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      Chan Tak Seng diz que esforço para a conservação do Centro Histórico de Macau não é suficiente

      O fundador do Grupo para a Salvaguarda do Farol da Guia, Chan Tak Seng, lamenta a carência de um sistema completo de conservação dos edifícios históricos em Macau. Considerou ainda que o estabelecimento dos “corredores visuais” no novo Plano de salvaguarda e gestão do Centro Histórico de Macau é “demasiado restrito” e não prevê uma protecção suficiente. Relativamente ao restauro de edifícios históricos, Chan destacou que os trabalhos de Macau ainda estão longe dos padrões internacionais, e muitos são “uma vergonha”.

       

      Macau deve rever os princípios de conservação dos edifícios históricos e criar um melhor sistema de preservação para o Centro Histórico de Macau, defende Chan Tak Seng. O líder do Grupo para a Salvaguarda do Farol da Guia e antigo membro do Conselho do Planeamento Urbanístico (CPU) está preocupado com a falta de protecção devida e suficiente do património local, solicitando assim uma maior supervisão e protecção ao Centro Histórico de Macau.

      O Conselho Executivo concluiu recentemente a discussão sobre o projecto de regulamento administrativo sobre o “Plano de salvaguarda e gestão do Centro Histórico de Macau”, onde se prevê a fixação de 11 “corredores visuais”, 19 “ruas pitorescas” e 24 zonas de “tecido urbano”, com a apresentação dos respectivos princípios orientadores.

      Reagindo à promulgação do plano, Chan Tak Seng mostrou-se preocupado com a sua eficácia na conservação do património histórico do território, alertando para a ausência de uma discussão interdepartamental do Governo com o CPU no âmbito de conteúdo do Plano. “Quais são a definição e a autoridade dos corredores visuais nesse plano? O património cultural e o planeamento urbano estão interligados, o plano deveria ser debatido no CPU, a fim de se encontrar um melhor equilíbrio entre o desenvolvimento e a conservação da cidade”, afirmou o responsável, em entrevista ao Jornal do Cidadão.

      De acordo com Chan Tak Seng, o Governo avançou com duas rondas de consulta pública em 2014 e 2018 para o Plano de salvaguarda e gestão do Centro Histórico de Macau, altura em que já existiam a lei de terras, a lei do planeamento urbanístico e a lei de salvaguarda do Património Cultural, sendo que o Plano vai entrar em vigor, afinal, em Junho deste ano.

      Neste caso, Chan apontou que a definição de “corredores visuais” é “demasiado restrita”, uma vez que estas zonas em questão parecem ser apenas locais com finalidade paisagística, mas não uma “linha base de protecção” ou “zonas de protecção”. “Como podemos impedir situações em que os futuros empreendimentos construam edifícios que bloqueiem a vista? Teremos o poder de o impedir? Tomando o princípio caracterizado pelos elementos ‘montanha, mar e cidade’ como exemplo, com a linha do horizonte, a linha costeira e a linha paisagística, o escopo de definição de ‘corredores visuais’ é demasiado limitado”, lamentou o ex-candidato às eleições legislativas.

       

      “UMA VERGONHA” NO RESTAURO

       

      Uma melhor qualidade relativamente aos trabalhos de restauro de edifícios históricos também está nos pedidos de Chan Tak Seng ao Executivo. Frisando que “existe uma distância entre os trabalhos de restauro em Macau e os padrões internacionais”, Chan Tak Seng mostrou-se contra com a mera manutenção das “fachadas e elementos internos valiosos” dos edifícios classificados, referindo que esta forma de restauro é “indescritível e desagradável, e que “não é preservação”, mas “é uma vergonha”.

      O fundador do Grupo para a Salvaguarda do Farol da Guia citou os exemplos do reordenamento do Mercado Vermelho e do Edifício do Antigo Tribunal, que são protegidos pela Lei de Salvaguarda do Património Cultural, mas que enfrentam a demolição do seu interior.

      Chan Tak Seng assinalou que estas construções são “testemunhas da cultura” e desaparecerão se forem demolidos, pelo que a recuperação, até a demolição, dos edifícios históricos deve ser altamente supervisionada. “Há muitos exemplos da relocação das relíquias culturais no interior da China que podem servir como referência, dado que a conservação e o desenvolvimento podem ser mutuamente cooperativos e respeitosos”, disse.