.

      A China, lembrou, já esteve mais fechada para o mundo, mas agora que se está a abrir é a altura ideal para os investidores do resto do mundo apostarem nela, frisou. Este argumentou até que a própria situação do país, de “retidão política” e de “prosperidade calma”, está a facilitar a expansão deste tipo de negócios das “pessoas comuns”.

      Por outro lado, a insistência no mercado chinês prende-se também com o facto de este ser tão diferente do resto do mundo quanto aos sistemas de pagamento, já que na China a maioria dos pagamentos são feitos através das plataformas digitais como a Alipay. Esta vantagem permite que se consiga aceder aos dados mais facilmente, e deste modo compreender melhor o comportamento destes mercados de consumo. É que outra das grandes apostas da MCEX é a do fornecimento de informação, a chamada ‘big data’, daí ter-se criado uma forma de os investidores poderem consultar mais de 300 subcategorias dos tipos de negócios que procuram financiamento. As categorias de negócios repartem-se em principalmente quatro categorias, referiu: a restauração (estabelecimentos de comidas e bebidas), serviços e retalho (em que se incluem supermercados e mercearias), desporto (ginásios, etc) e cultura (espaços de entretenimento e encontros sociais). “Depois da Covid, no ano passado, assistimos a uma enorme subida de consumos nestas quatro áreas, especialmente durante as datas festivas”, destacou.

      Leighton Mok falou ainda sobre a necessidade de haver mais iniciativas de microfinanciamento, já que os actuais modelos de banca não conseguem corresponder às necessidades dos pequenos negociantes. Para além dos custos elevados dos actuais empréstimos existentes no mercado, os pequenos lojistas, para formarem sociedades anónimas, precisam de preencher diversos requisitos que são difíceis de satisfazer. Existe ainda a questão da falta de capacidade de estes pequenos negócios de fazerem uma boa auditoria da sua contabilidade, e é aí também que a MCEX quer investir, funcionando como um parceiro de consultadoria que pega nestas pequenas lojas “pela mão” e as ajuda a gerar um modelo de negócios mais lucrativo e estável.