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      Governo vai criar grupo interdepartamental para rever a organização de concertos na comunidade

      A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong, admite a necessidade de rever a organização dos concertos em Macau para equilibrar os interesses dos residentes e dos comerciantes. Reagindo às queixas dos moradores relativas aos recentes concertos no Estádio de Macau, Elsie Ao Ieong confirmou que vai haver um grupo interdepartamental para conduzir os respectivos trabalhos de optimização. Já o organizador dos concertos da banda coreana, que atraiu 40 mil espectadores dentro do recinto, pediu desculpa ao público pelo incómodo causado.

       

      Os concertos recentes do grupo k-pop ‘Seventeen’ conseguiram atrair turistas para impulsionar a economia comunitária, mas “há muito que precisa de se rever e aperfeiçoar” em termos da organização do trânsito e impacto sonoro. A posição foi tomada pela secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong.

      A governante reconheceu ser necessária a melhoria do controlo do tráfego e do fluxo de pessoas, o volume de espectáculo, o tempo da instalação do palco e da apresentação. Neste caso, um grupo interdepartamental vai ser responsável pelos trabalhos de análise e revisão sobre as disposições dos futuros concertos na comunidade.

      O Estádio de Macau na Taipa acolheu dois concertos da banda coreana no passado fim-de-semana, que fez com que a cidade estivesse cheia de turistas e fãs da ‘boyband’, nomeadamente nas ruas da Taipa. Antes do arranque dos concertos, a montagem do palco e testes de sons levaram os moradores da zona a queixarem-se dos problemas de ruído. Enquanto alguns residentes ficaram incomodados pelo barulho e engarrafamento de trânsito, os comerciantes da zona saudaram o aumento do negócio. “Ao mesmo tempo que atraímos visitantes para os bairros comunitários, temos de estudar minimizar o impacto nos residentes”, assumiu Elsie Ao Ieong, citada pelo canal chinês da Rádio Macau.

      A secretária, que falava ontem aos jornalistas à margem do almoço do Ano Novo Lunar oferecido aos órgãos de comunicação social de língua chinesa, referiu que o Governo espera “encontrar um equilíbrio” entre os interesses dos residentes e os das pequenas e médias empresas. “Se se voltar a organizar [eventos semelhantes] ou não, como organizar é a questão principal da revisão”, apontou.

      Elsie Ao Ieong disse que o Governo vai ouvir as opiniões da comunidade, analisando-as e decidindo uma orientação e políticas relevantes para a realização dos eventos de grande escala, designadamente nos bairros residenciais.

      Descartou, no entanto, a realização de consultas sempre que forem organizadas actividades semelhantes, mas sim seguir no futuro políticas específicas, dado que uma consulta pública por cada evento “seria demasiado intrusivo e ineficaz”, disse a secretária.

       

      MACAU DOME, CANÍDROMO, E ATÉ JOCKEY CLUB

       

      Elsie Ao Ieong referiu que a realização de concertos nas instalações das concessionárias é uma opção “mais fácil” tanto para o Governo, como para as empresas organizadoras de eventos, só que os benefícios comerciais poderão não chegar a todos.

      Na opinião da governante, o local para espectáculos pode variar, “por exemplo, a Nave Desportiva dos Jogos da Ásia Oriental, ou a instalação de Jockey Club de Macau, quando terminam as corridas de cavalos. Até se os residentes da Zona Norte acolherem bem os concertos pode considerar-se a possibilidade de organizá-los no Canídromo, mas de menor escala, para atrair turistas para esta zona”, sugeriu.

       

      ORGANIZADOR PEDIU DESCULPA

       

      Além da Live Nation, uma outra empresa organizadora dos concertos dos ‘Seventeen’ pediu desculpa ao público pelos incómodos causados, mas também expressou o agradecimento pela cooperação e apoio do Governo da RAEM.

      A empresa ‘Supernoize Group’, numa nota publicada ontem no Jornal Ou Mun, manifestou as suas “mais sinceras desculpas” aos residentes que foram afectados pelo evento. Admitiu que o ruído das obras e da actuação e as medidas de tráfego dos concertos “afectaram a vida quotidiana dos moradores que vivem à volta do recinto”.

      Revelando que os concertos atraíram mais de 40.000 espectadores, o grupo assinalou que o evento promoveu o consumo da restauração, do alojamento e das visitas da comunidade. Contudo, é de notar que, além dos espectadores dentro do local de concertos, as ruas adjacentes do estádio estiveram igualmente preenchidas pelos fãs que não tinham bilhetes.

      O Supernoize Group agradeceu ainda ao Governo da RAEM pela cooperação e apoio, que ajudou no controlo de fluxo nas entradas e saídas dos concertos, bem como o desvio de tráfego. A empresa voltou a apelar, no final da nota, para todos trabalharem para a construção de Macau como “cidade do espectáculo”, o que está previsto nas Linhas de Acção Governativa de Governo de Ho Iat Seng.