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      Wang Yi em África e América Latina frisa aposta chinesa no Sul Global, dizem analistas

      Analistas chinesas defendem que a recente deslocação do chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, a África e à América Latina, incluindo Brasil, sublinha a crescente aposta da China na relação com os países em desenvolvimento.

       

      Citados pela imprensa oficial de Pequim, os analistas sustentam que uma coordenação próxima com estas nações do Sul Global (uma referência ao conjunto de países em desenvolvimento) visa criar um cenário global “mais equilibrado e sustentável”, face às “crescentes incertezas e turbulências” que se avizinham.

      No Brasil, onde reuniu com o Presidente brasileiro, Lula da Silva, na sexta-feira, Wang Yi co-presidiu, junto com o homólogo brasileiro, Mauro Vieira, ao quarto Diálogo Estratégico Abrangente China – Brasil. Observando que Brasil e China estão de acordo em muitas questões importantes, Lula disse que quer trabalhar com a China para melhorar a governação global e aumentar a força e a voz dos países em desenvolvimento nos assuntos internacionais.

      Wang e Vieira prometeram explorar as sinergias entre a Iniciativa ‘Faixa e Rota’, o gigantesco projeto de infraestruturas internacional lançado por Pequim, e o Programa de Reindustrialização do Brasil, segundo a diplomacia do país asiático. Os dois países assinaram ainda um acordo para facilitação mútua de vistos de turismo e negócios.

      Durante um encontro com Celso Amorim, conselheiro do Presidente brasileiro, Wang Yi destacou o “aumento da incerteza e da instabilidade” no mundo.

      Como potências emergentes independentes, China e Brasil devem, em primeiro lugar, gerir bem os seus próprios assuntos, reforçando simultaneamente a unidade e a cooperação, ancorando objetivos comuns para demonstrarem as suas responsabilidades como países importantes para se tornarem forças estabilizadoras cruciais num sistema multipolar, sublinhou o diplomata chinês. “O fortalecimento da cooperação com os países em desenvolvimento sempre foi uma prioridade para a diplomacia chinesa e a China procura coordenar melhor a cooperação com esses países para alcançar um cenário diplomático global sustentável, saudável e equilibrado”, afirmou Jiang Shixue, professor do Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Xangai, citado pelo Global Times, jornal oficial do Partido Comunista Chinês.

      Segundo a diplomacia chinesa, todos os líderes que receberam Wang enfatizaram o respeito pelo princípio ‘Uma só China’, visto por Pequim como garantia de que Taiwan é parte do seu território. “Tomando a questão de Taiwan como exemplo, a maioria dos países em desenvolvimento mantém uma postura clara e firme no princípio ‘Uma só China’, enquanto alguns países, dispostos a servir como vassalos dos EUA, procuram sempre provocar confrontos com a China sobre esta questão”, disse o professor da Universidade de Negócios Estrangeiros da China Li Haidong, citado pela imprensa oficial. A vitória nas eleições em Taiwan do Partido Democrático Progressista, tradicionalmente pró–independência e que enfatiza uma identidade própria do território, renovou as tensões no Estreita da Formosa.

      A Jamaica foi a última paragem do périplo de Wang Yi. Antes, o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês esteve no Egipto, Tunísia, Togo, Costa do Marfim e Brasil.

      A influência da China nos países em desenvolvimento é vista por analistas como crucial para Pequim projetar poder e interesses além-fronteiras e assegurar acesso a mercados em rápido crescimento, à medida que tenta transfigurar a ordem mundial.

      Programas como a Iniciativa de Desenvolvimento Global (GDI, na sigla em inglês) ou a ‘Faixa e Rota’ são apresentados por Pequim como iniciativas multilaterais que visam “promover o desenvolvimento” e “aliviar a pobreza” nos países em desenvolvimento. Estas iniciativas, no entanto, são acompanhadas pela fundação de instituições que rivalizam com agências estabelecidas, como o Banco Mundial ou o Fundo Monetário Internacional. O maior relacionamento entre Pequim e os países envolvidos abarca também um aumento da cooperação no ciberespaço, meios académicos, imprensa, regras de comércio ou acordos financeiros, visando elevar o papel internacional da moeda chinesa, o yuan. Lusa

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      Redacção do Ponto Final Macau