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      Cerâmica, escultura e pintura japonesa contemporânea na galeria Humarish Club

      A galeria de arte do Lisboeta Macau acolhe uma selecção de peças de cerâmica, escultura e pintura de 14 artistas japoneses cujos trabalhos “progressistas” vêm pela primeira vez a Macau. A inauguração da mostra de arte contemporânea conta ainda com a presença de Taiga Mori, ceramista herdeiro da técnica “Bizen” aprendida com o avô.

       

      A exposição “Arte progressista do Japão” é composta por ao todo 45 obras de escultores, ceramistas e pintores que vão ser exibidas na galeria Humarish Club entre 20 de Janeiro e 25 de Fevereiro. A mostra de arte contemporânea nipónica é organizada pelo espaço do Lisboeta Macau juntamente com a galeria Korure, que tem extensa experiência em dar projecção internacional a artistas japoneses “que se aproximam da verdade e criam a mais elevada forma de arte”.

      A mostra dos 14 artistas nipónicos, destacaram os curadores da exposição, dá a conhecer uma “fusão única de perspectivas culturais tradicionais japonesas”, com diversas expressões da arte oriental contemporânea. Na inauguração, a dia 20, para além da presença dos representantes das duas galerias, da deputada e presidente da Fundação Dr. Stanley Ho, Angela Leong, e da directora do Museu de Arte de Macau, Susanna Un, está prevista a vinda à cidade de um dos ceramistas japoneses.

      Taiga Mori, nascido em Bizen, na província de Okayama, sudoeste do Japão, foi introduzido àquela técnica ancestral desde muito cedo pelo seu avô, Furai Mori, um ceramista de renome nos círculos da cerâmica Bizen. Uma das seis tradicionais “kilns” de cerâmica japonesa, é conhecida pelos seus tons de terra e contornos toscos e orgânicos. Depois de herdar o forno do avô devido ao seu falecimento, Taiga Mori começou a explorar o seu próprio estilo, partilhou a Humarish Club em nota. Desde a sua primeira exposição em Tóquio, em 2001, o artista tem exposto nas principais cidades nipónicas, viajando também repetidamente para a Europa, Nepal, Butão e Turquia para obter novas perspectivas sobre a sua forma de arte, embora continue a manter o método tradicional de cozedura em madeira e vitrificação natural do estilo de cerâmica Bizen. Caminho distinto tem feito Takashi Baba, artista que também é de Bizen e vai ter peças suas expostas na galeria do Lisboeta Macau. Este aprendeu a técnica, enverando depois pelos estudos e investigação em escultura e outras técnicas em Quioto, e só voltando depois à terra natal para explorar a sua linhagem.

      A mostra conta ainda com outras peças de materiais menos naturais, como as pequenas esculturas de plástico (vinyl/PVC) de Tadayoshi Ichimiya, que cria bonecos de animação como monstros, aliens e outras criaturas, ou as esculturas pretas de Daisuke Kato, feitas com uma impressora 3D a partir de um software de escultura digital. O artista, em seguida, aplica camadas de resina e laca à base de água na superfície dessas esculturas, processo que se baseia na técnica tradicional de laca seca do período Tenpyo, mas onde a madeira era o material de base.

      O escultor Kishi Omori, por seu turno, recorre a materiais industriais e a restos de brinquedos de maquetes de plásticos para criar peças plenas de detalhe. Devido ao facto de as formas destas obras serem demasiado complexas para serem reproduzidas com cera, o artista recorreu ao método de fundição, explicou a organização, o que faz destas peças únicas, por não poderem ser reproduzidas. A artista

      Asuka Sakuma também recorre a material desperdiçado, escolhendo sobretudo jornais e sobras de papel para realizar esculturas apenas com cola e um x-acto, criando peças com curvas e volumes reminiscentes de planetas e paisagens espaciais. A artista diz que as suas peças nunca estão terminadas, e que se as deixa temporariamente, mais tarde, quando volta a elas, gosta de continuar a alterá-las. Pegando em elementos japoneses da cultura contemporânea como o gato da sorte de Harajuku, ou o urso Sama, Shinichi Wakasa gosta de desconstruir estas figuras, criando esculturas com um lado sombrio, e que espelha uma estética de materiais inacabados, em ‘bruto’.

      As telas dos pintores presentes na mostra oscilam entre a cultura Manga e estética ‘Kawaii’, como é o caso das artistas Lotta e Nagmo, e pinturas que contêm imagens de animais e reinterpretam estéticas tradicionais.

      Takahide Komatsu, por exemplo, utiliza folhas de ouro e tinta acrílica para criar telas douradas com borboletas e outros insectos, procurando sensibilizar o público para os ecossistemas do mundo em risco. Com uma estética mais desconcertante, mas também recorrendo a animais e insectos como foco central das suas pinturas, Tomohiro Tagaki coloca figuras humanas dentro de partes dos animais, um exercício de reflexão sobre a realidade actual, em que os seres humanos são os parasitas do mundo animal, defende o artista.

      Por fim, a pintora Yuanyuan Zhang utiliza a pintura encáustica, com recurso a cera quente, para recriar paisagens semelhantes às criadas durante a dinastia Song na China, tentando exprimir “coisas que não têm cor, como a água ou a atmosfera”.

       

       

       

       

       

       

      Ponto Finalhttps://pontofinal-macau.com
      Redacção do Ponto Final Macau