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      Início Cultura Pinturas de Justin Chiang apelam à compaixão pelos animais

      Pinturas de Justin Chiang apelam à compaixão pelos animais

      Os animais não podem ser apenas vistos como alimento ou mercadoria, expressa Justin Chiang através da sua arte. As pinturas de luta pela causa animal estão patentes até dia 27 na galeria da Fundação Rui Cunha.

       

      Hoje, na Fundação Rui Cunha, é apresentada pelas 18h30 a exposição individual “We Are Not Food” – “Nós não somos alimento” de Justin Chiang. Nas 18 telas em acrílico, que estarão expostas no local apenas até sábado, pode-se observar diversos animais comestíveis, como vacas, porcos ou peixes, e também outros como abelhas, borboletas, tubarões, alforrecas, tigres ou elefantes. A mostra pretende sensibilizar para a causa animal, apelando a que se questione a perspectiva dominante – de que as criaturas do reino animal são mais do que alimento ou mercadoria, e merecem uma vida digna.

      O artista, referiu a galeria, há dez anos realizou uma exposição semelhante intitulada “I’m Not Food!”. Agora, o tema é o mesmo, já que a causa, infelizmente, permanece actual. Segundo o artista, “We Are Not Food” tem como objectivo reduzir o sofrimento dos animais. Através da sua arte, Justin Chiang espera evocar empatia pelos animais e incitar a que se procure formas de coexistência mais compassivas e sustentáveis. “Acredito firmemente no poder ilimitado da arte para inspirar e transformar o pensamento das pessoas. Que esta exposição sirva como um catalisador para a mudança, levando-nos a reavaliar o tratamento dos animais como meras mercadorias”.

      Destacando algumas das suas criações que vão estar patentes na galeria, o artista referiu uma tela onde o tubarão é o animal em destaque. Ao PONTO FINAL, falou sobre a sua intenção de aumentar a consciencialização sobre a prática “cruel” de remoção das barbatanas de tubarão, que diz prevalecer na cultura culinária chinesa. “Tradicionalmente, a sopa de barbatana de tubarão é considerada um prato importante e de prestígio nos banquetes chineses. No entanto, é amplamente conhecido que a obtenção de barbatanas de tubarão envolve um processo extremamente brutal”. Através da pintura, o artista pretende desafiar as normas culturais e estimular a reflexão sobre as consequências das nossas escolhas como consumidores.

      Outra das suas obras, intitulada “Specimen”, explora a prática de recolha e criação de espécimes animais. “Embora existam certos benefícios na recolha de espécimes para investigação científica e fins educativos, é essencial reconhecer que, em muitos casos, o processo envolve a matança de animais e a sua transformação em mercadorias com fins lucrativos, o que é inegavelmente cruel. Através desta obra, pretendo lançar luz sobre as preocupações éticas que cercam a criação de espécimes”.

      Perguntámos ainda a Justin Chiang se esta apologia de não ver os animais como alimento se reflecte nas suas escolhas pessoais, e se adoptou uma alimentação apenas à base de produtos vegetais. Este retorquiu que por questões de saúde tentou ser vegetariano, mas não lhe foi aconselhado. Embora uma dieta composta apenas por alimentos crus e vegetais possa ser benéfica para alguns, pode não ser adequada às necessidades de saúde de todos, lembrou. No entanto, frisou, mesmo para quem acha inviável uma dieta estritamente vegetariana, existe a possibilidade de adoptar uma dieta mais vegetal, uma abordagem que pode contribuir para reduzir a procura de carne e ter um impacto positivo no bem-estar dos animais e no ambiente, mencionou. “As pessoas podem considerar a integração de mais refeições à base de plantas na sua dieta e a selecção de carne e outros produtos de origem animal de fontes éticas onde os animais são tratados humanamente”, argumentou. “Fazer escolhas informadas sobre os alimentos pode levar a uma dieta mais equilibrada que apoie a saúde pessoal e se alinhe com a posição ética em relação aos direitos dos animais”.

      Justin Chiang formou-se na Faculdade de Artes e Design da Universidade Politécnica de Macau. Esta é a sua nona apresentação individual. O artista já teve diversos trabalhos expostos em Macau, China Continental, Taiwan, Portugal, França, e outros destinos. Marcou presença na Creative Macau, no Pavilhão de Exposições e Exposição de Jovens Artistas de Macau e na galeria St. Paul’s Corner. Expôs no Color Forest Art Space em Kaohsiung, Taiwan.